Cuiabá, 05/10/2026

Fiasco do concurso atingiu governador

   No ano em que o governador Blairo Maggi (PR) figurou entre as personalidades mais influentes do mundo no ranking da revista Forbes, o republicano também acumulou o desgaste por causa do fiasco do que seria o maior concurso público do país, que teve as provas canceladas por desorganização e suspeita de vazamento de gabarito. O certame adiado para este 2010, a ser aplicado em três etapas, conta com 271 mil candidatos inscritos para 10.086 vagas no serviço público.

   Em 2009, o acionista do Grupo Amaggi conseguiu reverter a fama de devastador do meio ambiente e passou a receber até mesmo elogios dos ambientalistas, como do ministro do Meio Ambiente Carlos Minc, que já foi um dos inimigos de Maggi.

    Mato Grosso continua desmatando, mas caiu para a terceira colocação no ranking dos Estados da Amazônia Legal. A gestão Maggi acumulou pontos positivos por viabilizar financiamento para máquinas do tipo pá carregadeira, escavadeira hidráulica e motoniveladora e caminhões para atender os municípios dentro do plano de consórcios na recuperação de estradas. Deu prosseguimento ao plano de entregar 60 mil unidades habitacionais por meio de alguns programas, entre eles o Meu Lar. O governador criou o subprograma Uma Casa Por Hora e entregou 17.520 unidades em 2009. Avançou em obras de pavimentação asfáltica.

   Se ele um lado Maggi conta com elogios, principalmente por ações na infraestrutura e no setor econômico, de outro enfrenta críticas, em especial de quem considera que ele "militarizou" o governo, e também entre os políticos, por entenderem que Maggi deveria ser menos técnico e se articular mais. Há reclamações de que o governador deixou de ouvir os partidos da base aliada. São críticas endossadas em grande parte pelo senador Jayme Campos (DEM), que se uniu com o prefeito cuiabano Wilson santos (PSDB), já pensando nas eleições de outubro. Maggi, por sua vez, se transformou em cabo eleitoral do seu vice, o peemedebista Silval Barbosa, que assume o governo em 31 de março e buscará a reeleição.

   A interrupção no fornecimento de gás natural da Bolívia para o Estado também trouxe desgaste para a gestão Maggi. Ele foi um dos principais entusiastas da ideia de motoristas fazerem a conversão para rodar seus veículos com gás natural. Depois, faltou o produto. O transporte do gás do país vizinho até a usina Governador Mário Covas, em Cuiabá, empacou por falta de licença ambiental que precisa ser concedida pelo governo boliviano de Evo Morales. Agora a termelétrica corre o risco de ser desativada. O ex-vereador Helny de Paula, que preside a MTGás, e o vice Silval Barbosa conseguiram contornar provisoriamente o problema com a prorrogação do fim do fornecimento para este ano.