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60 ANOS DE HISTÓRIA

Mercado Municipal fecha as portas para demolição e comerciantes são retirados

Reconstrução está prevista para ser entregue em 2025. Enquanto isso, 18 permissionários vão deixar o local e não sabem se irão voltar

Kethlyn Moraes

Annie Souza/RDNews

Mercado Municipal de Cuiab� - desativa��o para demoli��o

Após 63 anos de construção, o Mercado Municipal Miguel Sutil, no Centro de Cuiabá, será demolido e reconstruído. Surgido na década de 1960, o Mercado está abandonado há pelo menos uma década. Os 18 comerciantes que sobraram no local começaram a ser retirados e devem deixar a área até este domingo (30). Eles relatam insegurança e apreensão sobre o futuro de seus pequenos negócios.

José Augusto Brito, de 79 anos, trabalha no Mercado Municipal há 38 anos. Ele é dono de uma lanchonete, que apesar da atual situação do local, ainda recebe fregueses fieis. O estabelecimento é sua fonte principal de renda.

“Eu sou aposentado, mas a aposentadoria é um salário mínimo, não dá para viver. Essa foi a forma que achei de complementar minha renda. Todos os dias eu acordo às 3h, pego meu carrinho e venho para cá. Chego às 5h30 e começo a trabalhar. É uma vida de trabalho nesse mesmo lugar, para sair com uma mão na frente e outra atrás”, relata o comerciante, emocionado.

Annie Souza/RDNews

Jos� Augusto - Mercado Municipal de Cuiab� - desativa��o para demoli��o

Seu José retira os objetos e pertences do estabelecimento e coloca no seu carro para levar para casa, enquanto conta como é deixar todo seu trabalho para trás. No momento, ele não vai se mudar para outro ponto comercial.

“Vou para minha casa. Vou vender meu freezer e o que der. Para mim não compensa tentar montar outro ponto. Quando a reforma aqui ficar pronta, deve ficar muito bom. Disseram que será entregue em dois anos. Mas até lá não sei como vai ser, como vou estar. Não tenho condições de alugar outro local e recomeçar tudo. Tenho meus filhos que me ajudam. O auxílio vai me ajudar muito, tenho esperança que saia. Mas estou triste de deixar tudo pra trás sem saber como vai ser”, relata.

Annie Souza/RDNews

Jos� Augusto - Mercado Municipal de Cuiab� - desativa��o para demoli��o

O Mercado Municipal foi construído na década de 1960 e foi o primeiro grande mercado da época, surgindo antes mesmo que o tradicional Mercado do Porto. Na época, foram construídos os boxes e adequada a área, que atendeu tanto aos feirantes como algumas empresas que hoje são grandes, como a loja Casa das Tintas, que começou naquela época.

“Cuiabá não tinha mercado. Na época era vendida carne, charque, pendurada em árvore. Não tinha locais adequados para comercialização, então foram criados boxes e a área foi adequada para ter o primeiro mercado no Centro. A nata da cuiabania, as famílias tradicionais, frequentavam o mercado. Era um ponto de encontro no Centro”, explica o secretário municipal de Agricultura, Trabalho e Desenvolvimento Econômico, Francisco Vuolo.

Kethlyn Moraes/RDnews

Secret�rio Francisco Vuolo

Neste ano, a Prefeitura implementou uma Parceria Público-Privada para que a iniciativa privada aporte recursos em infraestrutura, equipamento para poder melhorar a condição da cidade, tendo como contrapartida o direito à exploração. Nessa PPP, foi acordado que a empresa vencedora, a CS Mob, vai revitalizar o Centro implantando o estacionamento rotativo e reconstruindo o Mercado Municipal.

“O Mercado Municipal, desde a sua inauguração não passou por nenhuma reforma grande. Por não ser tombado como patrimônio histórico, não conseguimos recursos federais. Então, essa foi a solução encontrada para tirar o local do abandono”, disse.

O visitou o local, que está com toda sua estrutura antiga precária. Os banheiros estão sem condições de uso, as edificações parecem estar ruindo, além da sujeira e sensação de insegurança no local.

Mafalda, cozinheira e dona de um restaurante, afirma que tem sido difícil trabalhar no local da forma que está, abandonado, e defende que ele precisa urgentemente de uma reforma.

“As pessoas não querem vir comer aqui no restaurante, têm medo, porque o Mercado Municipal está abandonado. Aqui também virou ponto de drogas. Eu tenho que levar os mantimentos, panelas, e outros equipamentos para casa todos os dias e trazer no outro dia, porque senão furtam. É muito complicado. O banheiro, tenho que trancar, porque o comum está inutilizável. A situação é muito precária”, diz.

