Os festejos carnavalescos se findaram, momento que tudo em tese volta ao estado de normalidade. A folia, a fartura, a camaradagem, a animação, a fantasia, o samba, o desfile e o tributo reverenciando pessoas que de uma forma ou de outra contribuiu para a melhora do nosso meio, num passe de mágica cede lugar as cinzas representadas pela dor, sofrimento, fome, violência, a discriminação, o egoísmo e a maldade.
Já na alvorada da quarta-feira entoam os pássaros um canto diferente, anunciando drásticas modificações no então mundo encantado. O que parece é que não somos mais o mesmo povo, a mesma gente extrovertida, sadia, sorridente, atenciosa, companheira, com ferrenha energia e disposição para irmanados auxiliar na produção e construir os melhores feitos em benefício, não só próprio mas de todos.
Não digo isso em momento algum ironizando, mas na verdade espantando por não compreender como pode uma parte minoritária de pessoas sem nenhuma explicação plausível mudar repentinamente o comportamento e despido de pudor, causar malefícios de toda ordem, tal qual ocorreu principalmente em São Paulo, envolvendo verdadeiras gangues importadas do futebol. No carnaval: mocinho. Na vida real: bandido. Na folia, supera Bismark na unificação das pessoas. Na vida real, verdadeiro carrasco da destruição de bens, objeto e do próprio ente humano. Nas noites festivas, verdadeiro príncipe no extremo cuidado com a donzelaria. No clarear do dia, um inescrupuloso que se recusa a atender uma mulher grávida que dá a luz a uma criança ao relento sujeitando às intempéries.
Dito isso, nos resta perquirir qual a nossa verdadeira identidade e o que nos interessa como integrante de uma sociedade organizada cada vez mais globalizada defensora inconteste da paz e da justiça social, valores inconciliáveis com a prática da violência perpetrada - em todos os sentidos -, que deve ser combatida tal qual o povo brasileiro pugnou pela queda da ditadura militar, devolvendo-nos a liberdade por muito tempo suprimida por botas sujas de sangues inocentes.
As recentes decisões do Supremo Tribunal Federal, atendendo os reclames da maioria esmagadora da população brasileira, nos casos envolvendo interesses corporativos dos magistrados e dos políticos denominados “fichas sujas”, é uma mostra clara e objetiva da nossa sociedade organizada indicando qual o rumo e o Brasil que interessa aos brasileiros e qual a identidade que queremos personificar, nada tendo a ver com a recaída pós-carnaval motivo de censura, lembrando aos incrédulos que, em 2012, a nossa mais alta corte da Justiça começou a funcionar bem antes do carnaval e se todos mantiverem firmes e vigilantes na defesa dos princípios pró-sociedade, mudanças substantivas ocorrerão em favor de toda comunidade, retornando ao mundo real que se almeja e se busca incessantemente através de laços humanos inquebrantáveis.
José Patrocínio de Brito Júnior é advogado, professor universitário e escreve exclusivamente para este blog às quintas-feiras - jpbj.adv@uol.com.br
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Aldo R. C. Silveira 23/02/2012
O texto apropriado e extremamente atualizado para o momento requerendo dos bens intencionados eterna vigilância contra os encastelados de plantão.
Cezário Aschar 23/02/2012
Texto brilhante que nos serve de reflexão! É preciso ser/continuar vigilantes porque a vitória de uma Lei, no caso, a da Ficha Limpa, não significa batalha vencida. Que os prazeres da carne da festa de Momo, sirva de arma do prazer desta vigiliância/cobrança de direitos coletivos como um farol sempre aceso mirando seus focos. Os homens públicos sempre mal-intencionados, sujos mesmos porque assim "amam" levar a vida, na maioria das vezes conseguem sempre burlar o Estado Democrático de Direito.
2 comentários