Eu não achei que fosse possível quando recebi a ligação de um velho amigo. Ele havia me contatado para que um grupo de atletas tentasse dropar as quedinhas do rio, na área da nossa empresa, com um shape de skate adaptado sob os pés. Em princípio fiquei pensando que skate não combina com água e muito menos com cachoeira. É, o tempo passa e os esportes da natureza estão sempre se reinventando.
Então, ontem estacionou na Tribo do Remo uma van toda adesivada em preto e dela desceu uma galera muito interessante. São os integrantes de uma expedição que está em busca de lugares poucos explorados pela grande mídia para divulgar um novo esporte: o wakeskate. Uma mistura de skate com o wakeboard, em que a diferença está exatamente no fato de que o shape não fica preso aos pés. O atleta é puxado por uma corda presa a um motor no caso de um ambiente menor como o leito de um rio ou até mesmo uma piscina. Mas também pode ser praticado por meio de lanchas, jet skis e brinquedos mais potentes.
Depois de algumas tentativas, os atletas começaram a acertar manobras na quedinha e pude ver como realmente um conceito pode ser aplicado a várias plataformas diferentes, basta tecnologia e muita criatividade. Desta forma fui apresentada a mais um esporte diferente, inusitado e totalmente ligado a natureza. Além da expedição, os organizadores do evento criaram um campeonato para a modalidade, fato inédito no país, que será realizado entre os dias 24 e 25 deste mês. O cenário será o Lago do Manso, local propício para a prática de esportes ligados a água. A beleza dos morros e paredões de arenito serão a moldura perfeita para que manobras conhecidas do skate possam ser executadas com perfeição na água.
Como eu disse no começo do texto, os esportes da natureza estão sempre se reinventando. Mas existem práticas esportivas que ainda não tem nome, são atividades realizadas de maneira amadora que começam a tomar forma e ganhar novos adeptos até que se tornam mais conhecidas. Antigamente as atividades eram muito limitadas e reduzidas ao período em que a educação física era obrigatória. Homens jogavam futebol e as mulheres vôlei. Atualmente existe uma liberdade muito grande para que se desenvolva novas atividades até mesmo com foco na criação de novos nichos de mercado. As marcas esportivas apóiam essas iniciativas e por isso projeto como esta expedição são possíveis hoje em dia. Aprendi muito ontem com a garotada lá na Tribo. Barreiras e paradigmas são quebrados todos os dias. Para quem quer saber mais segue o site do projeto: www.skatenaagua.com.
Maria Rita Ferreira Uemura é jornalista, empresária, diretora da empresa de turismo de aventura Tribo do Remo e escreve exclusivamente para este blog toda quinta-feira (www.tribodoremo.com.br). e-mail: ferreirauemura@gmail.com
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