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Judiciário Sexta-feira, 09 de Outubro de 2026, 10:08 - A | A

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TRÁFICO DE DROGAS

“Cabeleireiro das estrelas” tem prisão mantida e irá para ala LGBTQIA+

Decisão partiu de juíza durante audiência de custódia; Elielson Gonçalves Vieira é acusado de venda de drogas para ricaços

João Aguiar

O cabeleireiro Elielson Gonçalves Vieira, conhecido em Cuiabá como “cabeleireiro das estrelas”, teve a prisão preventiva mantida e deverá ser encaminhado à ala LGBTQIA+ do sistema prisional, por determinação da juíza Henriqueta Fernanda Chaves Alencar Ferreira Lima, do Núcleo de Justiça 4.0 do Juiz das Garantias - Polo Cuiabá. A decisão foi tomada em audiência de custódia nesta quinta-feira (8), após ele ser preso na Operação Fio, da Polícia Civil, sob suspeita de intermediar a venda de drogas para pessoas da alta sociedade cuiabana, os "ricaços". 

Divulgação/Assessoria

Cabeleireiro Elielson Gonçalves Vieira

 

Elielson passou por audiência na custódia ainda na quinta. O Ministério Público de Mato Grosso requereu a homologação do cumprimento do mandado de prisão, ressaltando que não há narrativa de violência por parte das autoridades que efetuaram o cumprimento da ordem.

Já a defesa do cabeleireiro pediu pelo relaxamento da prisão. O advogado do suspeito alegou que, na busca e apreensão, não foi encontrada droga e que nada foi localizado no celular de Elielson. Sobre uma das mensagens encontradas no aparelho, ele salientou que a conversa indica que o cabeleireiro era usuário, e não traficante.

“Quanto às cerca de 22 conversas de WhatsApp mencionadas, afirmou que uma delas, datada de 2024, apenas registra oferta de droga por terceiro, sem comprovação de que tenha havido comercialização, e que outra indica, ao que tudo leva a crer, a aquisição, mediante transferência de R$ 250, de porção de maconha para uso próprio, o que não configuraria materialidade do tráfico”, diz trecho do pedido.

O advogado também sustentou que Elielson é primário, possui residência e trabalho.

Em sua decisão, a magistrada não atestou nenhuma irregularidade durante o cumprimento do mandado e homologou o cumprimento do mandado de prisão. Sobre o pedido da defesa, ela sustentou que não vislumbra, por ora, motivo para a revogação da prisão preventiva. No entanto, o pedido poderá ser reanalisado posteriormente.

Por fim, a juíza determinou que, por sua condição de homossexual e para resguardar a integridade física e psíquica do cabeleireiro, ele deve ser encaminhado para a ala LGBTQIA+ do sistema prisional.

Reprodução/PJC

Elielson Gonçalves, cabeleireiro, Operação Fio

 

Prisão

Conforme já publicado pelo , o delegado Wilson Cibulski, titular da Delegacia Especializada de Repressão a Narcóticos (Denarc) de Cuiabá, revelou que as investigações começaram em setembro do ano passado, após Elielson ser preso em flagrante por suspeita tráfico. “A gente investigou e viu que ele fazia intermediação de drogas, de grandes quantidades. E esse grupo criminoso [alvo da operação] também fazia distribuição de drogas para pessoas da alta sociedade”, revela.

“[Ele era] traficante. Na investigação, tem intermediação de droga por parte dele. Grandes quantidades de drogas, inclusive, principalmente de super maconha, que ele chama de “maconha Gold”, acrescenta.

Além de Elielson, também foi preso na operação Hebert Felipe de Almeida Vieira, de 36 anos. Em agosto deste ano, ele foi alvo de uma tentativa de homicídio em um hotel do bairro Novo Mundo, em Várzea Grande. Após o crime, ele se mudou para Santos, no litoral de São Paulo e foi pego na cidade paulista nesta quinta.

Conforme o delegado, Hebert era um dos fornecedores de drogas para Elielson. “Ele fazia intermediação entre um e outro, procurava ele pra ver quem era fornecedor, ele dava contato, ele negociava e intermediava também”, acrescenta.

Lapada Lapada

tentativa de homicidio vg

 

A operação

Segundo a Polícia Civil, a operação foi deflagrada para cumprimento de 26 ordens judiciais, sendo 5 de prisão preventiva, 9 de busca e apreensão e 12 de bloqueio de ativos financeiros. Os mandados foram expedidos pelo Núcleo de Justiça 4.0 do Juízo da Garantias – Polo Cuiabá e são cumpridos em Cuiabá, Várzea Grande e Mirassol D’Oeste, e no Litoral Sul de São Paulo.

As ordens judiciais são decorrentes de investigação conduzida pela Polícia Civil que apura a atuação de um grupo suspeito de envolvimento com o tráfico de entorpecentes e com a movimentação de recursos relacionados às atividades criminosas.

No curso das apurações, foram reunidos elementos que indicam a participação de diferentes investigados na atividade criminosa, além de indícios de movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica declarada de alguns dos envolvidos e possível utilização de pessoas físicas e jurídicas para circulação e ocultação de valores.

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