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Bruna Ghetti Quinta-feira, 27 de Agosto de 2026, 05:00 - A | A

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Bruna Ghetti 

Quando rir, tossir ou espirrar vira motivo de preocupação

Bruna Ghetti 

Annie Souza/Rdnews

 Bruna Ghetti - articulista do dia arte interna

 

Sabe aquela frase que eu ouço de muitas mulheres no consultório? “É só um pouquinho de xixi quando eu espirro”. Quase sempre vem acompanhada de um sorriso sem graça, como se fosse só mais uma consequência natural da idade, da gravidez ou dos partos.

Só que não é bem assim.

Perder um pouco de urina ao tossir, espirrar, rir, correr, pular ou fazer qualquer esforço pode ser sinal de incontinência urinária de esforço. Acontece com muita mulher por aí. Mas, olha, comum não é a mesma coisa que normal. E, principalmente, não quer dizer que você precise aprender a conviver com isso para sempre.

O que mais me preocupa é ver como tanta mulher reorganiza a vida inteira antes de procurar ajuda. Para de correr. Evita certos exercícios. Pensa duas vezes antes de pular cama elástica com os filhos. Anda com absorvente na bolsa “por via das dúvidas”. Antes de sair de casa, já calcula mentalmente onde tem banheiro no caminho. Algumas passam anos fazendo esses ajustes sem nem perceber quanta liberdade foram deixando pelo caminho.

A incontinência urinária de esforço acontece quando aquela estrutura que sustenta a bexiga e a uretra não dá conta do aumento da pressão na barriga. Quando a gente tosse, espirra ou faz exercício, essa pressão sobe. Se os músculos e tecidos do assoalho pélvico não seguram bem, o xixi escapa. Gravidez, parto, envelhecimento e outras mudanças no suporte pélvico estão entre os fatores que contribuem para o problema.

A incontinência urinária de esforço acontece quando aquela estrutura que sustenta a bexiga e a uretra não dá conta do aumento da pressão na barriga. Quando a gente tosse, espirra ou faz exercício, essa pressão sobe. Se os músculos e tecidos do assoalho pélvico não seguram bem, o xixi escapa

Depois dos 40 anos, essa conversa merece ainda mais atenção. As mudanças hormonais do climatério e da menopausa se somam às alterações dos músculos e tecidos da região pélvica. Mas seria um erro colocar toda a culpa na idade. Incontinência tem diferentes causas e tipos, e o tratamento começa exatamente por entender o que está acontecendo com aquela mulher, com você.

Por isso, não existe fórmula mágica nem solução única. Antes de decidir qualquer coisa, é preciso avaliar quando os escapes acontecem, com que frequência, qual a intensidade, se houve gestações e partos, se existem sintomas de urgência urinária, quais são as condições de saúde daquela mulher e como está a função do assoalho pélvico. As diretrizes internacionais recomendam justamente essa avaliação clínica antes de definir o caminho terapêutico.

Em muitos casos, a gente começa pelo caminho mais conservador. O treinamento supervisionado da musculatura do assoalho pélvico é recomendado como primeira linha de tratamento para mulheres com incontinência urinária de esforço ou mista, geralmente por pelo menos três meses. E olha, não é simplesmente falar para a paciente “fazer Kegel”. É preciso saber se ela consegue contrair e relaxar os músculos do jeito certo e montar um treino que faça sentido para a realidade dela.

Dependendo do diagnóstico e de como ela responde ao tratamento inicial, outras estratégias podem entrar em cena. Hoje temos fisioterapia pélvica, mudanças de hábitos, tecnologias de estimulação muscular e, quando há indicação, procedimentos médicos ou cirúrgicos. A escolha precisa ser individualizada, feita sob medida.

A incontinência urinária ao tossir, espirrar ou treinar tem causa anatômica e fisiológica. Trata-se da hipotonia do assoalho pélvico combinada ao declínio de colágeno, e nenhum músculo do corpo precisa ser escondido quando pode ser reabilitado.

Entre as tecnologias disponíveis para fortalecer essa musculatura profunda está o EMSELLA®, um equipamento que realiza estimulação eletromagnética de forma não invasiva e indolor, sem exigir afastamento da rotina. É uma das ferramentas que podem ser consideradas dentro de um plano de tratamento, sempre com indicação e acompanhamento profissional.

Tratar a sustentação pélvica é devolver liberdade e autonomia sem que a mulher precise viver calculando movimentos.

Se eu pudesse deixar uma única mensagem, seria esta: não espere a perda urinária ficar grave para tocar no assunto.

Saúde íntima também é poder gargalhar sem medo. É correr, dançar, viajar, treinar, brincar com os filhos sem ficar calculando cada movimento. É perceber uma mudança no próprio corpo e saber que existe espaço para falar sobre ela sem vergonha.

Por muito tempo, ensinamos as mulheres a esconder o escape de urina.

Agora, precisamos ensinar que dá para procurar tratamento e que procurar ajuda não é frescura. É um ato de cuidado consigo mesma.

Bruna Ghetti é ginecologista, especialista em mulheres 40+, e escreve neste espaço quinzenalmente às quintas-feiras

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