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Fellipe Valle Terça-feira, 31 de Maio de 2022, 07:13 - A | A

Terça-feira, 31 de Maio de 2022, 07h:13 - A | A

Fellipe Valle

Bicicleta, uma paixão nacional!

Fellipe Valle

Rodinei Crescêncio/Rdnews

Colunista Fellipe Valle

No final desta semana, mais precisamente no 3 de junho, comemoramos o dia mundial da bicicleta. Ele foi instituído em 2018 para incentivar o uso desse meio de transporte. Mas precisamos adotar algumas medidas para reduzirmos o risco de lesões e acidentes.

No mundo todo, países têm investido no uso das bikes para melhoria da mobilidade urbana e redução da emissão de gases poluentes. Fortaleza é um exemplo positivo no Brasil, com 386 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas.

Criada para ser um meio de transporte eficiente e econômico, a bicicleta foi passando por transformações e hoje ocupa lugar de destaque, também se destinando à recreação, exercício e esporte. Estudos apontam que parte desses ciclistas sofrem de alguma lesão, sendo 48% no joelho, 42% no pescoço, 36 % na virilha e nádegas, 31% nas mãos e 30 % nas costas.

Assim como qualquer outro esporte, os excessos, o treino irregular ou a falta de equipamentos de proteção individual adequados são os maiores responsáveis pelas lesões.

As que mais preocupam e que são potencialmente graves são aquelas sofridas pós-queda. Podendo ser desde um pequeno arranhão até um traumatismo cranioencefálico. Usar capacete pode reduzir o risco de lesões na cabeça em 85%. E é importante que tenham o tamanho adequado e que sejam aprovados pelo INMETRO. Aqueles que usam a tecnologia MIPS conferem maior segurança que os usuais. Outras medidas importantes incluem a utilização dos outros equipamentos de segurança (refletores, faróis, retrovisor etc.), andar na velocidade compatível com o local, manter os pneus na calibragem ideal para o piso e seguir as leis de trânsito.

O joelho é o local mais comum para lesões por uso excessivo em ciclismo. Síndrome femoropatelar (joelho do ciclista), tendinite patelar, síndrome da plica medial e síndrome de fricção da banda iliotibial são algumas das lesões mais comuns. As posições dos grampos da pedaleira, a correção da posição do pé, o ajuste do selim deixando mais alto, podem ajudar a evitar algumas lesões. Fortalecimento específico dos músculos do joelho e correção da postura são fundamentais.

“Para reduzir os riscos dessas e de outras lesões, é sempre importante realizar alongamentos antes, durante epós-pedal e manter a musculatura preparada, intercalando treinos de fortalecimento”

Fellipe Valle

Ciclistas frequentemente experimentam dor no pescoço quando eles ficam em uma posição de equitação por muito tempo. Uma maneira fácil de evitar essa dor é fazendo alongamentos nos ombros e pescoço. Postura imprópria também leva a lesões. Se o guidão estiver muito baixo ou o selim muito alto, a dor vai aparecer com maior frequência.

Já nos membros superiores, as lesões frequentes são tendinite, epicondilite e a síndrome do túnel do carpo, que podem ser evitadas alternando a pressão do interior para fora das palmas e certificando-se de que os pulsos não caem abaixo do guidão. Além disso, luvas acolchoadas e esticar/alongar as mãos e pulsos com frequência ajudará. Os ciclistas devem andar com os cotovelos ligeiramente dobrados (nunca com os braços trancados ou retos). Quando atingem solavancos e buracos na estrada, cotovelos curvados atuarão como amortecedores.

Para reduzir os riscos dessas e de outras lesões, é sempre importante realizar alongamentos antes, durante epós-pedal e manter a musculatura preparada, intercalando treinos de fortalecimento. Outra medida muito importante é se atentar com a ergonomia da bicicleta, e para auxiliar nessa tarefa, uma importante ferramenta é o bike fit. Como explica o profissional Carlos (Padhêro Bike Fit), especializado na área:

“Bike fit Dinâmico 3d é uma técnica de análise biomecânica que lança mão da: anatomia humana, cinesiologia, cineantropometria, antropometria e disfunções do movimento.

Através de uma anamnese para sabermos se o ciclista tem ou teve lesões, quais suas queixas relacionadas ao pedalar e quais seus objetivos. Depois aplica-se uma avaliação física funcional que norteará toda a análise (bike fit), dessa forma, através de software de análise de movimento em real time 3d, quantificamos os ângulos articulares em movimento específico (ciclista pedalando) num rolo smart. Assim, podemos tomar decisões de qual tipo de selim, altura, inclinação e recuo do mesmo. Também podemos alterar a altura e distância da frente.
            Com isso, podemos sugerir trocas ou não de componentes de contato (cock Pit), tudo para trazer o máximo de conforto sem afetar a performance e segurança.

Com o bike fit, o ciclista consegue extinguir ou minimizar dores e incômodos como: parestesia das mãos e pés, dores lombares, tensões das costas, ombros e incômodos cervicais.  Além evitar e até sanar incômodos ao sentar no selim e doenças relacionadas a ele como: prostatite, assaduras, fissuras no períneo, dor, redução de irrigação da região íntima, etc. “

Fellipe Valle é médico ortopedista e traumatologista, com especialização em cirurgia de ombro e cotovelo, cirurgia do joelho, especializando em medicina da dor e ortopedia regenerativa, além de idealizador do programa Descomplicando a Ortopedia. Ele é membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia - MT, da American Academy of Orthopaedic Surgeons e da AO Trauma Latin America. É sócio fundador da associação brasileira de ultrassonografia músculo esquelética, professor de medicina na Univag e da residência de ortopedia Unic-Hgu. Escreve com exclusividade para esta coluna às terças. E-mail: fellipevalle@hotmail.com. Instagram: @dr.fellipe.

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