Cuiabá, 05/10/2026

MT lamenta morte de Garcia; MS ignora


Garcia Neto foi radicalmente contra processo de divisão territorial, mas não conseguiu "segurar" surgimento de MS

 O ano em que mato-grossenses e sul-mato-grossenses retomaram a velha rivalidade por causa da disputa por uma das 12 vagas de sede dos jogos da Copa do Pantanal de 2014, também foi marcado pela morte do ex-governador José Garcia Neto. Ele comandou o Estado em 1978, antes da divisão territorial. Mato Grosso do Sul se transformou em Unidade da Federação e se separou de Mato Grosso efetivamente em 1979.

      A maior consternação com a perda de Garcia se percebeu em Mato Grosso, especialmente na Grande Cuiabá. De Mato Grosso do Sul não houve manifestação de pesar, nem mesmo do governador André Puccinelli (PMDB).Indicado pelo ex-presidente Ernesto Geisel para comandar o Estado, Garcia Neto sempre foi contra a divisão do Estado. Sustentava que seria invíavel. Ele costumava lembrar que a divisão foi feita em contraposição ao desenvolvimento tecnológico, que deu aos gestores efetivas condições de governador regiões de elevado porte geográfico, como era o caso de Mato Grosso. Também destacava que os dois Estados teriam crescido mais economicamente se não tivessem sido divididos.

   Filiado à UDN e, depois, à Arena, Garcia Neto foi nomeado para comandar Mato Grosso pelos militares em 1975 e permaneceu no cargo até 1978. Ele nasceu em Sergipe, onde se formou em Engenharia Civil e chegou a Mato Grosso em 1945. Além de ter sido governador, foi prefeito de Cuiabá e deputado federal por duas gestões. Em 20 de janeiro, os mato-grossenses acordaram com a triste notícia de falecimento do ex-governador. Morreu aos 87 anos. Teve derrame. Garcia Neto deixou a esposa e três filhos.