A Polícia Civil de Sorriso (a 397 km de Cuiabá) mapeou “lojinhas” ou pontos de tráficos e identificou quase 40 traficantes ativos na cidade durante as investigações que culminaram na Operação Recovery, deflagrada na semana passada. A associação criminosa é vinculada ao Comando Vermelho e cobra, por semana, R$ 100 de "camisa" (taxa) para que os faccionados possam vender a droga na região.
O grupo, que vem causando terror no município, ainda teria a participação de dois presos da Penitenciária Central do Estado (PCE) e do presídio Ahmenon Lemos Dantas, em Várzea Grande.
“Em suas redes sociais Guilherme Jales Pereira, vulgo 'Zeca' ostenta uma vida de luxo paga com o dinheiro ilícito do tráfico de drogas”
Trecho do inquéritoDados das investigações que embasaram a operação policial, os quais o
teve acesso, apontam que Guilherme Jales Pereira, o Zeca, seria o líder intelectual da associação criminosa, em ação conjunta com seu irmão e braço-direito Henrique Jales Pereira, vulgo Jales – que atuaria na função de contador do grupo.
Zeca não apenas recolheria o dinheiro ilícito da droga distribuída, mas também as taxas pagas pelos “lojistas”. Caberia a ele definir, também, segundo as apurações, quem seria o gerente responsável por cada bairro.
“Em suas redes sociais Guilherme Jales Pereira, vulgo 'Zeca' ostenta uma vida de luxo paga com o dinheiro ilícito do tráfico de drogas”, diz trecho do inquérito policial.
Jales, por sua vez, atuaria no cargo de contador da organização criminosa. Na “teia” descoberta pela polícia, outro nome que desfrutaria de influência e prestígio é Wemerson Douglas da Silva Tedeia. Segundo a apuração, por ordem de Zeca, ele teria assumido o controle do território antes liderado por Richard Ioseph Ferreir – morto em dezembro do ano passado durante uma emboscada em que Wemerson e Jales foram feridos. Após a “baixa”, Wemerson então passou a ser, segundo a polícia, o gerente da Região Oeste de Sorriso.
Ocultação de recursos ilícitos
As investigações revelaram ainda que a associação se utiliza de um complexo esquema para “lavar” o dinheiro do tráfico por meio de laranjas que têm pouco ou nenhum histórico criminal. Os recursos ilícitos do tráfico são pulverizados em contas para não chamar a atenção. Entre os “laranjas” estaria, inclusive, a namorada de Zeca, Ana Paula da Silva, assim como a esposa de Jales e cunhada de Zeca, Maria Fernanda de Souza Lima.
“Ocupando posição de primeiras-damas do crime, Maria Fernanda de Souza Lima e Ana Paula da Silva não só branqueiam os ativos ilícitos da associação para o tráfico, bem como desfrutam da luxuosa vida que esse dinheiro sujo propicia”, cita outro trecho do inquérito.
“Ocupando posição de primeiras-damas do crime, Maria Fernanda de Souza Lima e Ana Paula da Silva não só branqueiam os ativos ilícitos da associação para o tráfico, bem como desfrutam da luxuosa vida que esse dinheiro sujo propicia”
Trecho do inquéritoA lavagem de capitais também aconteceria com a ajuda da mãe e do irmão de Maria, identificados como Eliara de Souza Bilha e Carlos Henrique de Souza Lima.
Outros integrantes
Ainda segundo o mapeamento feito pela polícia, Nelson Silva de Holanda Neto, o "Sábio", seria peça importante na engrenagem do tráfico em Sorriso, atuando como o gerente de Wemerson mais atuante. Sábio também exerceria, segundo a polícia, a função de “lojista”. Caberia a ele a distribuição de drogas aos “lojistas” associados, bem como recolher o pagamento e repassar às contas dos “laranjas” indicados por Wemerson ou Zeca. Sábio é marido de Ana Karla Rafael de Andrade, apontada como uma das mais ativas “laranjas” da associação criminosa.
