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Judiciário Quinta-feira, 23 de Maio de 2024, 12:23 - A | A

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HOMICÍDIO

MP denuncia bombeiros por morte de aluno em treinamento na lagoa Trevisan

Segundo a denúncia, dois militares deram vários "caldos" e retiraram o flutuador do aluno enquanto ele dizia que não aguentava mais

Kethlyn Moraes

O Ministério Público Estadual (MPE) denunciou na Justiça o capitão Daniel Alves de Moura e Silva e o soldado Kayk Gomes dos Santos, ambos militares do Corpo de Bombeiros, pela morte do aluno Lucas Veloso Peres, de 27 anos, em 27 de fevereiro, durante treinamento na Lagoa Trevisan em Cuiabá. Na denúncia, o MP pede que os militares respondam por homicídio duplamente qualificado.

Montagem/Rdnews

Reconstitui��o Lucas Veloso

Daniel Alves ministrava o curso de formação de salvamento aquático no dia do afogamento. Kayk Gomes era coordenador da aula no dia. Lucas Veloso chegou a ser levado ao Hospital H-Bento, onde não resistiu e morreu. Ele foi enterrado em Caiapônia (GO).

O promotor Paulo Henrique Amaral Motta, da 13ª Promotoria de Justiça Criminal de Cuiabá - Crimes Militares pede que seja instaurado o processo penal, com condenação e fixação de indenização aos familiares da vítima. O promotor pediu reparação de R$ 700 mil por parte do capitão Daniel Alvos e R$ 350 mil por parte do soldado Kayk. Caso a denúncia seja aceita, eles deverão ser responder na 11ª Vara Criminal Especializada de Justiça Militar.

Segundo a denúncia, durante o procedimento de instrução de salvamento aquático realizado na Lagoa Trevisan, os denunciados mataram a vítima mediante asfixia por afogamento e prevalecendo-se da situação de serviço.

Conforme o MP, em determinado momento durante a aula, Lucas havia percorrido aproximadamente 100 metros do início da travessia à nados e passou a ter dificuldades na flutuação, ocasião em que parou para se recompor, utilizando, dessa forma, um flutuador Life Belt.

"O primeiro denunciado Capitão Daniel Alves de Moura, desconsiderando o estado de exaustão do referido aluno, determinou que a vítima soltasse o flutuador Life Belt e continuasse o nado crawl, ocasião em que a vítima tentou, por diversas vezes, dar prosseguimento à atividade aquática, sendo que, diante das dificuldades, voltava a buscar o flutuador", diz trecho da denúncia.

João Aguiar/Rdnews

reconstitui��o lucas veloso

O capitão ainda teria insistido e mandado Lucas soltar o único equipamento de segurança à disposição, proferindo ameaças contínuas. Em seguida, teria determinado que o monitor, o soldado Kayk, retirasse o flutuador do aluno.

Nesse momento, segundo a denúncia, o soldado se aproximou da vítima, retirou seu flutuador, e aplicou-lhe, ainda, continuamente, vários e reiterados “caldos”, quando, então, o aluno, desesperado e com intenso sofrimento físico e mental, passou a gritar por socorro, pedindo para sair da água.

"Assim, o primeiro denunciado Cap BM Daniel Alves de Moura, que se encontrava em um pranchão, decidiu descer do equipamento, determinando que os outros alunos que o acompanhavam seguissem adiante e deixassem a vítima para trás, sob a sua supervisão", afirma a promotoria.

Nesse momento, o capitão posicionou-se à frente da vítima e percebeu que o jovem havia se afogado. Ao retornar à superfície, Lucas encontrava-se inconsciente e fora colocado na embarcação. Foi constatado, no entanto, de imediato, que já não havia pulsação e que o rapaz havia entrado em parada cardiorrespiratória, tendo morrido no local.

O caso

Lucas Veloso era natural de Goiás e estava fazendo uma aula de salvamento aquático quando teria se afogado. Lucas não é o primeiro aluno a morrer durante um treinamento dos Bombeiros. Em 2016, o aluno Rodrigo Claro morreu durante atividades aquáticas, também na Lagoa Trevisan. A responsável pelo treinamento, a tenente Izadora Ledur, foi acusada de maus-tratos contra Rodrigo, mas teve a condenação prescrita.

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