A pubalgia é uma síndrome dolorosa que afeta a região do púbis e as áreas adjacentes. É frequentemente encontrada em atletas, particularmente aqueles envolvidos em esportes que requerem movimentos repetitivos e intensos, como futebol, rugby, hóquei, ginástica e tênis. Essa condição é resultante de uma combinação de fatores, incluindo sobrecarga mecânica, desequilíbrios musculares e microtraumas repetitivos.
A anatomia complexa da região púbica, que inclui músculos, tendões, ligamentos e articulações, torna a pubalgia uma condição multifatorial e desafiadora do ponto de vista diagnóstico e terapêutico.
A etiologia da pubalgia pode ser dividida em três categorias principais: causas musculoesqueléticas, articulares e tendíneas. Entre as causas musculoesqueléticas, destaque para a disfunção dos músculos adutores, iliopsoas e reto abdominal. Essas estruturas são frequentemente envolvidas devido à sua função de estabilização pélvica e à sua participação em movimentos repetitivos de alta intensidade. As causas articulares incluem disfunções da sínfise púbica e das articulações sacroilíacas, que podem ser relacionadas a traumas diretos, displasia ou doenças degenerativas. As causas tendíneas referem-se principalmente à tendinopatia dos músculos adutores e do ligamento inguinal, que podem resultar de microtraumas crônicos.
“A pubalgia representa um desafio significativo para atletas e profissionais de saúde devido à sua etiologia multifatorial e às dificuldades diagnósticas e terapêuticas”
Fellipe ValleO diagnóstico da pubalgia é baseado em uma combinação de história clínica detalhada, exame físico e exames de imagem. A história clínica deve incluir perguntas sobre a natureza, localização e duração da dor, bem como fatores que agravam ou aliviam os sintomas. O exame físico deve avaliar a sensibilidade localizada, a força e a flexibilidade dos músculos envolvidos, bem como a estabilidade das articulações pélvicas. As imagens de diagnóstico, como ressonância magnética e ultrassonografia, são ferramentas valiosas para confirmar o diagnóstico e excluir outras patologias que possam mimetizar os sintomas da pubalgia.
O tratamento da pubalgia geralmente começa com abordagens conservadoras, incluindo repouso, modificação das atividades, fisioterapia e uso de medicamentos anti-inflamatórios não esteroides (AINEs). A fisioterapia deve ser focada em alongamento e fortalecimento dos músculos da região pélvica, correção de desequilíbrios musculares e melhora da biomecânica dos movimentos. Técnicas de terapia manual, como massagem e manipulação articular, também têm sido utilizadas para aliviar a dor e melhorar a função. Em casos refratários, a injeção de corticosteroides ou outras terapias regionais pode ser considerada.
Nos casos em que o tratamento conservador não é eficaz, a intervenção cirúrgica pode ser necessária. As opções cirúrgicas variam de acordo com a estrutura envolvida e podem incluir tenotomias, reparo de tendões, descompressão de nervos e estabilização articular. A escolha do procedimento cirúrgico deve ser baseada em uma avaliação detalhada das estruturas afetadas e na falha do tratamento conservador prolongado. A reabilitação pós-cirúrgica é crucial para a recuperação funcional e para prevenir a recorrência da pubalgia.
A prevenção da pubalgia envolve uma abordagem multifacetada, que inclui a educação dos atletas e treinadores sobre os riscos associados à prática esportiva, a importância do aquecimento e do fortalecimento muscular, e a implementação de programas de treinamento que visem a evitar sobrecargas musculares. A avaliação pré-participação e o monitoramento contínuo dos atletas podem identificar fatores de risco e permitir intervenções precoces.
A pubalgia representa um desafio significativo para atletas e profissionais de saúde devido à sua etiologia multifatorial e às dificuldades diagnósticas e terapêuticas. Embora as abordagens conservadoras sejam o pilar do tratamento inicial, a evolução para intervenções mais invasivas pode ser necessária em casos refratários. A compreensão profunda da anatomia e biomecânica da região pélvica, aliada a uma abordagem interdisciplinar, é fundamental para o manejo eficaz da pubalgia e para a promoção da recuperação funcional dos pacientes.
Fellipe Ferreira Valle é formado em medicina pela Universidade de Medicina de Teresópolis -RJ, realizando posteriormente residência médica em ortopedia na Santa Casa de Belo Horizonte onde também realizou especialização em cirurgia do joelho e cirurgia do ombro e cotovelo. É também membro fundador da Sociedade Brasileira de Regeneração Tecidual e Socio efetivo da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia. Professor de medicina na UNIVAG e preceptor da residência de ortopedia da UNIC. Instagram :@dr.fellipe







