TRÁFICO DE LUXO

Quinta-Feira, 05 de Março de 2020, 07h:03 | Atualizado: 06/03/2020, 15h:06

PEDIDO POR CELULAR

Repórter negocia com traficante e recebe droga encomendada em shopping - vídeo

Reprodução

Droga sint�tica ikea verde e tomorrowland

Traficante enviou fotos e valores dos produtos que tinha a oferecer. Reportagem optou por Tomorrowland e Ikea Verde, esse tipo de comprimido da imagem

Em um dia qualquer, em um shopping movimentado da Capital, sob olhares de dezenas de pessoas circulando pelos corredores do estabelecimento, um entregador está levando, dentro de uma caixinha de vitamina C, quatro comprimidos de Ecstasy.

Isso mesmo. A reportagem do , respaldada pela lei, e sem que o vendedor soubesse, comprou e gravou a aquisição do entorpecente em um shopping de Cuiabá com objetivo de mostrar como funciona o esquema de tráfico delivery na Grande Cuiabá e, mais que isso, demonstrar, na prática, que ele é real.

Mas, para isso, vamos rebobinar essa história e contar como foi todo o processo até chegar a um banco de madeira no térreo de um shopping.

Para acompanhar o observar o desenrolar do esquema, esta repórter passou a frequentar casas noturnas e baladas há cerca de oito mês. Foram quatro meses indo a esse tipo de festas. “Então, consegui a indicação de um chamado "Ponto de Segurança". Ele passou o contato de um traficante de drogas sintéticas. Por meio de mensagens de aplicativo, dei início à transação. Mas não pense que foi fácil”.

 Após as devidas identificações, o traficante enviou uma mensagem que dizia: “confirma para mim”, o que significa que a pessoa que a indicou como cliente tinha que entrar em contato, confirmando a indicação.  Todo o procedimento durou pelo menos 2 horas.

Quando, enfim, ocorreu a confirmação, o traficante enviou fotos e valores dos produtos que tinha a oferecer. A reportagem optou por Tomorrowland e Ikea verde. Os quatro comprimidos das substâncias custaram R$ 250.

Segundo o traficante, esse tipo de droga causa sintomas como felicidade, euforia, sensibilidade e “tesão”, por isso, é extremamente procurada. 

Feita a escolha, foi marcado o local e o horário da entrega das substâncias. Após a compra efetuada, a reportagem entregou as drogas na Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) – leia editorial.

Acompanhe momento da compra no vídeo abaixo

 

Como funciona a compra da droga

Reprodução

Droga sintética Ikea Verde

Durante negociação, traficante manda imagem com valor de cada cápsula

Mas, como conseguir comprar essas drogas na Grande Capital? Para isso é necessário cair no gosto e admiração de um agenciador, primeiro degrau da pirâmide do esquema. São pessoas que circulam livremente em festas da sociedade. O esquema conta com uma média de 10 agenciadores, pessoas da alta sociedade ou ligadas a ela.

A cada novo cliente que consegue, ganha de 10% a 15% de desconto com o traficante, além de vantagens como: a cada 10 comprimidos de LSD vendidos, têm à disposição dois a mais. Para se ter uma ideia, num final de semana, apenas em uma boate, é possível obter lucro de até R$ 3,5 mil.

Os agenciadores são pessoas acostumadas à vida e festas na alta sociedade. Eles atuam como se fossem um vendedor fornecendo um produto. Assim, cada um coopta pessoas de referência ou nome nas baladas e festas. Para continuar a frequentar e conseguir estar presentes nas boas baladas da cidade, ele indica os melhores traficantes para conseguir adquirir as famosas drogas de “marca”. Uma fonte ouvida pela reportagem exemplificou dizendo que, muitas vezes, o agenciador pode ser uma pessoa comum com contato na alta sociedade. 

