RETROSPECTIVA 2020

Terça-Feira, 29 de Dezembro de 2020, 07h:00 | Atualizado: 29/12/2020, 11h:51

UM ANO MUITO ARRISCADO

Covid faz 1ª morte em abril, tem pico em julho, decai, mas 2ª onda aparece - gráfico

 
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O pior período da pandemia de coronavírus para os mato-grossenses foi entre junho e julho. O crescimento rápido de infecções levou a centenas de mortes e ao colapso do sistema de saúde. Nas semanas seguintes, apesar da notificação de casos estar relativamente alta, o número de mortes por dia se aproximava de zero. Aparentemente, Mato Grosso estava próximo de controlar a pandemia, mas, nas últimas semanas do ano, a curva voltou crescer. É a 2ª onda se aproximando.

Até o fechamento desta matéria, já eram mais de 174 mil contaminados e 4,4 mil mortos por Covid em Mato Grosso em 9 meses de pandemia.

Dayanne Dallicani

covid-19 covid gráfico

A confirmação do primeiro caso oficial de Covid-19, em Mato Grosso, se deu no dia 19 de março. Exame de um morador de Cuiabá, de 48 anos, deu positivo. Tinha chegado da Itália, que era na época o epicentro da pandemia.

Já a primeira morte oficial ocorreu 13 dias depois de confirmado o primeiro caso. Foi em Lucas do Rio Verde (a 313 km da Capital). O gerente Luiz Nunes da Silva, 54, havia feito uma viagem de trabalho à Região Sul do país e, ao voltar para casa, já começou a passar mal. Foi internado no dia 29 de março e veio a falecer quatro dias depois na madrugada do dia 3 de abril.

Luiz Nunes da Silva morte �bito coronav�rus

Luiz Nunes da Silva, gerente de supermercado em Lucas do Rio Verde, primeira morte de Covid, confirmada oficialmente, em Mato Grosso: viajou para o Sul

Os dias seguintes foram agitados. Começava a corrida para aumentar o número de leitos, comprar respiradores e alertar os moradores a ficarem em casa.

A Prefeitura de Cuiabá mandou suspender o comércio e liberar os servidores para trabalharem de home-office. O Governo restringiu o funcionamento de restaurantes, lanchonetes e padarias, liberando-os apenas o delivery ou retirada no local. As aulas em todo o Estado foram suspensas e o uso de máscara tornou-se obrigatório.

No entanto, já no final de abril, o medo do vírus foi dando lugar à descrença por parte da população. O pico esperado por aqueles dias não se concretizou e o sistema de saúde ainda não tinha quebrado, pessoas não estavam morrendo e nem ficando doentes "aos montes", contrariando previsões. O comércio também já tinha voltado a funcionar desde o final de abril.

As medidas iniciais que tinham freado avanço rápido do vírus foram "caindo" e pouco mais de um mês depois veio o reflexo. No começo de junho, o secretário de Estado de Saúde, Gilberto Figuereido, anunciava em coletiva virtual que a rede hospitalar já tinha entrado em colapso. "Chegamos ao caos", disse ele no dia 24 de junho. Já no dia seguinte (25), ele mesmo testou positivo.

Secom-MT

Secret�rio de Estado de Sa�de Gilberto Figueiredo

Secretário Gilberto Figueiredo, comandando política de barreira ao novo vírus com potencial letal, preconizava isolamento urgente; também se contaminou

Somente após esse cenário, é que o lockdown e o toque de recolher foram definidos em decreto do Governo, de acordo com a taxa de ocupação das Unidades de Terapias Intensivas (UTIs)

No fim de junho já não havia leitos para pacientes nem no setor público nem no privado. Apesar do isolamento forçado, com a Justiça determinando o fechamento do comércio e impondo o isolamento, Mato Grosso chegou ao pico de casos em meados de julho. Na 30º semana epidemiológica, entre 19 e 25 de julho, foram confirmados 9.880 casos de infecção pelo coronavírus – o maior número de notificações registrado em qualquer semana da pandemia no Estado.

Reprodução

Covid-19

O pico de casos refletiu também no número de mortes. A semana seguinte, entre 26 de julho e 1º de agosto (a 31º da epidemiologia), foi a que registrou mais óbitos em decorrência da Covid-19. Foram 296 no acumulado de sete dias. No total, Mato Grosso já tinha ultrapassado 1.876 mortes na época, vitimando crianças, idosos, profissionais da saúde, profissionais liberais, servidores públicos, policiais, líderes religiosos e indígenas.

Foto Rodinei Crescêncio /Arte Dayanne Dallicani

PANDEMIA INTERNA

A partir dessas duas semanas, a curva de casos de infecções, internações em UTIs e enfermarias, além das mortes, começou a cair. O Governo anunciava, em meados de agosto, que Mato Grosso vivia enfim o platô – não havia mais crescimento de notificações e óbitos por Covid-19, mas os números também não baixavam. A tendência de queda foi só se confirmando ao longo das semanas seguintes.

As pessoas já experimentavam uma “retomada” da vida normal. Apesar da pandemia não ter acabado, o comércio voltou a funcionar, o home-office foi abandonado na maioria das empresas e a vida noturna voltava com intensidade. Não havia na prática nenhuma medida preventiva, exceto o uso obrigatório de máscara e álcool-gel. Já no final de outubro, os números eram os menores desde o início da pandemia, mas as infecções permaneciam altas.

No fim de outubro, o médico sanitarista e deputado estadual Lúdio Cabral (PT) identificou um aumento de 18% no número de casos, entre 18 e 24 de outubro. Ele atribuiu o crescimento às campanhas para prefeitos e vereadores com arrastões, carreatas, adesivaços e demais atos. As aglomerações de bares e festas também eram outras causas possíveis pela subida de notificações.

Em dezembro, passadas as semanas da campanha eleitoral, Mato Grosso voltou a experimentar um crescimento de casos e internações. Na metade do mês, em Rondonópolis, as UTIs de hospitais privados já estavam superlotadas e dez pacientes com Covid-19 aguardavam vaga. Após dois meses com notificações variando de 400 e 900, a Secretaria de Estado de Saúde voltou a registrar mais de mil notificações em um dia, em 16 de dezembro.

Reprodução

Vacinas contra a Covid-19

Agora a esperança da retomada da rotina deve vir só com as vacinas. O prefeito Emanuel Pinheiro (MDB) e o governador Mauro Mendes (DEM) já conversam com o Instituto Butantã, da Universidade de São Paulo, para comprar doses da Coronavac – vacina produzida no país em parceria com a empresa chinesa Sinovac. O Ministério da Saúde estima que o país terá 24 milhões de doses da vacina para todo o país em janeiro.

 

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Comentários (2)

  • Dr Walmor economista | Terça-Feira, 29 de Dezembro de 2020, 08h41
    2
    0

    O que vejo de gentalha de cuiabanos andando sem máscara transmitindo coronavirus. Ano que vem planos de saúde foram autorizados a reajustar em 35 por cento. Ademais acabou a teta de coronavoucher. Aí quero ver esse gado berrar por UTI.

  • Roger | Terça-Feira, 29 de Dezembro de 2020, 08h27
    3
    0

    É só fazer eleição todo mês que não tem mais COVID, pois a midia e as pessoas até esquecem desse virus.

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