Maggi deixa Paiaguás; Silval assume em meio à turbulência
O ano de 2010 marcou o fim da gestão republicana de Blairo Maggi e o início da era Silval Barbosa (PMDB). Após ficar quase 8 anos à frente do Paiaguás e deixar o cargo com um alto índice de aprovação, o republicano resolveu trilhar novos caminhos e, ao obter 1.073.039 votos, se consagrou como o senador mais votado da história do Estado. Com estilo mais técnico que político, Maggi fez história e conquistou os mato-grossenses, principalmente, devido ao alto investimento na pavimentação e recuperação de estradas e construção de casas.
Em 31 de março, ele deixou o comando do Estado numa solenidade acompanhada ao vivo por milhares de mato-grossenses. A cerimônia foi marcada pela emoção e tanto Maggi quanto Silval não esconderam as lágrimas. O ex-prefeito de Matupá entrou para a história como o 11° a ocupar a cadeira de governador e terceiro vice a assumir a condição de chefe do Executivo para conclusão do mandato nos últimos 30 anos, desde o processo de divisão territorial, que se efetivou em 1979 com o surgimento do vizinho Mato Grosso do Sul. Meses mais tarde, em 3 outubro, foi reeleito ainda no primeiro turno e vai comandar Mato Grosso pelos próximos 4 anos.
Blairo Maggi deixa o comando do Palácio Paiaguás em 31 de março e passa a missão a Silval Barbosa
Em meio à transição dos governos “estourou” o escândalo do maquinário, apontado como o mais grave dos governos Maggi e Silval. Em fevereiro deste ano Maggi entregou 705 máquinas referentes ao programa “Mato Grosso 100% Equipado”. Com financiamento do BNDES e sem emendas parlamentares, o governo comprou por R$ 241 milhões 705 máquinas do tipo pá-carregadeira, escavadeira hidráulica e motoniveladora, caminhões basculante e cavalo-mecânico.
Dias depois começou a ser ventilada a possível existência de irregularidades e, após a conclusão de uma auditoria encomendada pelo republicano, pouco antes de deixar o Paiaguás, foi revelada a existência de um superfaturamento de R$ 44 milhões. Em meio às investigações caíram dois secretários: o de Administração, Geraldo De Vitto, e o de Infraestrutura, Vilceu Marchetti. Ambos vieram a ser denunciados com mais empresários pelo Ministério Público na esfera criminal e a promotora Ana Cristina Bardusco analisa toda a documentação e perícias para propor as ações criminais cabíveis.
Deflagrada em 5 de maio, a Operação Jurupari também causou problemas à gestão Silval. Ocorre que entre os presos estavam o seu chefe de gabinete Silvio Corrêa, o ex-secretário de Meio Ambiente Luiz Henrique Daldegan e o ex-adjunto de Desenvolvimento Florestal da pasta de Desenvolvimento Rural Afrânio Migliari. Todos foram apontados como membros de uma quadrilha que praticava crimes ambientais no Estado. Diante da situação delicada, Silval teve de exonerar os servidores envolvidos. Além deles, figuras como a esposa do ex-presidente da Assembleia Legislativa José Riva (PP), Janete Riva, e o ex-deputado federal e conselheiro aposentado do Tribunal de Contas do Estado, Ubiratan Tom Spinelli, também foram presos.
Após o maquinário, a Jurupari e conseguir a reeleição, Silval passou a costurar o seu secretariado. A missão era complexa tendo em vista o grande arco de alianças que se formou ao redor dele. Até mesmo o DEM, que foi oposição durante o pleito, apoiando a candidatura de Wilson Santos (PSDB), conseguiu ficar com uma cadeira. O escolhido foi o deputado José Domingos Fraga, que assume a pasta de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar, beneficiando o 1° suplente Gilmar Fabris que, mesmo sem mandato, vai legislar.
Durante todas as articulações o maior debate ocorreu entre os líderes do PP que acabaram por indicar o deputado federal Eliene Lima à pasta de Ciência e Tecnologia. A confusão interna ocorreu porque o vice de Silval, Chico Daltro, “bateu duro” para ficar com a vaga. A estratégia do PP, entretanto, era beneficiar o máximo de suplentes possível, por isso, além de Eliene, foi indicado à Saúde o também deputado federal Pedro Henry. Com a saída deles, ganharam a chance de assumir uma cadeira na Câmara Federal Roberto Dorner e Neri Geller.
A surpresa final do secretariado de Silval ocorreu no final da tarde desta quarta (29), quando o defensor-geral Djalma Sabo Mendes foi anunciado como secretário Extraordinário de Governo. Ele passa a integrar o staff de Silval, após tentar, sem êxito, a reeleição ao cargo. Por fim, foi derrotado por André Prieto. A escolha dele pôs fim ao emaranhado de articulações para a formação do novo staff de Silval. O PR que possui a maior bancada na Câmara Federal com 2 deputados, 1 senador, além de 6 deputados estaduais, conseguiu indicar seis secretários. Já o PMDB de Silval ficou com uma cota de 4 pastas, enquanto o PP de Chico Daltro, indicou 3 nomes. O PT e o DEM emplacaram Rosa Neide na Educação e Domingos Fraga na de Desenvolvimento Rural e Agricultura Familiar, respectivamente.