TRÁFICO DE LUXO

Quinta-Feira, 05 de Março de 2020, 07h:03 | Atualizado: 06/03/2020, 14h:59

Investigação

Delegado diz que esquema está mapeado; denúncias norteiam a atuação da polícia

Rodinei Crescêncio

 Delegado Vitor Hugo Teixeira da DRE

Delegado da DRE, Vitor Hugo Bruzolato, diz que polícia faz investigação minuciosa e já tem perfil do traficantes, pontos de venda e atua para bloquear bens 

Preocupados com o aumento significativo desse novo estilo de tráfico, delegados da Delegacia Especializada de Repressão a Entorpecentes (DRE) vêm fazendo um trabalho investigativo minucioso para tentar reprimir a expansão do “Tráfico Delivery". Para isso, os policiais mapearam toda a Região Metropolitana de Cuiabá e usam como bússola denúncias da população.

Já identificaram o perfil dos traficantes, as formas de entrega, quem são os usuários e onde estão sendo comercializadas as susbtâncias. Outro detalhe importante, é que os investigadores trabalham com os lucros aferidos pelo grupo criminoso para o bloqueio e apreensão dos bens.

E esse trabalho já começa a dar resultados. Em 2019, a DRE prendeu pelo menos 400 traficantes e tirou de circulação 200 carregamentos de entorpecentes na Grande Cuiabá. O trabalho é árduo e difícil, uma vez que os “novos” bandidos buscam atuar na surdina para se tornar “invisíveis” aos olhos da lei.

Em constante mutação, os traficantes hoje evitam chamar atenção com uso de roupas de marca, ou com carros importados. São pessoas comuns.

“Sabemos que isso vem acontecendo justamente porque já prendemos alguns, graças ao trabalho incessante dos investigadores da DRE que fazem uma grande atuação na repressão do tráfico doméstico, que tanto incomoda a sociedade. Esse tipo de crime vem fomentando outras modalidades patrimoniais como roubos e furtos e até mesmo crimes contra a vida, como homicídio”, explica o titular da DRE Vitor Hugo Bruzolato Teixeira.

O delegado revela que o tráfico doméstico se transform e renova-se. Um exemplo disso, é a nova modalidade delivery. A DRE, segundo ele, vem acompanhando o progresso dessa associação criminosa, e por isso, no ano passado foi deflagrada uma operação exclusivamente para ela. Assim como os traficantes, os usuários também estão mudando, pois cada vez buscam mais tranquilidade e discrição.

Esse tipo de crime vem fomentando outras modalidades como roubos e furtos e até mesmo homicídio

Delegado Vitor Hugo Bruzolato

 Os policiais conseguiram identificar essa nova modalidade que inclui entregas em condomínios de luxo, no Centro Político Administrativo, em hotéis, em restaurantes e motéis.

“A gente viu a necessidade de fazer essa operação. Foram meses de trabalho, que aliou o setor operacional da delegacia, e o núcleo de Inteligência. Então foi um trabalho em conjunto para conseguir fazer a repressão a esse tipo de tráfico”, conta.

Com essa nova modalidade, a DRE também inovou, mas, por incrível que pareça, destaca o delegado, a própria população se cansou da violência e vem fazendo muitas denúncias anônimas, buscado apoio da polícia na luta contra o tráfico de droga, por não aguentar mais ter um a "boca de fumo" próxima a casa deles, pondera o titular.

O delegado pontua que o trabalho é árduo, uma vez que o grupo muda constantemente os modus operandi. E por conta disso, os investigadores também alteram a forma de agir, realizando ações diárias, principalmente no período noturno e finais de semana, quando a modalidade delivery tende a aumentar.

“Para se ter uma ideia, é difícil mensurar quantos esse grupo criminoso movimenta em média. É cíclico. Pois cada tipo de droga tem o seu período de preparo. A maconha, a droga que temos maior incidência, vem do Paraguai em um certo período do ano quando ocorre seu plantio. A cocaína, por sua vez, tem outra forma de preparo e distribuição. Já as drogas sintéticas e anabolizantes, que também temos percebido um aumento, possui um modo específico de comercialização. Enfim, é difícil mensurar. Por isso, mantemos um trabalho intensivo durante todo ano para identificarmos e prendermos integrantes”, afirma.

Repressão

Para barrar grandes carregamentos de drogas tivemos operações no interior com auxílio da PM, Gefron e Defron, que são polícias de fronteira

Delegado Vitor Hugo Bruzolato

Ao longo das apreensões, um detalhe importante é que droga mais apreendida tanto em Cuiabá quanto em Várzea Grande é a maconha. Nos dois últimos anos, foram mais de 6 toneladas. Isso significa que 67% de todo entorpecente apreendido pela DRE na Grande Cuiabá foi a maconha, seguida pela cocaína, com pouco mais de 2 toneladas, representando 27,5%.

Porém, é de conhecimento geral que boa parte da maconha que abastece o Brasil vem pela fronteira do Paraguai com Mato Grosso do Sul. Bruzolato destaca que para conseguirem parar os grandes carregamentos, a equipe local conta com o apoio da Polícia Civil do Estado vizinho.

“Essas movimentações de grandes carregamentos são praticadas por organizações criminosas maiores. E por este motivo, tivemos operações no interior do Estado e para isso contamos com o apoio também da Polícia Militar, o Gefron, Defron, que são polícias de fronteiras que vem auxiliando muito o trabalho de repressão ao tráfico de drogas em Mato Grosso. Porque uma vez que entra, a droga vem para as cidades”, afirma.

Mas, independentemente da forma como acontece o tráfico, somente em 2019 a Polícia Militar aprendeu em Cuiabá 3,4 mil kg de entorpecentes, entre maconha, cocaína, pasta base e crack. Durante o mesmo período, em Várzea Grande, foram 780,3 kg de drogas recolhidas. O total apreendido em VG representa 22% do total apreendido em Cuiabá.

Em 2018, os números de apreensãod e drogas pela polícia foram ainda maiores, 4,5 mil kg. Frente ao mesmo intervalo de em 2019,  quando a DRE,tirou de circulação 3,4 mil kg de drogas, o que equivale 15,88% a menos do que em 2018.

Em Várzea Grande, foram 927,7 kg de drogas, perfazendo 20% de tudo que a Capital apreendeu. Porém, é possível constatar que entre os anos de 2018 e 2019, nas duas cidades, a DRE tirou de circulação mais de 9 toneladas de entorpecentes, entre maconha, cocaína, pasta base e crack - veja quadro.

Rodinei Crescêncio

Quadro de revenda de drogas em MT

Entre 2018 e 2019, a DRE tirou de circulação mais de 9 toneladas de entorpecentes, entre maconha, cocaína, pasta base e crack em toda a Grande Cuiabá

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Comentários (1)

  • O atalaia | Quinta-Feira, 05 de Março de 2020, 08h27
    4
    0

    Os traficantes engendram formas estratégicas de comercialização da droga, mas, ainda bem que serviços de inteligencia das delegacias mapeiam toda operacionalização dos delinquentes. Mas parece que esse tipo de tráfico não abastece os outros focos de delinquencia que atingem mais diretamente a comunidade.....

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