Dante se torna amigo de Casaldáliga na década de 70; ex-algozes o visitam
Ex-governadores Dante e Carlos Bezerra faziam visitas a Pedro Casaldáliga
Os ex-governadores Carlos Bezerra (PMDB) e Dante de Oliveira (PSDB), já falecido, estão na lista dos políticos que comandaram o Estado e que visitaram o bispo emérito de São Félix do Araguaia, Pedro Casaldáliga, durante o período em que estiveram à frente do Palácio Paiaguás.
Dante, conforme Pedro, se tornou seu amigo e o visitava com frequência. "Um homem simples, humilde, mas que nunca abriu mão de suas convicções", disse Dante durante homenagem feita a Casaldáliga na UFMT. À época, Dante era candidato ao Senado e o bispo recebeu o título de Doutor Honoris Causa, entregue pelo então reitor da Universidade, Paulo Speller.
A viúva do ex-governador Thelma de Oliveira pontua que os dois se aproximaram ainda na década de 70, quando o tucano era deputado estadual, durante a ditadura. "Dante tinha muito carinho por Dom Pedro. Como ministro (da Reforma Agrária) ajudou a resolver alguns conflitos e continuou ajudando como governador", pontua Thelma.
Ela lembra que um dos casos mais marcantes durante essa amizade foi na década de 80 quando a UDR de Porto Alegre do Norte tentou matar o prefeito Rodolfo Alexandre Inácio, o Cascão, que era da esquerda e seguia a linha da Prelazia. "Cascão era um líder da região e isso revoltou a direita. Dante foi para lá tentar ajudar", cita Thelma.
Bezerra e Dante foram os últimos governadores de Mato Grosso a visitar Casaldáliga, conforme o bispo emérito, em entrevista ao Rdnews. Já o hoje senador Blairo Maggi (PR), que é da Bancada Ruralista e o atual gestor, Silval Barbosa (PMDB) nunca mantiveram nenhuma conversa com ele. Silval, no ano passado, quando esteve na região do Araguaia, lançando e entregando obras, chegou a solicitar uma audiência com Casaldáliga, mas, por conflito de agendas, o encontro não ocorreu.
Ocorre que o líder religioso, aos 86 anos, está com a saúde bastante debilitada por causa do mal de Parkinson. Assim, não consegue manter o mesmo ritmo de antes. “Horário que Pedro podia, o governador não podia”, ressalta o padre Paulo, que cuida do bispo desde 2010.
Algozes
Luciano Ribeiro
Ex-governador Siqueira Campos foi um dos que interrogaram Pedro Casaldáliga
Com bom humor, Casaldáliga ressalta que até mesmo ex-algozes já o visitaram e/ou solicitaram visita, como é o caso do ex-governador do Tocantins, Siqueira Campos (PSDB), que renunciou ao mandato em abril deste ano e deixou em aberto à possibilidade do seu filho, o ex-senador Eduardo Siqueira Campos (PSDB) concorrer à principal cadeira do Palácio Araguaia. Siqueira, à época da ditadura (em 1977), que era do Arena-GO, foi membro da CPI da Terra - que investigou irregularidades no sistema fundiário brasileiro - e foi um dos que interrogaram Casaldáliga.
Recentemente, já como governador, chegou a pleitear uma conversa com o bispo para debater a polêmica em torno da construção da TO-500, que interligará a BR – 242 e corta a ilha do Bananal conectando os estados do Tocantins e Mato Grosso. Acontece que, segundo o bispo, justamente por cortar a Ilha do Bananal, tem causado conflitos com os índios das aldeias Karajá e Javaé.
Para Casaldáliga, a rodovia é ruim para os índios porque corta Itapapé. Já, em relação ao uso do rio para hidrovias, o bispo emérito pontua que seria necessária a construção de eclusas porque, senão, na seca, os barcos tocariam o chão.
O reencontro, entretanto, não ocorreu. “Generais que participaram da repressão na região, depois passaram pela casa de Pedro, mas Pedro sempre faz questão de lembrar a situação e ele lembra da pessoas”, ressalta padre Paulo.