A deputada federal Coronel Fernanda (PL-MT) acusou o Judiciário de interferir na eleição presidencial para favorecer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A crítica ocorre após decisões judiciais alterarem as condições do último debate antes do primeiro turno, cancelado pela TV Globo.
“Nunca na história do Brasil o Judiciário protegeu um candidato em uma eleição. É a primeira vez que eu vejo, depois de 1989, a interferência direta, a politização do Judiciário em favor de um candidato. Isso nunca aconteceu no Brasil”, afirmou.
Para a parlamentar, o episódio coloca em dúvida a distância que a Justiça deve manter da disputa eleitoral e expõe o que ela classifica como um “Judiciário politizado”.
“Isso mostra o risco que estamos tendo, não só com esse governo, mas também com as pessoas que hoje ocupam as cadeiras do Judiciário. Isso precisa mudar, e vai mudar com o voto de cada um”, declarou.
Fernanda defendeu a eleição de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência e afirmou que a saída do PT do Palácio do Planalto seria o primeiro passo para mudar a relação entre política e Judiciário.
“Precisamos eleger Flávio Bolsonaro no primeiro turno. O segundo passo é trazer um pouco de liberdade e democracia para este país, para que a gente possa descontaminar, despolitizar o Judiciário”, disse.
A deputada também citou as investigações sobre fraudes no INSS e o caso Banco Master para sustentar suas críticas. Segundo ela, os episódios evidenciam uma proximidade entre integrantes do governo, membros do Supremo Tribunal Federal (STF) e pessoas envolvidas em crimes.
“O Brasil chegou ao fundo do poço. A CPMI do INSS e o caso do Banco Master mostraram a libertinagem entre membros do STF, membros do atual governo, com bandidos. Os bandidos estão se aproveitando do Judiciário politizado”, afirmou.
Na avaliação de Fernanda, a mudança depende também da eleição de um Congresso disposto a analisar pedidos de impeachment contra ministros do STF nas hipóteses previstas em lei.
“Só existe uma maneira de a gente sair dessa situação: eleger um Congresso forte, exigir representantes que estejam prontos e preparados para o impeachment de pessoas corruptas que estão hoje no STF. Segundo, eleger um presidente que dê essa possibilidade, e esse presidente se chama Flávio Bolsonaro”, declarou.
Entenda o caso
O debate da TV Globo estava marcado para a noite desta quinta-feira (1º) e seria o último antes do primeiro turno. Lula havia recusado o convite.
Poucas horas antes do programa, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) proibiu a emissora de mostrar o púlpito vazio do presidente e de direcionar perguntas ao candidato ausente. Outra decisão judicial alterou a composição dos participantes.
Flávio Bolsonaro, que havia confirmado presença, desistiu de participar e classificou a decisão do TSE como censura. A Globo anunciou o cancelamento do debate e informou ter recebido notificações judiciais que interferiam nas condições previamente acertadas para a realização do encontro.
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