O meia Giorgian de Arrascaeta, do Flamengo, que foi cortado da seleção uruguaia para os primeiros amistosos de 2023, está apresentando a chamada pubalgia. Termo muito utilizado no esporte, ela é empregada para os casos de osteíte púbica, pubeíte, hérnia muscular ou lesões dos tendões do músculo reto abdominal e adutores, sendo estas as mais frequentes.
A causa da pubalgia é muito controversa, mas parece ligada a um desbalanço da musculatura do reto abdominal e adutores. Este desbalanço leva a desequilíbrio de toda região, que resulta num quadro de dor e inflamação. A pubalgia é muito mais frequente em homens do que em mulheres. Também é mais frequente em atletas, sendo muito comum em jogadores de futebol.
“O tratamento da pubalgia é clínico. Inicialmente repouso e anti-inflamatórios são utilizados. O paciente é encaminhado à fisioterapia onde o principal objetivo é o fortalecimento do CORE (musculatura central) e estabilização da pelve”
A principal queixa é dor na parte inferior do abdômen, que pode irradiar para a parte de dentro das coxas, região genital, testículos ou períneo. Esta dor ocorre durante a prática esportiva e é frequente durante episódios de chute ou ao realizar abdominais. Dor durante a atividade sexual pode estar presente.
Uma série de exames são necessários para diagnóstico da pubalgia. Estes exames são necessários não só para diagnosticar, mas principalmente para descartar outras doenças, como por exemplo o impacto femoroacetabular (IFA) e hérnias inguinais. Geralmente são solicitadas radiografias da bacia e dos quadris, assim como a ressonância magnética da sínfise púbica e dos quadris. Os achados mais frequentes são lesões dos tendões do reto abdominal e adutores, além de inflamação nos ossos púbicos. Para descartar a hérnia inguinal uma ultrassonografia pode ser realizada.
O tratamento da pubalgia é clínico. Inicialmente repouso e anti-inflamatórios são utilizados. O paciente é encaminhado à fisioterapia onde o principal objetivo é o fortalecimento do CORE (musculatura central) e estabilização da pelve. O tratamento da pubalgia por muitas vezes é longo, porém com bons resultados. A maior parte dos pacientes melhora com um tratamento fisioterápico bem realizado. Após a fisioterapia, o paciente deve adotar uma mudança em seus treinamentos instituindo o fortalecimento do CORE como rotina.
Os pacientes que não melhoram com tratamento clínico inicial, outros métodos podem ser empregados, como a magnetoterapia, ondas de choque, infiltrações guiadas e inúmeras outras técnicas regenerativas.
Fonte: Pubmed, Albert Einstein (https://www.einstein.br/)
Fellipe Valle é médico ortopedista e traumatologista, com especialização em cirurgia de ombro e cotovelo, cirurgia do joelho, especializando em medicina da dor e ortopedia regenerativa, além de idealizador do programa Descomplicando a Ortopedia. Ele é membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia - MT, da American Academy of Orthopaedic Surgeons e da AO Trauma Latin America. É sócio fundador da associação brasileira de ultrassonografia músculo esquelética, professor de medicina na Univag e da residência de ortopedia Unic-Hgu. Escreve com exclusividade para esta coluna às terças. E-mail: fellipevalle@hotmail.com. Instagram: @dr.fellipe.







