Camila Cervantes
Pedro Casaldáliga, em poema, traduz seu amor pelo Araguaia e fala sobre as lutas pelos menos favorecidos, especialmente os índios, os migrantes, os peões
Neste quase 50 anos em que está no Brasil, o missionário Catalão, Pedro Casaldáliga, bispo emérito de São Félix do Araguaia, escreveu exaustivamente acerca dos conflitos entre não índios e índios; posseiros e grandes fazendeiros. Como o próprio sacerdote gosta de dizer, os livros, cartas e outros documentos redigidos na Prelazia da cidade foram a principal arma contra a ditadura e os latifundiários, salvando, muitas vezes a sua vida, já que ele recebe ameaças de morte até hoje.
Foi por meio dos 25 livros, poemas, e dezenas de cartas circulares também que o mundo conheceu a história do local e acompanhou os constantes conflitos numa das regiões do país mais enigmática e pragmática.
Casaldáliga destaca dois livros, como os que considera principais: Eu creio na Justiça e na Esperança; e Na procura do Reino. Todos esses documentos e fotos, de forma estratégica, passaram a ser arquivados na própria Prelazia e, posteriormente, ajudaram na confecção de cerca de 80 dissertações e teses de mestrados e doutorados, respectivamente sobre a Prelazia, teologia e a vida de Pedro. Os documentos são bastante organizados com fotos, cartas, livros, vídeos, poemas, entre outras coisas. Eles, inclusive, estão sendo digitalizados.
Tanta atuação nas causas sociais lhe renderam crítica, mas também homenagens, como uma música feita por Antônio Miranda e cantada por Branco Barros.
Filme
A vida e obra de Pedro Casáldáliga, inclusive, se tornou filme e deve estrear no país ainda neste ano, por meio da TV Brasil. Conforme o padre Paulo, que acompanha Casaldáliga desde 2010, neste momento é finalizado o processo de confecção das legendas e dublagem. O filme já foi lançado na Espanha.
Praticamente toda a produção foi gravada em São Félix do Araguaia. Assim, apenas a parte que fala sobre o conflito com o Vaticano, quando Casáldaliga foi convocado por João Paulo II, foi feita em Barcelona.
No Brasil foram 3 meses de gravação, sendo que o ator Catalão Eduard Fernandez interpreta Casaldáliga passou vários dias na casa do bispo para conseguir dar “vida” ao personagem no filme. O orçamento da produção foi de 3,5 milhões de euros e ela contou como roteirista o premiado de "Central do Brasil", Marcos Bernstein, e com a participação da Televisão Espanhola, da catalã TV3 e da TV Brasil.
Casaldáliga pondera que pediu que, no filme, ficasse claro que o trabalho realizado no local era feito por toda uma comunidade, mas que ele acabava aparecendo por ser o bispo.














Clarissa 16/05/2014
PARABÉNS, RD NEWS, pela excelente reportagem. A matéria demonstra a importância de termos cidadão com este nível de cidadania como exemplo a ser seguido por aqueles que tem um ideal de um mundo melhor para todos.
1 comentários