Annie Souza/RDNews

Mercado Municipal de Cuiab� - desativa��o para demoli��o

Apesar da necessidade de uma reforma, a cozinheira afirma que tem receio de como ficará a situação dos permissionários. “Para alugar outro local, é caro. E é tudo provisório, estamos apreensivos”.

Segundo Francisco Vuolo, dentro do planejamento montado e apresentado pela empresa vencedora do certame, ficou acordado que será pago um auxílio para os 18 permissionários do Mercado Municipal hoje durante o período de reforma, para ajudá-los a se estabelecer em outro ponto neste processo. O contrato prevê a entrega da obra em 2025, mas segundo o Município, a perspectiva é que seja entregue ainda em 2024.

Annie Souza/RDNews

Sebasti�o Luciano - Mercado Municipal de Cuiab� - desativa��o para demoli��o

O comerciante Sebastião Luciano está há 23 anos no ponto e tem um mercadinho no local, sua única fonte de renda. Ele também considera a reforma mais que necessária, mas afirma que está apreensivo com a situação.

“Estamos inseguros em alguns aspectos. Não sabemos o preço que o metro quadrado vai custar para gente quando voltarmos para cá, porque isso não foi falado, e não sabemos se será viável, se vamos conseguir voltar. Tivemos reunião com a empresa, mas afirmaram que isso ainda está em estudo. Então ficamos com medo, porque com o investimento que terá, acho que não vamos conseguir pagar o valor cobrado”, desabafa.

“Outra insegurança é se vamos receber esse auxílio aluguel mesmo, porque estamos perto do prazo de ter que sair, mas não assinamos ainda nenhum contrato, não recebemos o valor”

Sebastião Luciano

“Outra insegurança é se vamos receber esse auxílio aluguel mesmo, porque estamos perto do prazo de ter que sair, mas não assinamos ainda nenhum contrato, não recebemos o valor. O ideal seria nos pagar antes, para que pudéssemos alugar outro imóvel já antes, mas só será pago um mês depois. É complicado, o preço do aluguel em outros pontos está um absurdo. Comerciantes aqui do Centro estão tentando sobreviver, não fechamos as portas porque não é fácil mudar de atividade”, diz.

“A maioria das pessoas não sabe que isso aqui ainda funciona, a situação está precária. Do jeito que está não dá mais, então sabemos que tem que ter essa reforma. Mas estamos com essas incertezas. Sabemos que é para melhorar, mas qual será o custo dessa melhora para nós?”, questiona Sebastião.

Auxílio aluguel e incertezas

Segundo Vuolo, não há motivo para apreensão, pois a empresa vencedora já apresentou um cronograma de etapas a serem cumpridas para a obra e irá cumprir o compromisso do auxílio aluguel.

“Isso consta no contrato, inserimos no processo licitatório justamente para garantir esse direito do auxílio àqueles que estão lá, apesar de não termos essa obrigação. O auxílio começará a ser pago a partir de agosto. Na primeira quinzena de agosto a empresa começa a obra, iniciando a demolição. Na mesma época vai anunciar a data que vai começar de forma experimental a instalação do estacionamento rotativo”, esclarece.

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Mercado Municipal de Cuiab� - desativa��o para demoli��o

O valor do auxílio será de acordo com o tamanho da área do comércio que o permissionário tinha no mercado, variando entre R$ 1,3 mil e R$ 4 mil.

Em relação à outra insegurança de Sebastião, Vuolo confirma que não há mais garantias de que os permissionários irão voltar para o espaço.

“Se o permissionário quiser um box lá dentro, terá que fazer as tratativas com a empresa”

Francisco Vuolo

“Não existe mais a relação da Prefeitura com eles. Quando você firma uma PPP, passa para a iniciativa privada a obrigação de investir e o direito de explorar. Só existe agora uma relação com o município, que é de o município cobrar a empresa para pagar o auxílio aos permissionários. A relação comercial não existe mais. Amanhã, se o permissionário quiser um box lá dentro, terá que fazer as tratativas com a empresa”, pontua.

A reforma

De acordo com Vuolo, o novo mercado terá cinco andares de estacionamento, três para lojas e uma praça de alimentação. O investimento será de R$ 80 milhões apenas no mercado e de R$ 120 milhões na obra toda, incluindo o estacionamento rotativo. Esse valor não terá contrapartida do Município.

“O mercado vai ficar muito moderno, com repaginação da parte arquitetônica do projeto para que não perca as características de um mercado regional. Isso vai garantir uma mudança no perfil de toda aquela região. Você só consegue atingir o objetivo de inverter essa situação onde o social não consegue chegar a partir do momento que você implementa a atividade econômica nova como essa”, destaca.

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Cuiabano 31/07/2023

Mais obra que vai começar e só Deus sabe quando vai terminar.

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jessica lima 29/07/2023

espero que seja revitalizado, um local de muita história não pode sucumbir.

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2 comentários

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