Rodinei Crescêncio
João Arcanjo Ribeiro, que saiu do sistema prisional em fevereiro deste ano, passa por audiência de justificação e diz ao juiz que não está de volta ao crime
O ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro, que ganhou liberdade em fevereiro deste ano, passou por audiência de justificação na tarde desta quinta (2), na Segunda Vara Criminal de Cuiabá. Em depoimento à Justiça, a defesa do ex-bicheiro João Arcanjo Ribeiro negou que ele esteja atuando novamente no jogo do bicho e afirmou que não está mais envolvido em nenhum tipo de ilegalidade.
“Por que você acha que uma pessoa que passou mais de 10 anos reclusa, que desfez de tudo que fez, vai voar para o passado”
Zaid ArbidA audiência foi conduzida pelo juiz Geraldo Fidelis e teve como objetivo analisar a conduta do bicheiro desde que obteve a liberdade para que, posteriormente, defina se ele deverá permanecer solto ou retornará para a prisão. Conforme a Justiça, o Ministério Público Estadual recebeu três denúncias que apontariam suposto retorno do ex-bicheiro aos crimes.
A Gerência de Combate ao Crime Organizado (GCCO), da Polícia Civil, investiga papéis encontrados, durante operação, em central do jogo do bicho em Cuiabá, em que constam nomes da família Arcanjo. O advogado de Arcanjo, Zaid Arbid, afirmou que o cliente não seria estúpido para voltar ao jogo do bicho. "Por que você acha que uma pessoa que passou mais de 10 anos reclusa, que desfez de tudo que fez, vai voar para o passado, por apenas 30 pontos do jogo do bicho, trocar a liberdade sacrificada por isso, a única coisa que você não pode pensar de Arcanjo é que ele seja estúpido, um homem conhecido pelo tirocínio, empreendedor, não vai trazer situação contrária a ele", comentou o advogado Zaid.
Zaid declarou que Arcanjo “tem celebrado a liberdade acima de tudo, com respeito, devoção e reverência indeterminada pelo Poder Judiciário”.
Sobre as investigações da GCCO, Zaid pontuou que não há provas, mas, sim, acusações anônimas. "Não digo que Arcanjo tenha inimigos, mas ele incomoda, é pessoa diferenciada", argumenta. Para a defesa, se trata de armação de desafetos e pessoas que têm dívida com o empresário.
Sobre os nomes dos filhos e da ex-mulher em papelada achada na central de jogo do bicho, o advogado diz que é maldade preparada e que ninguém em sã consciência cometeria um crime desses, deixando provas tão evidentes.
“Estou estudando e trabalhando”
O juiz Geraldo Fidelis comentou que foram protocoladas três denúncias contra Arcanjo no Ministério Público Estadual. Uma delas foi protocolada em 26 de junho, outra dois dias depois e uma terceira em 16 de julho.
“Não digo que Arcanjo tenha inimigos, mas ele incomoda, é pessoa diferenciada”
Zaid ArbidEm uma das denúncias, um homem afirmou ter sido agredido e ameaçado pelo genro de Arcanjo, Giovanni Zem Rodrigues, em razão de trabalhar como vendedor de uma empresa de jogo de bicho que seria rival da Colibri, pertencente a Arcanjo.
O comendador negou que ele ou o genro tenham qualquer tipo de envolvimento com o jogo do bicho atualmente. “Eu sei dessas denúncias pela imprensa, mas não sei detalhes", disse. "Posso ser tudo na minha vida, mas não sou burro de voltar a isso depois de 15 anos preso. Estou estudando e trabalhando", declarou Arcanjo, que mencionou estar fazendo curso técnico de Administração, além de aulas de inglês.
Sobre as apreensões policiais de jogos do bicho, nas quais foram identificadas anotações com nomes de parentes do bicheiro, Arcanjo foi enfático. "Toda semana tem apreensões (referentes a jogo do bicho), mas não sei mais detalhes", declarou, negando mais uma vez qualquer envolvimento na contravenção.
"Como é que acusam anonimamente uma pessoa que está trabalhando? Eu não devo nada, por isso estou aqui. Só Deus sabe o que passei, agora estou reiniciando minha vida, estudando e fazendo tudo certinho. Estou à disposição ao para esclarecer os fatos", acrescentou.
Depoimento de genro de Arcanjo
Depois do depoimento de Arcanjo, o juiz Geraldo Fidelis pediu que o genro do comendador, Giovanni Zem, também prestasse esclarecimentos. A oitiva de Zem não era prevista, porém como estava na sala de audiência, a defesa do comendador propôs que também fosse ouvido.
Zem negou ter feito qualquer tipo de ameaça contra o suposto funcionário de outra empresa do jogo do bicho. Segundo o empresário, o responsável pela denúncia teria ido ao seu escritório para propor que Zem atuasse na empresa de jogo do bicho. O genro do comendador disse que não aceitou a proposta do homem. Zem declarou que atualmente trabalha nas empresas da família e não tem nenhum envolvimento com a contravenção.
O MPE pediu que o homem que denunciou as supostas agressões do genro de Arcanjo compareça na próxima audiência, marcada para 13 de setembro, para prestar esclarecimentos sobre o caso.
Denúncias anônimas
A defesa de Arcanjo pediu que seja apurada a autoria das três denúncias anônimas feitas contra o comendador. O pedido foi acolhido pelo Ministério Público Estadual e pela Justiça. O advogado dele pediu que sejam entregues as gravações do circuito interno do local onde foram protocoladas as denúncias, para identificar o autor delas.
O promotor Rubens Alves de Paula pediu que responsável pela denúncia anônima seja ouvida em juízo. Segundo ele, a medida é considerada dentro da Lei, porque o responsável pelas denúncias chegou a assiná-las, apesar de não ter se identificado. (Matéria atualizada às 17h34)
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