Mais de três anos após o feminicídio de Thays Machado e do homicídio do então namorado dela, William César Moreno, os familiares das vítimas ainda convivem com as marcas da tragédia. Os crimes, cometidos em janeiro de 2023 pelo empresário Carlos Alberto Gomes Bezerra, o Carlinhos Bezerra, serão julgados pelo Tribunal do Júri de Cuiabá nesta terça-feira (7). A família de Thays, no entanto, não deve acompanhar a sessão presencialmente. Apenas o irmão dela, Thyago Jorge Machado, estará presente.
Em entrevista ao
, Thyago afirmou que os pais ainda enfrentam as consequências emocionais da perda e fazem uso de medicamentos desde o crime. Segundo ele, a família não conseguiu superar o ocorrido. "A família ainda está muito chateada. Não foi uma coisa fácil. Não conseguimos avançar, não superamos ainda essa questão", relata.
Segundo Thyago, os pais continuam fazendo uso de medicamentos em razão do impacto emocional causado pelos crimes e evitam falar sobre o assunto, já que as lembranças provocam intensa tristeza e crises de choro. Ele relata ainda que eles sequer conseguiram prestar depoimento oral durante o processo, tendo recorrido a uma manifestação por escrito devido à dificuldade de reviver o episódio. Passados mais de três anos, afirma, a família ainda enfrenta dificuldades para lidar com a perda.
“A família está tão abalada, que a única pessoa da família que vai prestar depoimento sou eu. A única pessoa que vai mostrar essa dor, para o júri entender o que a família está sentindo, sou eu. O que eu vou tentar fazer é representar a família, falar o que a família está sentindo e o que eu, como irmão, estou sentindo”, relata.
Thyago afirma ainda que os pais não pretendem acompanhar o julgamento, pois ainda não têm condições emocionais de reviver o caso. Ele próprio diz não saber se conseguirá permanecer durante toda a sessão do júri, apesar da intenção de acompanhar o julgamento do início ao fim, já que o processo ainda o afeta profundamente. "O meu objetivo é assistir todo o júri, mas não sei se eu consigo, sentimentalmente, assistir todo o julgamento. Porque isso me afeta”, diz.
Ao
, Thyago compartilhou que espera uma condenação exemplar para Carlinhos Bezerra, para que não permaneça o sentimento de impunidade. “A gente espera uma condenação significativa. Porque se não tiver, muitos acabam achando que os criminosos ficam na impunidade e o ciclo de violência não acaba”, destaca.
O crime
A ex-namorada de Carlinhos, Thays Machado, e o namorado dela, William César Moreno foram mortos a tiros na tarde do dia 18 de janeiro de 2023, no bairro Consil, próximo à Avenida Historiador Rubens Mendonça (Avenida do CPA), em Cuiabá. Thays estava em frente ao Edifício Residencial Monet, onde a mãe dela morava, para entregar uma chave à genitora, o William a acompanhava.
Horas depois, Carlinhos foi preso em uma chácara da família e, durante interrogatório na Polícia Civil, confessou o crime. Ele argumentou que sofre de diabetes e que estava em “estágio de neuropatia”, o que lhe causou o desequilíbrio emocional e que isso teria motivado o crime.
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