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Trecho da decisão da Justiça Federal que aponta lista de envolvidos na Operação Terra Prometida
O esquema no Assentamento Itanhangá, na região de Lucas do Rio Verde (a 350 km de Cuiabá), que causou prejuízo de quase R$ 1 bilhão em Mato Grosso era dividido em quatro níveis, sendo o primeiro dos fazendeiros e empresários, o segundo formado por sindicalistas, o terceiro por servidores públicos e o quarto por colaborador. Deflagrada na manhã desta quinta (27), a Operação Terra Prometida efetuou 52 mandados de prisão preventiva, sendo 20 comunicadas, 146 mandados de busca e apreensão e 29 de medidas proibitivas em de Cuiabá, Várzea Grande, Nova Mutum, Diamantino, Lucas do Rio Verde, Itanhangá, Ipiranga do Norte, Sorriso, Tapurah e Campo Verde.
Na “cabeça” da organização criminosa estão o que a Polícia Federal denomina de líderes, de primeiro e segundo escalão, grupo composto por 13 pessoas. Entre eles Natal Aparecido Deliberai; Eder Frizzo Faquinello; Jesus Valdomiro Selzlein, Holivar Antônio da Silva Braga; Gustavo Dassoler, Bento Sangiovo, que também integra o 2º escalão; Wanderley Pastro; Marino José Franz; Silvestre Caminsk;, Rui Schenkel; Donizete e Delfino Casavechia; e Antônio Adi Mattei.
Durante coletiva de imprensa, na tarde de hoje, o delegado responsável pelas investigações, Hércules Ferreira Sodré, apontou que entre as principais peças está o ex-prefeito de Lucas do Rio Verde Marino Franz (PSDB), proprietário da empresa Fiagrill, instalada em um lote da União. Conforme a PF, a prefeitura fez uma licitação fraudulenta e transferiu o terreno para a empresa do tucano. A área hoje é avaliada em R$ 30 milhões.
O grupo atuava emprestando o lote aos agricultores, que faziam contrato registrado de penhor de safra. Quando era a época da colheita, pagavam para a Fiagrill. Conforme o delegado, quando havia quebra de safra, a empresa pegava alguns lotes para receber a quantia, mas não ficava com eles, repassava. “A atuação da Fiagrill não era plantar dentro dos lotes, era mais emprestar”.
Terra Prometida
A operação Terra Prometida, acerca do assentamento Itanhangá, instituído em 1997, no qual desde o início ocorre a prática criminosa, investiga a concentração fundiária em terra da União, por meio de pessoas que não têm aptidão para reforma agrária. Para a execução dos trabalhos cerca de 350 policiais oriundos do Paraná, Mato Grosso do Sul, Rondônia, Goiás, Pará, Amazonas, Tocantins e Distrito Federal, foram requisitados.
Conforme dados da Polícia Federal, o assentamento é o segundo ou terceiro maior da América Latina, sendo 1.149 lotes de 100 hectares cada um, equivales a um campo de futebol. A região tem uma topografia plana, bastante valorizada e é bem produtiva. A área total corresponde a 115 mil hectares. Cada lote vale hoje em torno de R$ 1 milhão. Em Lucas do Rio Verde são contabilizados 30 mil hectares. “Como a terra não está regularizada então corresponde a uns R$ 10 mil. Ou seja, 100 hectares a R$ 10 mil equivalem a R$ 1 milhão. Estão nas mãos dos fazendeiros cerca de mil lotes, que faturam R$ 1 bilhão”, explica Sodré.
Gilberto Leite/Rdnews
Delegado responsável, Hércules Ferreira Sodré, explica que fazendeiros ou empresários compravam os lotes a baixo preço e através do Sindicato Rural e agentes políticos faziam lobby junto ao Incra
A operação teve início em 2010, tendo por base requisição do Ministério Público Federal, que se originou de uma matéria jornalística veiculada na imprensa nacional. As investigações ocorreram nos Estados do Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul e Mato Grosso. São mandados cumpridos em áreas rurais, sendo que equipes ainda se deslocam para Capital.
De acordo com o delegado Sodré, a quadrilha usava vários métodos, como, por exemplo, a fraude de apagar o sistema Sifra do Incra, no qual 300 lotes foram apagados e no lugar eram colocados os “laranjas” dos fazendeiros. Outro sistema era tomar posse do lote assediando os assentados originais. Os fazendeiros ou empresários compravam o lote a baixo preço e através do Sindicato Rural de Itanhangá e de agentes políticos locais faziam lobby junto ao Incra, para regularizar as terras.
Além dos crimes de invasão de terra da União, estelionato majorado, fraude documental, organização e associação criminosa, a Polícia Federal também apura crimes ambientais. Isso porque quase todos os lotes comprados eram 100% desmatados e como não estava no nome dos fazendeiros, caso tomassem multa do Ibama, não pagavam.
O delegado ainda explica que o esquema era feito por meio de arrendamentos. A pessoa comprava o lote, mas arrendava para os grupos políticos e vinha morar em Cuiabá vivendo de renda. Na prática, contudo, quem recebe lote deve utilizar o terreno para lavoura e morar no local. Para preencher os requisitos a pessoa não pode ser empresária, tem que ter perfil da reforma agrária. Neste sentido, segundo Sodré, toda a manobra criminosa é contraditória à reforma agrária, porque grandes grupos do agronegócio estão ocupando e plantando em terras da União.
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matias alonso do nascimento 02/12/2014
Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário
Internauta 29/11/2014
Dê uma chegadinha em Confresa
Raimundo 29/11/2014
Só vou acreditar na PF se eles fizerem o mesmo trabalho em todos os assentamento pelo Brasil inteiro, pois, todos, disse todos têm denúncias de venda de Lotes e essa mesma Operação não ocorre em outros Estados. FUMAÇA para Abafar o Caso da Petrobras.
paulo 29/11/2014
Ola só quem vive aqui no município sabe como e que esta as coisas e sabe também que tudo e mentira e apenas denuncias feitas por pessoas que não querer o melhor para a cidade em que vive. e quero ver se essas pessoas tem provas suficientes e que sejam verdadeiras das calunias que tanto falam aqui do município e das pessoas citadas.
HILTON GOMES 28/11/2014
só gaucho, que chegou aqui com uma mão na frente outra atraz, e hoje estão milionarios
Augusto 28/11/2014
Há expressões agressivas, ofensas e/ou denúncias sem provas. Queira, por gentileza, refazer o seu comentário
julio 27/11/2014
Meu brasil, meu brasil brasileiro, só dá corrupção...
7 comentários