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Judiciário Quinta-feira, 23 de Setembro de 2021, 16:15 - A | A

Quinta-feira, 23 de Setembro de 2021, 16h:15 - A | A

CASO RODRIGO CLARO

Tenente Ledur é julgada por tortura 5 anos após morte de aluno bombeiro - saiba

Defesa da tenente, apresentou requerimento para que ela fosse dispensada e Conselho acatou

Ana Flávia Corrêa

 

Rodinei Crescêncio

Tenente Ledur em audi�ncia

Júri da tenente Ledur deveria ter acontecido em julho, mas acabou sendo adiado para hoje

Julgamento da tenente do Corpo de Bombeiros Izadora Ledur de Souza Dechamps teve início na tarde desta quinta (23), na 11ª Vara Criminal de Justiça Militar. Ela é acusada pela tortura que culminou na morte do jovem Rodrigo Claro, de 21 anos, durante Curso de Formação de Soldados, há 5 anos.

Conselho é presidido pelo juiz Marcos Faleiros e composto pelo tenente-coronel Neurivaldo Antôni de Souza e os majores Paulo César Vieira de Melo Júnior, Ludmila de Souza Eickhoff e Edison Carvalho.

Logo no início da sessão o advogado Huendel Rolim, responsável pela defesa da tenente, apresentou requerimento para que ela fosse dispensada. Conselho acatou o pedido. Em seguida, promotor de Justiça Paulo Henrique Amaral Motta iniciou acusação. Não há previsão para o término do julgamento.

Ele apresentou relatos de testemunhas que contaram que a vítima vomitou e apresentou fortes dores de cabeça e destacou que Rodrigo Claro foi alvo de um castigo pessoal. 

Ministério Público do Estado (MPE) pede a sua condenação de Ledur pelo crime de tortura, já que ela supostamente dava “caldos” e afogamentos em Rodrigo por não ter conseguido bom desempenho nos treinamentos.

A defesa, por outro lado, argumenta que não existe no processo a comprovação da conduta delitiva. Ao ser ouvida em março do ano passado, tenente afirmou que aluno era desequilibrado na água e que bombeiro não pode vacilar na hora de fazer o salvamento.

Julgamento deveria ter acontecido em julho, contudo, promotor ficou impossibilitado de comparecer à sessão e pediu o adiamento para a data de hoje. Este foi o segundo adiamento do julgamento de Ledur. O primeiro aconteceu em janeiro, quando a defesa pediu ao juiz para adiar a sessão sob a alegação de que precisaria de tempo para concluir as alegações finais.

Caso Rodrigo Claro

Rodrigo morreu em novembro de 2016, durante treinamento de atividades aquáticas, na Lagoa Trevisan, em Cuiabá. Após sair do treinamento, ele buscou atendimento médico e foi internado em um hospital, onde não resistiu e morreu.

Rodrigo chegou a relatar a mãe, antes do treinamento, que temia Ledur por conta do tratamento da tenente com ele em mensagens de celular.

Consta na denúncia do MPE que apesar de apresentar excelente condicionamento físico, Rodrigo demonstrou dificuldades para desenvolver atividades como flutuação, nado livre, entre outros exercícios.

O documento afirma que embora os problemas do rapaz tenham chamado a atenção de todos, os responsáveis pelo treinamento não só ignoraram a situação, como utilizaram-se de métodos considerados reprováveis para “castigar” os alunos do curso que estavam sob sua guarda.

De acordo com o MPE, depoimentos colhidos durante a investigação demonstram que o aluno foi submetido a "intenso sofrimento físico e mental com uso de violência".

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