A escolha de Cuiabá como uma das subsedes da Copa do Mundo, em maio de 2009, deu espaço para que o Poder Público aproveitasse o momento para prometer melhorias em diversos setores. O “salto” de desenvolvimento, diziam os gestores, não ficaria restrito às intervenções nas ruas e avenidas e à visibilidade turística, mas seria estendido também à saúde e ao saneamento básico. A 13 dias do mundial, porém, o cenário nas duas áreas ainda parece ser de calamidade.
Acontece que, também em 2009, apenas três meses após o anúncio de que a Capital de Mato Grosso seria uma das cidades a sediar o Mundial, a Polícia Federal deflagrou a Operação Pacenas, para apurar fraudes em licitações de obras de saneamento que seriam feitas com recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) em Cuiabá e em Várzea Grande. Durante a apuração das suspeitas, ao analisar e-mails dos envolvidos e escutas telefônicas, os agentes descobriram verdadeiros manuais de como direcionar os certames.
Nos diálogos gravados em 2008 teriam sido selados acordos financeiros com construtoras de outros estados para que não participassem das licitações, cujos vencedores já eram pré-definidos com autoridades e servidores públicos. À época, 11 servidores acabaram presos, além de políticos e empreiteiros. O inquérito foi arquivado em 2010 por conta de uma decisão do STF que considerou as escutas telefônicas irregulares. Em março de 2012, o ministro do STJ, Gilson Dipp, rejeitou recurso no qual o Ministério Público Federal (MPF) tentava reabrir as investigações.
A possibilidade de que a situação caótica gerada pela falta de saneamento básico em Cuiabá fosse dizimada ganhou novo fôlego quando o então prefeito Chico Galindo (PTB) autorizou a concessão do serviço à iniciativa privada. Em 2012, a CAB Cuiabá assumiu a responsabilidade com a previsão contratual de universalizar a água em três anos e o esgoto em 10. No entanto, segundo relatório final da CPI da CAB instaurada na Câmara Municipal, cerca de 300 km da rede de água atual terão que ser reformados ou trocados. Isso significa que a concessionária precisaria fazer 1 km novo de rede por dia até o fim deste ano. Além disso, a empresa também é campeã de reclamações no Procon.
Já em Várzea Grande as obras estão sendo retomadas apenas neste ano, na gestão Walace Guimarães (PMDB) que, depois de quase 4 anos, conseguiu recuperar os recursos junto ao governo federal.
Saúde
A Copa também ajudaria a saúde. Era o que garantia o governo do Estado, sob justificativa de que os olhos do governo Federal estavam voltados à Cuiabá devido ao evento esportivo. Com previsão contratual para ser entregue neste ano, o novo hospital Universitário Júlio Muller ficará pronto, conforme a secretária de Estado de Cidades, Márcia Vandoni, apenas em 2016. As obras começaram há dois anos e tinham um prazo de entrega de 720 dias. A construção da unidade de saúde criará 330 leitos e os atendimentos serão de alta complexidade. A intenção inicial era a de que eles estivessem disponíveis para a população na Copa, o que não acontecerá.
Atualmente, o cenário preocupa. Recente reportagem do Fantástico veiculada no último dia 25 mostrou um raio-x dos atendimentos feitos no Pronto Socorro municipal. A UTI da unidade, segundo a reportagem, opera sem médico e muda o horário dos óbitos para que os familiares dos pacientes não saibam que a morte ocorreu em momento que não havia responsáveis no plantão. “Pacientes que podiam ter saído vivos, mas saíram mortos”, disse um dos funcionários do PS ao programa, no intuito de revelar o caos na saúde da cidade-sede da Copa do Mundo.





