Nas investigações aparece ainda como um dos líderes e fornecedor permanente Alexandre Martins de Oliveira, conhecido como "Maquinista" ou "Zé Pequeno". Ele está recolhido na PCE, mas seguiria atuando na comercialização de entorpecentes e outros crimes. “Zé Pequeno usou o mesmo terminal para ordenar diversas execuções na cidade de Sorriso, fatos esses investigados em procedimento próprio na Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa”, frisa a autoridade policial.
E são apontados pelas investigações como supostos “distribuidores” Janzer Gustavo Pires Lopes, o "TZ", e Guilherme Augusto Carnezella Campos, o "Cereja". “Cereja é responsável por abastecer alguns 'lojistas', bem como recebê-los para entregar entorpecentes quando ordenado pelos seus superiores”, diz outro trecho do documento.
Christiano Antonnucci /Secom
Operação Recovery, da Polícia Civil, cumpriu 94 ordens judiciais contra supostos membros da organização criminosa com atuação em Sorriso
Ao solicitar ordens judiciais contra os supostos membros da organização criminosa, a Polícia Civil define outros personagens como traficantes, lojistas e membros usados no esquema de ocultação do dinheiro ilícito por meio do crime de lavagem de dinheiro.
Por exemplo, o mapeamento constatou que Kleverson Nunes Ferreira da Silva, vulgo “Coyote”, “Quequé” ou “Tio”, seria o fornecedor oficial de armas para o grupo.
“A associação criminosa investigada atua de forma endêmica, constante e vultosa no comércio de diversos tipos de drogas na cidade de Sorriso, principalmente cloridrato de cocaína, pasta base de cocaína, ecstasy e maconha (...) Sequer fazem questão de esconder suas atividades e esbanjam”, cita trecho do documento.
Caso
O ponto de partida das investigações em Sorriso, lideradas pelo delegado Bruno França Ferreira, que culminaram na Operação Recovery são os dados telemáticos dos aparelhos celulares de Wemerson e sua esposa Lauanda de Souza Mantelli, presos durante a investigação do homicídio qualificado de José Cristhian Soares de Almeida.
Durante a operação, deflagrada na semana passada, foram cumpridos 94 mandados judiciais de prisão, busca e apreensão e quebra de sigilo bancário. Além disso, foi bloqueado R$ 1 milhão de integrantes da associação criminosa.
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EDUARDO S 11/04/2023
Não importa se outros ocuparão o lugar deles,,o feito a ser feito é o """ FUZILAMENTO "", daí saberãi que não se admite o trafico em Mato Grosso, igual na Indonésia,,se pegar com drogra é morto ...vê se na indonesia prospera o trafico de droga,,pesquisa ai quantos estrangeiros ja foram executados,,so de brasileiros foram 2 que acharam que iam ganhar dinheiro...infelizmente quem chora é a família,,mas fazer o que né...a vida da escolhas e depois que arquem com as consequencias. jogo da vida...
Omar Teleiro 11/04/2023
Estranho é divulgarem nomes e imagens dos meliantes, porque certa feita o filinho de uma prefeita da região foi pego distribuindo cocaína em uma festa e nem ele e nem seus parceiros(as) foram identificados, no máximo com as iniciais.
Zezito 10/04/2023
Por essas e outras q tem que descriminalizar a canabis BR. Argumento: 1-Quem quiser comprar canabis consegue comprar em qquer lugar do Brasil. 2-Desbarata-se uma quadrilha hj, amanhã tem outra. Ou seja, é melhor o governo liberar, arrecadar imposto e tirar o poder do tráfico de uma vez só. Parando de enxugar gelo..Aim, mas acaba com a família!! Acaba não inocente.
Alan 10/04/2023
Em terra de bozotários, amigos de milicianos, o crime prospera.
4 comentários