Trata-se da distensão de um músculo da panturrilha (batata da perna). São frequentes e ocorrem em atletas competitivos e recreativos, bem como em trabalhadores ativos. O público mais acometido são os atletas mal condicionados do sexo masculino na quarta à sexta década de vida. Lesões na panturrilha normalmente ocorrem durante movimentos repentinos envolvendo a extremidade inferior, como corrida ou salto, em esportes ou atividades onde esses movimentos são comuns, como tênis, futebol, basquete, futebol americano, corrida para cima de colinas e alguns tipos de treinamento militar.
“Pacientes com a distensão tipicamente descrevem a sensação de uma pedrada ou estalo acompanhado de dor aguda na região posterior proximal da panturrilha que se desenvolveu enquanto corriam ou saltavam”
Fellipe ValleAproximadamente 20 por cento dos pacientes relatam sintomas como dor ou rigidez no músculo da panturrilha antes da lesão.
Pacientes com a distensão tipicamente descrevem a sensação de uma pedrada ou estalo acompanhado de dor aguda na região posterior proximal da panturrilha que se desenvolveu enquanto corriam ou saltavam. Os pacientes têm dificuldade de suportar o peso e preferem caminhar na ponta dos pés sem movimentar o tornozelo para minimizar o desconforto. Pode haver dores intermitentes, o que é pior com tentativas de suporte de peso.
O principal diagnóstico diferencial é a ruptura do tendão de Aquiles. Os sintomas são semelhantes, inclusive a sensação de pedrada, porém o local da dor é próximo ao calcanhar e o quadro é bem mais grave, pois geralmente é necessário tratamento cirúrgico.
Diante de qualquer um dos quadros, o importante é fazer uma avaliação médica o mais breve possível. Após a análise inicial, será solicitado ultrassonografia ou ressonância magnética para avaliar o grau da lesão e o local exato da mesma.
Lesões grau 1 são aquelas onde poucas fibras se romperam. O repouso, uso de antinflamatórios e gelo resolvem a maioria dos casos.
Lesões grau 2 são aquelas onde um número maior de fibras musculares é lesado. Nesse caso, o período de repouso é maior, a medicação deverá ser utilizada por um período mais prolongado e outras terapias podem ser utilizadas, como fisioterapia e técnicas de medicina regenerativa. Tratam-se de procedimentos guiados por ultrassom onde podem ser utilizadas medicações especiais, agulhamento a seco, corrente galvânica com o EPI, entre outros.
Já as lesões grau 3 são aquelas onde grande parte da musculatura é acometida. Nesse caso podem ser também empregadas técnicas de medicina regenerativa, que geralmente encurtam o tempo de cicatrização e reduzem as fibroses, ou tratamento cirúrgico.
A grande maioria das lesões nos músculos da panturrilha cicatriza sem intercorrências. O tempo de cicatrização das lesões dos músculos posteriores da panturrilha que não requerem cirurgia varia de 3 a 16 semanas.
Os pacientes demoram mais para se recuperar se apresentarem rupturas completas, lesão muscular mais extensa, grandes hematomas ou idade avançada. O retorno à atividade plena deve ser determinado com base em uma avaliação funcional e não no tempo.
Para prevenir essas lesões, capriche bem no alongamento e aquecimento antes das atividades físicas e evite os excessos.
Fellipe Valle é médico ortopedista e traumatologista, com especialização em cirurgia de ombro e cotovelo, cirurgia do joelho, especializando em medicina da dor e ortopedia regenerativa, além de idealizador do programa Descomplicando a Ortopedia. Ele é membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia - MT, da American Academy of Orthopaedic Surgeons e da AO Trauma Latin America. É sócio fundador da associação brasileira de ultrassonografia músculo esquelética, professor de medicina na Univag e da residência de ortopedia Unic-Hgu. Escreve com exclusividade para esta coluna às terças. E-mail: fellipevalle@hotmail.com. Instagram: @dr.fellipe.







