Para Júlio, vereadores devem ganhar bem para não se tornarem corruptos
Gilberto Leite
Júlio Pinheiro afirma que situação da Câmara não permite reajuste do subsídio
O presidente da Câmara de Cuiabá, Júlio Pinheiro (PTB), descartou a hipótese de reajustar a verba indenizatória dos vereadores por conta da situação financeira enfrentada pelo Legislativo. Segundo o petebista, a gestão prioriza sanear as finanças, ainda comprometidas pelas irregularidades cometidas pelo antecessor João Emanuel (PSD), que acabou cassado por quebra de decoro parlamentar. "Os recursos que sobram serão investidos na elaboração do novo Plano de Cargos, Carreira e Salários (PCCS) dos servidores efetivos. O aumento virá somente após o cumprimento deste compromisso", garantiu.
Os rumores sobre o aumento da verba indenizatória dos vereadores por Cuiabá surgiu por conta do reajuste concedido aos deputados estaduais. Na Assembleia, o benefício saltou de R$ 35 mil para R$ 65 mil mensais com a extinção dos chamados "penduricalhos" que ultrapassavam R$ 115 mil todos os meses. "A Lei nos garante 75% do subsídio pago aos deputados estaduais. Podemos aumentar, mas nosso orçamento, por ora, não permite", explicou Júlio Pinheiro.
Hoje, "penduricalhos" recebidos por deputado passam de R$ 115 mil/mês
Entretanto, Júlio Pinheiro afirma que os vereadores ganham pouco. Para o presidente da Câmara, o salário de R$ 15,9 mil acrescido da verba indenizatória que chega a R$ 25 mil não é suficiente para pagar o esforço despendido no exercício dos mandatos que representam a população cuiabana.
Como exemplo de espírito público, Júlio Pinheiro utiliza a própria trajetória política. O petebista lembra que já foi chefe de gabinete de dois deputados federais, assessor no Senado, chefe de gabinete na Secretaria Estadual de Educação (Seduc), comissionado na Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp), chefe de gabinete da presidência do Tribunal de Contas do Estado (TCE) e secretário de Habitação de Cuiabá sem nunca superfaturar compras ou receber propinas. "Tenho 20 anos de vida pública. Mereço ganhar bem para fazer a coisa certa. Administro o duodécimo de R$ 40 milhões e não posso ser tentado a roubar. Preciso de um bom salário para não correr o risco de não fazer como os gestores da Petrobrás", declarou em entrevista ao Rdnews.
Câmara de Cuiabá quer contemplar servidores efetivos com novo PCCS