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Judiciário Quarta-feira, 30 de Setembro de 2026, 10:00 - A | A

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CASO ZAMPIERI

Defesa diz que executor matou advogado por “justiça” após suspeita de venda de sentenças

Segundo a defesa de Antônio Gomes da Silva, o réu estaria indignado com o suposto esquema de sentença atrelado à vítima

Thalita Queiroz e Leticia Avalos

Nilton Ribeiro, advogado de Antônio Gomes da Silva, apontado como executor no homicídio de Roberto Zampieri, afirmou que o réu teria cometido o ato por estar "indignado" com o suposto esquema de vendas de sentenças atrelado à vítima. A declaração foi dada nesta quarta-feira (30), antes do início do segundo dia do Tribunal do Júri que, além de Antônio, julga também Hedilerson Fialho Martins Barbosa e o coronel do Exército, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas.

"A prática [da venda de decisões judiciais] no Mato Grosso estava lesando muita gente. Muita família honrada, muito pai de família foi lesado por essa prática nefasta. Muita gente. Isso foi um dos motivos de indignação de Antônio e vai ser esclarecido hoje. Os senhores poderão ver com seus olhos o porquê disso aconteceu, de que forma isso aconteceu", afirmou Nilton.

Ao ser questionado se o réu seria uma espécie de "justiceiro", o advogado rebateu dizendo que as pessoas ainda não conhecem Antônio e alertou que novas revelações serão feitas durante o júri desta quarta.

"Vocês não conhecem o Antônio, não fazem ideia de quem é Antônio. Antônio veio de Minas Gerais para Cuiabá atrás de justiça. Vocês vão entender isso no júri. Ele é taxado como sicário [assassino de aluguel], matador. Eu indaguei ao promotor ontem: 'me dê um outro assassinato, outro ato sicário'. E não me trouxeram. Sicário que vem para Cuiabá sem uma arma de fogo? Que sicário é esse? Que assassino que chega em Cuiabá e não traz uma arma?", argumentou a defesa.

O Tribunal do Júri segue nesta quarta-feira com os depoimentos de Antônio, Hedilerson e Etevaldo Luiz Caçadini.

Julgamento

O Tribunal do Júri teve início nessa terça-feira (29), com o julgamento de Antônio Gomes da Silva, Hedilerson Fialho Martins Barbosa e o coronel do Exército, Etevaldo Luiz Caçadini de Vargas. Eles são os primeiros réus acusados pelo crime a encararem a Justiça.

No primeiro dia de julgamento, foram ouvidos o delegado da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Nilson Farias, o delegado da Polícia Federal, Marco Bontempo, e a testemunha, José Marcos Marini, amigo de Zampieri.

Conforme a denúncia do Ministério Público, Etevaldo é apontado como financiador do crime; Hedilerson seria o contratante e dono da arma; e Antônio teria sido o executor do assassinato. A denúncia narra que Etevaldo teria pago R$ 40 mil para Antônio executar o crime. Antônio, por sua vez, teria sido auxiliado por Hedilerson, que teria emprestado sua arma.

Reprodução

Roberto Zampieri

A vítima Roberto Zampieri

Relembre o crime

No dia 5 de dezembro de 2023, o advogado Roberto Zampieri deixou o escritório em que trabalhava e, ao entrar no seu veículo, um Fiat Strada, foi surpreendido pelo assassino. Os agentes policiais informaram que foram disparados cerca de 10 tiros na direção do advogado.

Nas gravações, obtidas por meio de câmeras de segurança de empreendimentos da localidade, é possível ver que o assassino cometeu o crime com o rosto descoberto, usando uma caixa para abafar o som, e que ele fugiu a pé.

A execução de Zampieri desencadeou uma série de investigações contra um lobista e desembargadores do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), acusados de negociarem a venda de sentenças com o advogado executado. O crime contra Zampieri não tem relação com o lobista ou desembargadores afastados, mas foi descoberto devido às análises do celular do advogado após a execução.

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