Rodinei Crescêncio
Tenente Ledur disse que Rodrigo Claro era desequilibrado com água e focou no treino dele
Sem novos adiamentos até o momento, continua marcada para a próxima quinta (23) o julgamento final da tenente bombeira Izadora Ledur de Sousa Dechamps, ré pelo crime de tortura que resultou na morte do jovem Rodrigo Claro em novembro de 2016, na 11º Vara da Justiça Militar de Cuiabá. Em novembro completa cinco anos da morte do aluno bombeiro. A previsão é que a sessão inicie, por viodeconferência, às 13h.
O julgamento deveria ter ocorrido em julho. Mas o promotor Paulo Henrique Amaral Motta, que atua na parte de acusação, ficou impossibilitado de comparecer à sessão por motivo de saúde e pediu o adiamento para setembro. O pedido foi aceito pelo juiz Marcos Faleiros, titular da 11º Vara, na abertura da sessão.
Este foi o segundo adiamento do julgamento de Ledur. O primeiro ocorreu em janeiro quando a defesa pediu ao juiz para adiar a sessão sob a alegação de que precisaria de tempo para concluir as alegações finais.
Em março do ano passado, Ledur já foi ouvida por Faleiros durante audiência de instrução. Ela afirmou na ocasião que Rodrigo era desequilibrado diante da água e que um bombeiro não pode vacilar na hora de fazer o salvamento. Por isso, ela disse que "focou no treino dele".
Mas, para o Ministério Público Estadual, a tenente teria dado "caldos" e afogamentos em Rodrigo como castigo por não ter conseguido um bom desempenho nos treinamentos. A entidade considerou, ao pedir a condenação de Ledur, que Rodrigo foi submetido a "intenso sofrimento físico e mental com uso de violência". Por isso, pediu a condenação dela por crime de tortura.
Caso Rodrigo Claro
Rodrigo morreu em novemrbo de 2016 durante treinamento de atividades aquáticas, na Lagoa Trevisan, em Cuiabá. Após sair do treinamento, ele buscou atendimento médico e foi internado em um hospital onde não resistiu. Rodrigo chegou a relatar a mãe, antes do treinamento, que temia Ledur por conta do tratamento da tenente com ele em mensagens de celular.
De acordo com a denúncia do MPE, apesar de apresentar excelente condicionamento físico, Rodrigo demonstrou dificuldades para desenvolver atividades como flutuação, nado livre, entre outros exercícios.
Consta na denúncia que, embora os problemas do rapaz tenham chamado a atenção de todos, os responsáveis pelo treinamento não só ignoraram a situação como utilizaram-se de métodos considerados reprováveis, tanto pela corporação militar, quanto pela sociedade civil, para “castigar” os alunos do curso que estavam sob sua guarda.
Conforme o MPE, depoimentos colhidos durante a investigação demonstram que o aluno foi submetido a "intenso sofrimento físico e mental com uso de violência". A responsável pelos atos contra o jovem, segundo a denúncia, teria sido a tenente, como forma de punir Rodrigo, por ele ter apresentado mau desempenho nas atividades dentro da água.
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