O empregado deverá ser o mais prejudicado com o possível fim da escala 6x1, avalia o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel-MT), Daniel Teixeira. O Projeto de Emenda à Constituição que avança no Congresso propõe a redução da jornada de trabalho de 44 horas semanais para 36 horas semanais, sem redução salarial.
Montagem/Reprodução
Presidente da Abrasel-MT, Daniel Teiceira (no detalhe), crê em impacto grande sobre os empregados caso o fim da escala 6x1 seja adotada no país
Em entrevista ao
, Teixeira argumenta que, caso a proposta avance, o impacto pode ser grande nos trabalhadores do setor de bares e restaurantes, que recebem, principalmente, em cima de comissões. “O trabalhador vai perder um dia de trabalho. O bar/restaurante é diferente de uma loja, por exemplo. Não tem como um garçom cumprir a meta se não tiver cliente, se não tiver mesa disponível. Tem um limite. Se ele não bater, vai impactar no salário dele”, explica.
“A questão é matemática. Se o garçom trabalha cinco dias, ele vai ter chance de atender um número xis de mesas. Se trabalha seis, ele pode atender mais. É diferente de um lugar em que ele possa ser mais esforçado. A comida é mais previsível. Se ele trabalhar um dia a menos é um almoço a menos, um jantar a menos que ele poderia cumprir a meta. Não tem como fazer milagres nos outros dias”, completa.
Para o presidente da Abrasel, a mudança também vai representar um aumento real no salário, o que pode elevar custos. “Eu não sou contra [a proposta]. Mas as pessoas têm que entender que a gente tem efeitos reflexos”, salienta.
“Não tem como [o Governo] falar de um dia pro outro: 'Olha, vou aumentar o salário de todo mundo em 30%'. Esse custo vai ter que ser repassado para o preço, porque o custo vai ter elevado. E também vai ter que contratar mais gente, e isso fica complicado, principalmente num momento em que Mato Grosso, especificamente, tem uma carência na mão de obra”, explica.
“Eu acho que é um avanço civilizatório, os dois dias de folga. Mas as empresas não podem quebrar por isso e o funcionário não pode ser prejudicado”
Daniel Teixeira, presidente da Abrasel-MTDaniel Teixeira é dono de um restaurante em Cuiabá e diz que tem que fechar o estabelecimento por dois dias na semana. Além da falta de mão de obra, ele também atribui a medida ao fato de que as pessoas estão bebendo e comendo menos. “Uma tempestade perfeita”, diz.
“O 'happy hour' em Cuiabá acabou. Hoje, o pessoal não sai mais às 18h. Sai só às 19h, às 19h30. Além de ter a diminuição do consumo de bebida, há uma questão das canetas emagrecedoras, que diminuiu o consumo de alimentos em 20%. Tanto que, no meu restaurante, eu tenho um 'cardápio Mounjaro', com porções menores e valores menores”, explica.
Uma pesquisa da Ipsos-Ipec, realizada a pedido do Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (CISA), afirma que 64% dos adultos brasileiros afirmaram não beber em 2025, um avanço expressivo em relação aos 55% registrados em 2023. Já uma pesquisa da Bloomberg em parceria com a empresa Morgan Stanley mostra o Brasil como ocupante do segundo lugar em um ranking mundial de buscas pelos termos Mounjaro e Ozempic. Ou seja, os clientes estão comendo menos.
“Podem falar que agora eu gasto com menos insumos, mas estou gastando o mesmo valor de energia elétrica, de pagamento de funcionários. É um fenômeno mundial hoje. Não é uma simples dieta, não. Realmente é uma revolução. E tudo isso tem que ser levado em conta nesse debate do fim da escala 6x1”, acrescenta.
Na avaliação do presidente da Abrasel, o debate tem que ser feito com todas as variáveis sendo colocadas na mesa. Ele também cita a reforma tributária, aprovada em dezembro de 2025 e que vai ter os impactos sentidos em 2027. “A reforma tributária é uma caixa preta, ninguém sabe hoje como vai ser”.
“Eu acho que é um avanço civilizatório, os dois dias de folga. Mas as empresas não podem quebrar por isso e o funcionário não pode ser prejudicado”, completa.
Projeto caminha na Câmara
No início do mês, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), deu o primeiro passo formal para o avanço da matéria ao encaminhar outra Proposta de Emenda à Constituição (PEC) à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ). O encaminhamento engloba diferentes propostas em tramitação sobre o tema, entre elas da deputada Erika Hilton (PSOL-SP) e do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG).
A PEC nº 8/2025, de autoria de Erika Hilton, altera a Constituição para reduzir o limite semanal de 44 para 36 horas e prevê a adoção de uma jornada de quatro dias por semana. No entanto, o parecer apresentado pelo relator da matéria, deputado Luiz Gastão (PSD-CE), propõe uma jornada máxima de 40 horas semanais.
Já a PEC nº 221/2019, de Reginaldo Lopes, está parada na CCJ da Câmara. A proposta também reduz a carga horária semanal para 36 horas, mas estabelece um prazo mais longo para a implementação: as novas regras entrariam em vigor dez anos após a publicação da emenda constitucional.
Nas redes sociais, o presidente da Câmara afirmou que o debate será conduzido de forma ampla, com a escuta de diversos setores da sociedade. "Vamos ouvir todos os setores com equilíbrio e responsabilidade para entregar a melhor lei para os brasileiros", escreveu.
