A família do aluno Lucas Veloso Peres, de 27 anos, que morreu na segunda-feira (26) durante um treinamento do Corpo de Bombeiros Militar (CBMMT), na Lagoa Trevisan, virá para Cuiabá na próxima segunda-feira (04) para participar da Missa do 7º dia do jovem. Além disso, eles pedem um encontro com o governador Mauro Mendes (União) para mostrar a insatisfação com o ocorrido.
Lucas Veloso era natural de Goiás e estava fazendo uma aula de salvamento aquático quando teria se afogado. A vítima foi levada ao hospital H-Bento, onde não resistiu e veio a óbito. Ele foi enterrado nessa quarta-feira (28), em Caiapônia (GO).
Virão para Cuiabá Cleuvimar Veloso (pai de Lucas), Tiago Veloso (irmão), a mãe e a noiva do jovem.
“Queremos um encontro com o governador, para a gente demonstrar como estamos insatisfeitos com o que aconteceu. A gente já escutou muita coisa. Queremos saber a opinião dele sobre isso, se ele pudesse conversar com a gente”, afirma Tiago ao
.
“Quando meu irmão foi (para os Bombeiros), foi através de um ato administrativo do governador Mauro Mendes. Ele foi recepcionado pelo governador”, completa.
Tiago também pede que a investigação não fique apenas dentro da corporação. “A gente quer que o Ministério Público seja envolvido. Tem que ter uma investigação por fora também”, salienta.
Pai cobra punição
Quando veio buscar o corpo do filho na terça-feira (27), Cleuvimar conversou com o Comandante do Corpo de Bombeiros, Alessandro Borges e pediu uma punição justa aos possíveis culpados. “Eu não quero julgar ninguém, mas a gente está em cima, não pode deixar isso impune”.
“O comandante me atendeu, gente boa demais da conta. Me deu todo o suporte logístico que eu precisei, que eu tive para buscar o corpo dele (Lucas). Falei para ele (Alessandro) que não quero que seja punição máxima ou mínima, eu quero que seja na medida. Não quero prejudicar ninguém. Uma punição justa. Militares têm esse corporativismo, de um ficar ajudando o outro. Falei para ele que não quero isso. Eu quero que seja justo. Justo e perfeito”, salienta.
“Eu não posso deixar a memória do meu filho ficar desse jeito. Porque eu não quero nada. Eu queria era a vida dele e eu não vou conseguir de volta”
Cleuvimar Veloso, pai de LucasO pai disse ainda que sua luta é para que outros não sofram sua dor. “Eu quero para que o próximo pai não sofra igual eu estou sofrendo. Só isso que eu quero. Eu quero evitar um sofrimento igual nós tivemos aqui. A gente não está dormindo. Acorda assustado. São noites em claro. Não é fácil”, desabafa.
“Eu não posso deixar a memória do meu filho ficar desse jeito. Porque eu não quero nada. Eu queria era a vida dele e eu não vou conseguir de volta. Isso nós, seres humanos, não temos essa capacidade. Então, isso eu não vou ter”, acrescenta.
Outro caso
Lucas não é o primeiro aluno a morrer durante um treinamento dos Bombeiros. Em 2016, o aluno Rodrigo Claro morreu durante atividades aquáticas, também na Lagoa Trevisan. A responsável pelo treinamento, a tenente Izadora Ledur, foi acusada de maus-tratos contra Rodrigo.
Posteriormente, o Conselho Especial de Justiça Militar condenou a tenente a um ano de prisão em regime aberto. Em 2022, o juiz João Bosco Soares da Silva, da 11ª Vara Criminal de Cuiabá, anunciou a prescrição da pena e arquivou processo.
No ano passado, o governador Mauro Mendes extinguiu a punibilidade da tenente. O Juizado Especial de Fazenda Pública de Cuiabá determinou, também no ano passado, a promoção da tenente Izadora Ledur ao cargo de Capitã do Corpo de Bombeiros, com pagamento dos salários retroativos ao ano de 2016.
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