Previsão do tempo ??°C Cidade

Mariana Bonjour Sexta-feira, 16 de Maio de 2025, 08:25 - A | A

Sexta-feira, 16 de Maio de 2025, 08h:25 - A | A

Mariana Bonjour

Influência não é autoridade

A lição que a política (e os influenciadores) precisam aprender

Mariana Bonjour

Rodinei Crescêncio/Rdnews

Mariana Bonjour arte interna coluna vale esta

A ida da influenciadora Virgínia Fonseca à CPI das Pirâmides Financeiras no Senado causou furor nas redes, nas bancadas e na imprensa. Mas diferente da avalanche de elogios e “palminhas” digitais que ela costuma colher nas redes sociais, a participação da empresária revelou algo preocupante: a incapacidade de reconhecer e respeitar o peso simbólico de uma instituição pública.

Não se trata de desmerecer sua trajetória empreendedora ou sua enorme base de seguidores. Mas sim de lembrar que o espaço em que ela foi chamada a depor não é um estúdio, não é uma live, não é uma trend. É o Senado Federal da República.

A estética importa — e comunica

Em política, tudo comunica. A forma como uma autoridade se veste, se comporta e se expressa diante de instituições de Estado carrega mensagens simbólicas de respeito, hierarquia e compromisso público.

Ao comparecer à CPI com roupas que remetem à performance estética da internet e adotar uma linguagem simplificada ao extremo — quase infantilizada —, Virgínia não apenas destoa da liturgia do cargo dos senadores, como desrespeita o próprio espaço democrático onde estava inserida.

Tratar com banalidade uma oitiva parlamentar não é uma escolha de estilo. É um gesto político — e, nesse caso, um gesto de desrespeito.

A forma de falar também revela postura

Frases como “eu só faço publi”, “eu não entendo disso”, ou “não sabia que precisava saber” revelam mais do que despreparo: revelam desinteresse pela responsabilidade que acompanha a influência.

Virgínia não foi ali como uma jovem desinformada. Foi como sócia de uma empresa investigada por enganar financeiramente brasileiros — muitos deles, pobres e esperançosos. Mesmo assim, sua postura foi a de quem tratava a CPI como um incômodo passageiro entre uma publi e outra.

O Parlamento é um espaço público, não um palco privado

O Senado é uma instituição da República. Não exige bajulação, mas exige postura compatível com sua função.

A forma como autoridades e convidados se apresentam em um parlamento não precisa ser engessada, mas precisa carregar a consciência de que se está prestando contas à sociedade.

A presença de uma influenciadora não é o problema. O problema é a tentativa de esvaziar o valor do rito institucional, da seriedade da pauta e do papel do Senado diante da opinião pública.

Quando a estética do entretenimento invade o espaço do interesse público

O Brasil vive tempos em que os limites entre entretenimento, influência digital e comunicação pública estão se tornando cada vez mais tênues. Mas há um limite que não pode ser cruzado: o da desresponsabilização.

Influência não é imunidade. Seguidores não são blindagem. Aparência descontraída não é desculpa para despreparo.

Se uma influenciadora quer ser reconhecida como empresária séria, precisa agir com a seriedade que o momento exige — especialmente diante de instituições que representam o povo.

Conclusão: o Senado não é cenário para performance

A audiência pública é um instrumento da democracia. E a democracia exige responsabilidade. A postura de Virgínia na CPI revelou mais do que ignorância institucional: revelou a arrogância de quem acredita que o sucesso na internet permite desprezar a liturgia de cargos públicos.

Ser influencer é ter poder. Mas estar diante do Parlamento é ser convocada ao dever.

E nesse momento, o que se viu foi mais pose do que postura.

Mariana Bonjour é advogada e consultora política. Escreve com exclusividade para esta coluna às sextas-feiras

Comente esta notícia

Citizenship 16/05/2025

Concordo que o Senado merece respeito. Inclusive e principalmente dos senadores, que, infelizmente, não estão respeitando-o como instituição. Pelo tempo que prestei atenção à audiência, observei questionamento irrelevantes, insinuações sem valor jurídico, nenhum questionamento que pudesse vasculhar quaisquer condutas que ensejassem responsabilização jurídica da interrogada. Observei uma sessão vazia, com questionamentos inúteis e audiência enorme, aumentando a visibilidade da influenciadora e atestando a inutilidade da CPI, o que não deveria acontecer. Enquanto alguns preocupam-se com as vestimentas, há quem se preocupe com a eficácia jurídica das atividades, que é o que pauta minha avaliação. Uma CPI não tem outra finalidade. senão produzir efeitos jurídicos. A popularidade e o marketing não deveria figurar entre as suas motivações.

positivo
0
negativo
0

1 comentários

O portal e o blog não se responsabilizam pelos comentários aqui postados. Se você se sentir ofendido pelo conteúdo de algum comentário dirigido a sua pessoa, entre em contato conosco pelo e-mail contato@rdnews.com.br