O Palácio do Planalto acompanha de perto a discussão. O fim da escala 6x1 é uma das principais bandeiras do presidente Lula para as eleições de 2026 e foi incluído entre as prioridades do governo no início do ano legislativo.
As discussões devem começar já em março. Após passar pela comissão especial, a PEC ainda precisa ser aprovada em dois turnos no plenário da Câmara, com o apoio mínimo de três quintos dos deputados (308). Se avançar, segue para o Senado, onde repete o mesmo rito: CCJ, plenário em dois turnos e, por fim, promulgação em forma de emenda constitucional em sessão do Congresso Nacional.
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Dani 08/03/2026
Vejo nos comentários um bando de puxa saco de patrão empresário queremos viver também tem que acabar 6.1
João 08/03/2026
Votem na direita moçada , ele vao te escravizar .
Ze da juquira 07/03/2026
M e n t i r a
Ze da juquira 06/03/2026
Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário
Manoel Vasque 06/03/2026
Na Argentina para 12:00 e os únicos que reclamaram foram só Sindicalista que aliás não agregam nada. Aqui se virar para 06:00hs e quebradeira na certa e um volume de desemprego enorme.
Edilson Lira 05/03/2026
Não é isso que os trabalhadores em geral pensam, existem categorias que não querem pagar pelas horas extras. Isso sim que é prejuízo para quem trabalha de carteira assinada.
Carlos Roberto Rodrigues 05/03/2026
Desde q me conheço, sempre funcionou assim, o governo com intuito de fazer uma política mentirosa. Os empresários precisam de funcionários, os funcionários precisam de trabalhar, as empresas não vão aguentar, vão demitir será mais gente no ASSISTENCIALISMO, mais gente no lombo de quem trabalha, mais gente comendo nas mãos do governo.
Wellington 05/03/2026
Engraçado que pra eles deputados parlamentares eles não tem burocracia em aumento de salário acima da inflação,eles não tem burocracia para diminuir a escala de trabalho ondi eles trabalham 3 dias e folgam 4 ,pra eles tudo é mais fácil ,o povo brasileiro tinha que fazer igualzinho oque fizeram no Nepal fazer um protesto revolucionário e pegar esses ladrões safados e corruptos
Delcio Siqueira 04/03/2026
Mentira esses empresários não trabalham. Ficam passeando explorando o trabalhadores.
João 04/03/2026
Kkkk o Gilson sabe fazer contas kkkk
Gilson Luiz Rodrigues Souza 04/03/2026
PARA A JUMENTADA DE PLANTÃO. UMA UNIDADE DE SUPERMERCADO PRECISA DE 1000 PESSOAS PARA FUNCIONAR NA SEMANA. REDUZINDO A CARGA HORARIA, IRA MANTER OS MESMOS 1000? VAI DEMITIR 150 APROXIMADAMENTE. DIMINUINDO RENDA, DIMINUI CONSUMO, DIMINUIRÁ PRODUÇÃO NA INDUSTRIA, MAIS DESEMPREGO. CICLO VICIOSO. SIMPLES ASSIM.
Negrisoli 03/03/2026
Na realidade vc está defendendo seu ponto de vista enquanto os colaboradores os deles , a saúde deles, o lazer deles, não faz sentido viver pra trabalhar. E sim trabalhar pra viver.
Rogerio 03/03/2026
Como escreveu o Harari: tudo é narrativa. Então os poderosos estão tentando vender essa narrativa para a população. E a mídia que é elitista está do lado dos poderosos. É só balela e conversa fiada.
Marcio 03/03/2026
Pra mim que sou mei preciso trabalhar 7 dias por semana para pagar as contas..já larguei o CLT porque não ganhava suficiente, não adianta também ficar de folga e não ter um centavo no bolso..
Neusa de oliveira 03/03/2026
Acho mesmo que 5x2 e uma taoeaxao publicitaria de campanha, no passado nao deu certo, e o empregado não vai descansar 2 dias consecutivos no que piora o humor e o trabalho.
Paulo 02/03/2026
Mentira seus lambe botas ,vc defende os empresarios , vai ser muito bom para os trabalhadores isso sim .
cuiabano 01/03/2026
Para o empresário brasileiro, só vai estar bom quando estivermos igual a Argentina, onde o Milei elevou a carga horária do trabalhador para 12h diárias.
Manoel Alves 01/03/2026
Descansar, um pouco de lazer vai prejudicar o trabalhador que sustenta indivíduos como João Amoedo por exemplo, nunca trabalhou e vive de especulação e taxa selic de 15 por cento ao mês.
Leandro Canani de Almeida 01/03/2026
Então se é verdade porque bocas estão tão oreocupados ?
Lazaro 01/03/2026
Só um pergunta: esses empresários que esse representa paga certinho os direitos trabalhistas? Eles assinam a carteira de todos os funcionários? Eles repassam aos trabalhadores todos os faturamentos dos dez por cento que os clientes pagam? Vai vendo....
Roni 01/03/2026
Se os patrões estão dizendo isso, é porque o projeto está certo. Nenhum patrão quer um projeto que mexe com as suas comodidades.
Delcio Siqueira 01/03/2026
Mentira desse empresário escravagista. Disseram que com o décimo terceiro salário ia ter quebradeira. Nada quebrou. Ladraram que adicional férias iria ter quebradeira. Nada quebrou. Conversa de empresários que não trabalham apenas exploram. E aquele puxa saco do bozo Medeiros que trabalha 2 dias por semana tem a audácia de ladrar a mesma coisa.
22 comentários