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ALVO DA "REPLAY"

Câmara exonera assessor de vereador preso por suspeita de elo com CV

Brunno Passos da Silva era assessor parlamentar do vereador Jefferson Siqueira na Câmara de Cuiabá

João Aguiar

A Câmara Municipal de Cuiabá exonerou o servidor parlamentar Brunno Passos da Silva, conhecido como "Brunninho", que foi preso na manhã desta quinta-feira (30) durante a Operação Replay, deflagrada pela Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco). Ele é investigado por possível elo em um esquema de lavagem de dinheiro do Comando Vermelho (CV), comandado por Paulo Witer Farias Paelo, o W.T..

Reprodução

Brunno Passos da Silva o Brunninho

Conforme divulgado pelo , Brunninho atuava como assessor parlamentar do vereador Jefferson Siqueira (PSD), na Câmara Municipal de Cuiabá. Ele tinha sido contratado em janeiro deste ano com um salário de R$ 2,5 mil.

Em nota enviada à imprensa, a Câmara informou que, por solicitação do vereador Lemes (PSD), que ocupa a vaga de Jeferson Siqueira, licenciado por 120 dias, exonerou Brunninho. O ato de exoneração será publicado na edição desta sexta-feira (31) da Gazeta Municipal.

“A Câmara Municipal de Cuiabá reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito às instituições. A Casa acompanha os desdobramentos do caso e permanece à disposição das autoridades para colaborar com o que for necessário”, diz trecho da nota.

Além de Brunninho também foram presos: a advogada Dayane Karol Moreira, o jogador de futebol amador Alex Júnior Santos de Alencar, conhecido como "Alex Soldado", e Emerson Ferreira Lima, o "Gordão". 

Funções

Durante entrevista coletiva, o delegado Victor Hugo Caetano, da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (Draco), detalhou as funções atribuídas a alguns dos investigados e afirmou que eles integravam a estrutura responsável por manter o esquema de lavagem de dinheiro da facção, mesmo com W.T. preso na Penitenciária Central do Estado (PCE).

Segundo Victor Hugo, a advogada atuava na regularização documental de imóveis de luxo do município de Itapema (SC), adquiridos em nome de “laranjas” para ocultar a origem ilícita dos bens.

"A advogada presa em Cuiabá atuou como procuradora de imóveis em nomes de pessoas interpostas na cidade de Itapema. Ela exerceu atividade para ocultação e dissimulação do patrimônio pertencente a esse faccionado, a esse tesoureiro da organização criminosa [W.T.]", afirmou.

Já Alex Soldado, conforme o delegado, era um dos principais homens de confiança de W.T. fora da prisão e já havia sido alvo de outras operações da GCCO.

"O jogador de futebol do time desse faccionado [Amigos do W.T.] é um dos braços direitos dele aqui fora do presídio. Já foi preso diversas vezes. Atuava na lavagem de dinheiro e na prática de atos em favor da organização criminosa", disse.

Victor Hugo ressaltou ainda que Alex é um alvo recorrente das investigações policiais e voltou a atuar para a facção criminosa após ser colocado em liberdade, “com atuação muito forte ao lado do braço direito do líder dessa facção", explicou.

O terceiro investigado, Emerson Ferreira Lima, conhecido como "Gordão", também ocupava posição estratégica dentro da organização criminosa.

"Era o braço direito desse tesoureiro da facção criminosa [W.T.]. É a pessoa a quem ele se reportava diretamente para a prática ilícita da lavagem de dinheiro em favor da organização criminosa", explicou o delegado.

Comando mantido de dentro da prisão

Conforme publicado pelo , de acordo com a investigação, W.T. continuou exercendo influência sobre a facção mesmo preso. Segundo Victor Hugo, o líder reduziu sua capacidade operacional ao ser preso, mas jamais deixou de comandar o grupo.

"Pelos dados telemáticos, conseguimos evidenciar que ele continuou essa prática e essa conduta de lavagem de dinheiro e de outros crimes", afirmou.

Operação Replay

Durante a deflagração da Operação Replay foram cumpridos 10 mandados de prisão preventiva contra integrantes do Comando Vermelho, investigados por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

A ofensiva também inclui mandados de busca e apreensão, quebra de sigilos e bloqueio de bens e valores que ultrapassam R$ 32,6 milhões, concentrando as ações em Cuiabá e Várzea Grande, além de municípios de Santa Catarina e do Rio de Janeiro.

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