“Ele (o agenciador) chega e diz: não sei se você curte. Mas sei que é amigo de fulano e, se quiser experimentar, compra com fulano. A dele é mais barata e melhor. Eu tenho aqui, experimenta”. O agenciador faz o meio de campo. Atualmente, temos 120 pessoas que fazem esse trabalho na Grande Cuiabá”, detalha a cliente.

Seguindo a ordem da pirâmide, de baixo para cima, vêm os Pontos de Segurança. São pessoas muito conhecidas e com cargos elevados na sociedade. “É como se fosse uma carta de referência. Ela garante, como um fiador, que o cliente indicado não irá criar problemas para o esquema. Pode ser um deputado ou um vereador. A cada nova indicação, ganha 50% de desconto na compra do entorpecente desejado”, detalha a pessoa, que pediu para não ser identificada.

Ele (o agenciador) chega e diz: não sei se você curte. Mas sei que é amigo de fulano, e se quiser experimentar compra com fulano. A dele é mais barata e melhor. Eu tenho aqui, experimenta

Diz um usuário

Esse ponto de segurança é quem entra em contato com o traficante, informando que esse “amigo” quer começar a comprar o entorpecente dele. Enfim, antes que o novo usuário ligue ou mande mensagem perguntado valores e quais as drogas esse traficante tem a oferecer, essa pessoa é quem passa todo o histórico do novo cliente, antes mesmo que ele o faça.

O elo seguinte da rede é o traficante. Mas quem são eles? Pessoas comuns. Em sua maioria possuem empregos de fachada, como motoristas de aplicativos, para justificar a grande movimentação na noite cuiabana. Sendo assim, nos intervalos de entrega de lanche, comida, ou de um passageiro, eles levam a droga pedida pelo usuário onde ele estiver. Existem casos de drogas que foram entregues como se fossem lanches ou almoços em frente a secretarias de governo e empresas onde o próprio usuário trabalha.

“Outra tática usada pelos traficantes é contratar adolescentes, sempre meninas menores de idade, para levar a droga para dentro das baladas. Fazem isso para fugir das revistas, que costumam acontecer nas entradas das festas, uma vez que em meninas não é autorizada revista íntima. Somente olham as bolsas”, aponta.

Por último, no topo da pirâmide, está o distribuidor. Ele é quem pega a droga de fora do Estado e traz para Mato Grosso.  É um “cara forte, que tem a grana” para comprar, e manter o produto. O maior distribuidor da cocaína no Estado é o Comando Vermelho. É ele quem busca o produto, e quem quer revendê-lo, no caso o traficante, compra deles para repassar aos clientes que usam esse entorpecente.

No caso do Ecstasy, a Capital tem um forte distribuidor, o nome, entretanto, não será divulgado. Ele compra no Rio de Janeiro, Goiânia, e distribui em Cuiabá. Depois, repassa aos traficantes para que vendam nas baladas ou forneça à cartela de clientes que fazem uso desse produto todo mês. 

Divulgação

Comprimido - droga - sintética

Traficantes contratam adolescentes do sexo feminino para levar a droga para dentro das baladas. Elas não passam por revista íntima, isso facilita a entrega

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Comentários (6)

  • OSÉIAS BATISTA ROCHA | Sexta-Feira, 06 de Março de 2020, 11h31
    0
    0

    Por que esconde a cara do vagabundo?

  • Sampaio | Quinta-Feira, 05 de Março de 2020, 20h34
    0
    0

    Vai um Policial fazer isso pra ver o que acontece ...

  • Saco cheio | Quinta-Feira, 05 de Março de 2020, 17h52
    0
    0

    só cidadão de bem!

  • Renato | Quinta-Feira, 05 de Março de 2020, 14h52
    2
    0

    Respaldada por que lei está reportagem? O traficante foi preso ?

  • Keops Müller | Quinta-Feira, 05 de Março de 2020, 09h42
    16
    1

    A responsabilidade maior é do usuário, que financia esse negócio sujo.

  • Edmilson | Quinta-Feira, 05 de Março de 2020, 08h00
    9
    1

    caraka !!! então tem funcionários públicos que estão trabalhando drogado,

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