Previsão do tempo ??°C Cidade

Judiciário Sexta-feira, 15 de Maio de 2026, 07:41 - A | A

Sexta-feira, 15 de Maio de 2026, 07h:41 - A | A

TRÊS DIAS DE JÚRI

Investigador que matou PM em Cuiabá é condenado a 2 anos em regime aberto

O julgamento teve a duração de três dias e foi marcado por embates entre defesa e acusação e desgaste de depoentes

João Aguiar e Cecília Nobre

Após 3 dias de julgamento, o investigador da Polícia Civil Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves, foi condenado a 2 anos de detenção em regime aberto por matar o policial militar Thiago de Souza Ruiz a tiros, em uma conveniência de posto de combustível, em Cuiabá, em 2023. A sentença foi proferida pelo Tribunal do Júri, no final da noite desta quinta-feira (14).

O Conselho de Sentença reconheceu que o policial civil efetuou os disparos, mas rejeitou a tese de homicídio doloso, quando há intenção de matar. Para eles, aconteceu um homicídio culposo, quando não há intenção. Apesar de condenado, Mário não irá mais usar a tornozeleira eletrônica. A decisão foi proferida pelo juiz Marcos Faleiros da Silva. 

O promotor de Justiça Vinícius Gahyva Martins, do Ministério Público de Mato Grosso, afirmou que irá recorrer da decisão. A defesa do policial civil, realizada pelos advogados Cláudio Dalledone e Renan Canto, ainda vai analisar se apresentará recurso.

Alair Ribeiro/TJMT

Mário Wilson, Tribunal do Júri, PM, Thiago Ruiz

Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves

Conforme publicado pelo , o julgamento foi suspenso em dezembro do ano passado, após um “bate-boca” entre a juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, que presidia a sessão, e o advogado de defesa de Mário, Cláudio Dalledone, sendo remarcado para a última terça-feira (12).

No primeiro dia do julgamento, Walkiria Filipaldi Corrêa, viúva do policial militar Thiago Ruiz, afirmou que a filha, de 11 anos, sofre com a falta do pai,  e que passou a se cortar e a tentar falar com Thiago após ele ser morto. “Vi minha filha sendo exposta, se cortando, desmaiando, chorar quieta a noite, ligar para o pai como se ele tivesse vivo”, diz. 

No mesmo dia, Walfredo Raimundo Adorno Mourão Júnior - investigador da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) e amigo de Thiago, que estava presente no momento do crime -  disse ao júri que ajoelhou na frente da mãe de Thiago, pedindo perdão “por não ter conseguido salvá-lo”, ao relatar sobre a morte do PM, socorrido por ele.  

Alair Ribeiro/TJMT

Walfredo Raimundo Adorno Mourão Júnior

Walfredo Raimundo Adorno Mourão Júnior

Durante o depoimento de Walfredo, o mesmo, visivelmente abalado, relatou diversas situações fora da cena do crime, como o fato dos problemas de saúde da filha dele, que possui uma condição médica complicada e que requer atenção. Além disso, assumiu que, devido a esse e outros problemas pessoais, fez uso contínuo de cocaína e maconha e que, atualmente, é dependente desta segunda droga, mas que busca a associação de Alcoólicos Anônimos (AA) e Grupos Familiares Al-Anon.

Depois disso, o depoimento e as falas de Walfredo foram, por diversas vezes colocadas à prova em outros depoimentos, onde os depoentes eram questionados pela defesa de Mário, se Walfredo era “digno de confiança”, se era “usuário de drogas” e entre outras coisas. 

Desgaste de depoentes

Na quarta-feira (13), o julgamento teve continuidade e ocorreu regado a embates, provocações e sucessivos “estranhamentos” entre os advogados de defesa de Mário, Renan Canto e Cláudio Dalledone, e o promotor do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Vinícius Gahyva Martins.

Além disso, houve uma clara abordagem de desgaste dos depoentes, por parte da defesa e, em alguns momentos, do MPMT também, devido a perguntas intermináveis, muitas vezes sem relação com a morte do PM, e provocações entre acusação e defesa em meio aos depoimentos.  

