Investigações da Polícia Civil apontaram que R.M.D.O, de 33 anos, autor confesso do ataque à bomba em uma unidade do Supermercado Tropical em Rondonópolis (a 218 km de Cuiabá), mandou mensagens por aplicativo para a rede de atendimento do estabelecimento exigindo o pagamento de R$ 300 mil em moeda virtual, tipo Bitcoin, para que não efetuasse ataque contra as lojas da empresa.
O homem, que foi preso nesta quarta-feira (12), teria se identificado como "membro de uma organização que efetua ações de altíssima violência".
Segundo a Polícia Civil, logo após o contato dele, houve a primeira detonação de um artefato explosivo, no dia 4 de abril, que causou lesão corporal grave em duas pessoas, sendo uma delas uma criança de sete anos, além de ferimentos em outros clientes. Depois da ação, ele fez novo contato com o atendimento ao consumidor da empresa exigindo, novamente, o pagamento sob pena de um novo ataque.
Logo após a prisão, R.M.D.O. foi encaminhado para a Delegacia Especializada de Roubos e Furtos de Rondonópolis. Durante interrogatório, ele alegou que há mais de 15 anos tem noção de manuseio de explosivos e fabricava bombinhas caseiras. No ano passado, disse que teve a ideia de causar prejuízos materiais em "quem tem muito dinheiro" e a rede de supermercado foi a primeira que veio em sua mente, devido ao grande fluxo de pessoas no local, pois poderia se camuflar no meio da multidão e implantar as bombas.
Segundo a Polícia, o suspeito afirmou que no dia 31 de março, por volta das 8h, colocou a primeira bomba no supermercado da Vila Operária. Após uns 30 minutos, o investigado colocou a segunda bomba na loja do Jardim Tropical.
Já em relação à extorsão, conforme a Derf, ele alegou que a intenção era colocar o dinheiro virtual em uma plataforma chamada Mixer, que reunia milhares de carteiras virtuais, com a intenção de dificultar o rastreio do dinheiro devido ao número expressivo de carteiras.
O homem relatou, ainda, que o prazo para pagamento era até o final da tarde do dia 04 de abril e que, como o pagamento não foi feito, foi de motocicleta até o supermercado e parou a aproximadamente 60 metros do local, de onde acionou a bomba por controle remoto. No dia seguinte, o investigado teria enviado nova mensagem para saber se o estabelecimento comercial faria o pagamento da quantia exigida em Bitcoins, mas alegou à Polícia que já não tinha mais a intenção de detonar a segunda bomba.
Investigações
As equipes conseguiram identificar, primeiramente, o veículo usado no crime. A partir dessa informação, a Polícia Civil chegou ao proprietário do veículo e foi encaminhado pedido de busca e apreensão domiciliar, deferido pela 2ª Vara Criminal de Rondonópolis.
Nessa terça-feira (11), as equipes da Derf cumpriram o mandado na residência do suspeito, localizada no Residencial Farias. No local foram apreendidos objetos utilizados na fabricação dos artefatos explosivos, como pólvora, mecanismo eletrônico de detonação à distância, munições, além da motocicleta e outros objetos usados no crime.
O investigado é barbeiro, não possui passagens policiais e confessou a autoria do crime. Ele deverá responder pelos crimes de extorsão qualificada (com agravamento pela lesão causada nas vítimas) e explosão.
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