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Polícia Sexta-feira, 13 de Janeiro de 2023, 15:50 - A | A

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HOMICÍDIO CULPOSO

Médicos são indiciados por morte de jovem durante cirurgia estética

Segundo o inquérito, Keitiane Eliza ficou 8 horas "aberta" em maca esperando por UTI

Kethlyn Moraes

Reprodução/ Facebook

Keitiane Silva morte lipoaspira��o Valore Day Hospital

Três médicos foram indiciados pela Polícia Civil pela morte da jovem Keitiane Eliza da Silva, de 27 anos, durante cirurgia estética. Segundo o relatório da conclusão do inquérito policial, o cirurgião Alexandre Rezende Veloso e os anestesistas Klayne Moura Teixeira de Souza e Cristhiano Camargo Prado foram indiciados por homicídio culposo.

De acordo com o inquérito, conduzido pelo delegado Bruno de Moraes, houve negligência médica quando os profissionais deixaram Keitiane "aberta" na maca de cirurgia durante oito horas esperando por um leito de Unidade de Terapia Intensiva (UTI). Além disso, a clínica onde a jovem foi atendida não teria respeitado o tempo de espera de recuperação da Covid-19, que a vítima precisava ter passado.

Keitiane morreu em abril de 2021, quando fez um procedimento cirúrgico estético de lipoescultura, abdominoplastia e reparo de mastopexia, em uma clínica de estética em Cuiabá. Segundo laudo da Politec, a morte se deu por choque hemorrágico – grande perda de sangue.

O advogado Marciano Nogueira Silva afirmou, em entrevista coletiva nesta sexta-feira (13), que a clínica não respeitou a recomendação da Sociedade Brasileira de Anestesiologia, de esperar seis semanas para realizar cirurgias em pacientes que foram infectados pela Covid-19 e apresentaram sintomas. No caso de Keitiane, a paciente havia sido infectada há 22 dias quando realizaram o procedimento.

Um laudo técnico do Instituto Médico Legal (IML) também constatou que a jovem possuía broncopneumonia antes do procedimento, possivelmente decorrente da Covid, e em nenhuma hipótese os profissionais deveriam ter feito o procedimento naquele momento.

“Além disso, naquele momento existia uma recomendação do Conselho Regional de Medicina de suspender cirurgias eletivas pela lotação e faltas de UTI nos hospitais, por causa da pandemia. Mesmo sabendo desse cenário, os profissionais assumiram o risco. Ela [Keitiane] ficou pelo menos oito horas em estado grave aguardando ser transferida para uma UTI e quando foi, já estava em um quadro irreversível. Todos esses fatores levaram esse desfecho trágico”, salientou Marciano.

Marcus Ferrari

Heliodorio Santos Nery - Advogados caso Keitiane Eliza da Silva

Segundo o advogado Heliodorio Santos Nery, a paciente deveria ter sido estabilizada e transferida tão logo aconteceu a primeira parada cardíaca. No total, Keitiane sofreu seis paradas.

“O primeiro choque que ela recebeu foi dia no 13, às 21h. Ela ficou a noite inteira aberta até o outro dia, às 8h e os parentes não ficaram sabendo. Ninguém sabe se ela foi viva ou morta”, afirmou.

Além disso, o advogado acrescenta que, na época, no pico da pandemia, as UTIs estavam destinadas para eventuais casos de pacientes com coronavírus. “Então os médicos assumiram um risco enorme quando fizeram os três procedimentos”, destacou.

Bruno Oliveira

Ana Perpetua Bochnia - m�e e irm� de Keitiane Eliza da Silva

A diarista Ana Perpétua Bochnia, mãe de Keitiane Silva [à esquerda] e a irmã da jovem, durante entrevista coletiva realizada na manhã desta sexta (13)

Família pede por Justiça

Agora, a defesa e a família aguardam o Ministério Público de Mato Grosso acolher o relatório policial e oferecer denúncia criminal à Justiça. Também esperam que o CRM investigue e aplique a devida penalidade disciplinar a cada um dos profissionais.

 "Estamos em busca de justiça. É uma dor irreparável e, enquanto eu respirar, vou sentir essa dor", disse a mãe de Keitiane, a diarista Ana Perpétua Bochnia.

“Estamos em busca de justiça. É uma dor irreparável e, enquanto eu respirar, vou sentir essa dor”

Ana Perpétua, mãe de Keitiane

Keitiane deixou duas filhas, que agora moram com o pai e passam os finais de semana com as avós. "Estamos nos dividindo e fazendo o máximo possível", afirmou Ana.

Segundo a diarista, Keitiane morreu por causa de um sonho. "Era o sonho dela. Ela já era linda demais, mas queria ficar ainda mais bonita", relatou.

Ana Perpétua diz que, como mãe, espera que as pessoas analisem melhor a decisão antes de fazer procedimentos estéticos. "A beleza, às vezes, traz preços muito altos. A gente nunca pensa no pior, acha que nunca vai acontecer com a gente. Espero que outras pessoas analisem antes de fazer, para não sofrerem essa dor, para que outros filhos não chorem pela perda da sua mãe e outras mães não sofram pela perda das suas filhas", disse.

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