Dias de tristeza e noites em claro. Assim são os primeiros dias dos pais de Lucas Veloso Peres, de 27 anos, após a morte do jovem durante um treinamento do Corpo de Bombeiros Militar (CBMMT), na Lagoa Trevisan, em Cuiabá. Ainda em angústia com a perda, Cleuvimar Veloso acredita que o filho Lucas possa ter sido assassinado.
As primeira informações são de que Lucas teria sofrido um mal súbito durante o treinamento. Laudo preliminar revela que ele morreu por afogamento. Ao
, Cleuvimar declarou que não acredita que ofilho tenha morrido após passar mal. “Na verdade, ele foi assassinado. Ele foi assassinado dentro da água”, afirma. Ainda segundo ele, há relatos de que “ele tinha uns machucados na cabeça. Tinha uns arranhados na cabeça”, acrescenta. As circunstâncias da morte são investigadas em inquérito militar aberto pelo Corpo de Bombeiros.
Cleuvimar afirma ser difícil acreditar que o filho tenha passado mal porque o rapaz praticava esportes e, se tivesse algum problema de saúde, nem seria aceito na corporação. “Ele era sadio. Era um menino que não bebia. Não fazia uso de drogas, nada de vício. Era rapeleiro. Era acostumado em piscina olímpica. Era ciclista”, salienta.
Ao
, o pai do jovem disse que ficou frustrado ao saber que o filho morreu durante um treinamento dos bombeiros. “Não tem sentido a entidade Corpo de Bombeiros, que é para salvar a vida, e meu menino perder a vida junto com irmãos de farda. Jamais pode acontecer isso. Pode acontecer isso em todo lugar, mas jamais no Corpo de Bombeiros. Jamais”, dispara Cleuvimar.
“Não é isso que o Corpo de Bombeiro faz. É salvar vidas. Meu menino jamais poderia ter perdido a vida dele em uma instrução que é onde ele estava aprendendo a salvar vidas. É o que me deixa mais frustrado”, completa.
Arquivo Pessoal
Lucas ao lado do irmão Thiago Veloso, que destaca o fato do irmão ser um atleta. Thiago diz que irmão sabia nadar e não "se afogaria sozinho"
Thiago Veloso, irmão de Lucas, também reforçou que Lucas era um ótimo nadador. “Isso (acidente) não aconteceria não. Ele sabia nadar, não tinha como se afogar (sozinho)”, acrescenta.
Pai cobra punição
Quando veio buscar o corpo do filho na terça-feira (27), Cleuvimar conversou com o Comandante do Corpo de Bombeiros Alessandro Borges e pediu uma punição justa aos possíveis culpados. “Eu não quero julgar ninguém, mas a gente está em cima, não pode deixar isso impune”.
“O comandante me atendeu, gente boa demais da conta. Me deu todo o suporte logístico que eu precisei, que eu tive para buscar o corpo dele (Lucas). Falei para ele (Alessandro) que não quero que seja punição máxima ou mínima, eu quero que seja na medida. Não quero prejudicar ninguém. Uma punição justa. Militares têm esse corporativismo, de um ficar ajudando o outro. Falei para ele que não quero isso. Eu quero que seja justo. Justo e perfeito”, salienta.
O pai disse ainda que sua luta é para que outros não sofram sua dor. “Eu quero para que o próximo pai não sofra igual eu estou sofrendo. Só isso que eu quero. Eu quero evitar um sofrimento igual nós tivemos aqui. A gente não está dormindo. Acorda assustado. São noites em claro. Não é fácil”, desabafa.
“Eu não posso deixar a memória do meu filho ficar desse jeito. Porque eu não quero nada. Eu queria era a vida dele e eu não vou conseguir de volta. Isso nós, seres humanos, não temos essa capacidade. Então, isso eu não vou ter”, acrescenta.
Casamento marcado
Lucas estava com casamento marcado para julho, após a formatura no Corpo de Bombeiros, revelou o pai. "Lucas estava em Cuiabá há 9 meses e ela (noiva) queria ir morar junto com ele. Ele não quis e disse que só iria se casar assim que se formasse. A responsabilidade dele era tanta que ele não quis nem casar antes da formatura”, conta Cleuvimar.
O pai revelou ainda que o sonho da vida de Lucas sempre foi ser bombeiro. “Ele já tinha esse sonho desde criança de ser bombeiro. Queria porque queria, nem que fosse para ser motorista. Ele deixou tudo que ele tinha para trás. Ele falou que não estava importando com a parte financeira. Ele queria realizar o sonho dele que era ser bombeiro”, desabafa.
A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) afirmou que a investigação do caso já estava em andamento, bem como abriu um procedimento administrativo para apuração das circunstâncias. Como em Mato Grosso os alunos já são considerados militares, o próprio Corpo de Bombeiros conduzirá a investigação através de um inquérito militar. O Ministério Público acompanha o caso.
Outro caso
Lucas não é o primeiro aluno a morrer durante um treinamento dos Bombeiros. Em 2016, o aluno Rodrigo Claro morreu durante atividades aquáticas, também na Lagoa Trevisan. A responsável pelo treinamento, a tenente Izadora Ledur, foi acusada de maus-tratos contra Rodrigo.
Posteriormente, o Conselho Especial de Justiça Militar condenou a tenente a um ano de prisão em regime aberto. Em 2022, o juiz João Bosco Soares da Silva, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, anunciou a prescrição da pena e arquivou processo.
No ano passado, o governador Mauro Mendes extinguiu a punibilidade da tenente. O Juizado Especial de Fazenda Pública de Cuiabá determinou, também no ano passado, a promoção da tenente Izadora Ledur ao cargo de Capitã do Corpo de Bombeiros, com pagamento dos salários retroativos ao ano de 2016.
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Spock 29/02/2024
A pergunta que que fica é:Quantos pais ainda terão que chorar a morte de seus filhos no momento em que esses estavam sob a tutela do Estado?
Salas 29/02/2024
A Ledur estava lá? Ou apenas fez escola? Abram os olhos, estas situações em caso de comprovação da culpabilidade, não podem ficarem impunes....tinha me esquecido, a segurança pública é de responsabiliade do governo.
Noe Monteiro de Barros 29/02/2024
Conseguiram matar mais um! que que é isso?
Pai solidário. 29/02/2024
Entregou o filho vivo e sorrindo ao corpo de bombeiros do estado de Mato Grosso.Recebeu de volta o filho em um caixão sob alegação de que ele não suportou os treinamentos.Realmente é difícil aceitar e conviver com isso.Qual é o limite físico de um indivíduo?Quem determina a hora de parar?
4 comentários