Alair Ribeiro/TJMT

Vinícius Gahyva Martins, Cláudio Dalledone, Tribunal Júri, Mário Wilson

O promotor Vinícius Gahyva Martins (de costas) e o advogado Cláudio Dalledone

“Ataque suicida”

Durante o terceiro dia do julgamento, nesta quinta-feira (14), Mário declarou que a vítima praticou um “ataque suicida” e que no momento em que Thiago tomou tal atitude, ele sabia que um deles "não sairia vivo dali”. 

“Foi um ataque suicida, um ataque maluco. Ele [Thiago] não estava ali apenas numa luta para pegar a arma que estava no seu poder, ele estava ali na intenção de me matar. A partir do momento em que ele toma essa atitude, um de nós não sairia vivo dali. Eu estava quase perdendo a consciência, nesse momento eu retirei a minha arma que estava coldreada e efetuei os disparos, todos [os tiros] no chão. (...) Fiz na intenção de sobreviver, não tinha a intenção de colocar a vida dele em risco, até eu sofrer a injusta agressão”, afirmou Mário.

Questionado sobre o que o levou a duvidar sobre Thiago ser um policial militar, Mário disse que a vítima era um usuário de drogas conhecido pela polícia e que as tatuagens que ele tinha pareciam “feitas em cadeia”, o que o levou a suspeitar de Thiago. “Eu achei que o Thiago era fornecedor [de drogas] do Walfredo e estava fazendo um levantamento sobre a situação”, declarou.

Alair Ribeiro/TJMT

Mário Wilson, Tribunal do Júri, Thiago Ruiz

 O promotor do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), Vinícius Gahyva Martins (ao fundo) e o réu Mário Wilson Vieira da Silva Gonçalves (de costas)

Ao relatar sobre o momento que chamou de “abordagem legal”, quando tirou a arma de fogo da cintura de Thiago, Mário citou as imagens registradas pelas câmeras de segurança da conveniência do posto. 

“Eu não tô nem com o dedo no gatilho, sem nenhuma intenção de matar. Fiz a verificação do brasão da arma, pra ver se é abrasionada e não identifiquei, momento em que falei: Vou verificar no Ciosp (...). Nesse momento, ele [Thiago] aproveita para tirar a minha arma”, disse. 

O crime

Mário Wilson responde por homicídio qualificado, com as agravantes de motivo fútil e uso de recurso que dificultou a defesa da vítima, conforme denúncia do MPMT.

De acordo com as investigações, na madrugada do crime, a vítima chegou à conveniência acompanhada de um amigo. Posteriormente, Mário Wilson também chegou ao local e foi apresentado ao policial militar.

Reprodução

Crime em conveniencia - Thiago Ruiz e Mario Wilson

 

Imagens de câmeras de segurança registraram os envolvidos conversando momentos antes do crime. Conforme o inquérito, em determinado instante, Thiago Ruiz teria mostrado a arma que portava na cintura. Na sequência, o investigador civil se apoderou do revólver e efetuou os disparos. O policial militar morreu no local. 

Entre na comunidade do Rdnews no WhatsApp e acompanhe as notícias em tempo real; Acesse

Comente esta notícia

Renato 18/05/2026

Investigador embriagado depois de acertar um tiro, por discussão tola, atira 10x pelas costas - não tinha intenção de matar - PQP! Imagina se tivesse.

positivo
0
negativo
0

Gigio 15/05/2026

Deveria haver punição para o comportamento desse promotor e advogado. Sem postura profissional, ficaram três dias fazendo gracinhas.E no final ,o juri,praticamente absolveu o frio assassino.

positivo
2
negativo
0

Alinor 15/05/2026

Pouco,muito pouco.Nao estava de serviço. Estava vadiando, embriagado e matou estupidamente. Seguirá na polícia, seguirá colocando a vida das pessoas em risco.É perigoso,e anda armado.

positivo
2
negativo
0

mario 15/05/2026

complicado a justiça dar apenas 2 anos de condenação por homicidio,neste caso teve favorecimento neste pena

positivo
2
negativo
0

Marcelo 15/05/2026

A verdade, que uma pessoa morreu, fui praticamente fuzilado pelo policial que o desarmou, a justiça permitiu a banalização do homicídio por parte da defesa, para a justiça é normal descarregar a arma em cima de outra pessoa.

positivo
14
negativo
1

5 comentários

O portal e o blog não se responsabilizam pelos comentários aqui postados. Se você se sentir ofendido pelo conteúdo de algum comentário dirigido a sua pessoa, entre em contato conosco pelo e-mail contato@rdnews.com.br