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Silval Barbosa (PMDB) afirmou que seu governo recebeu propina da JBS
O ex-governador Silval Barbosa (PMDB) afirmou que seu governo recebeu propina da JBS e outras quatro empresas frigoríficas de Mato Grosso em troca de benefícios fiscais. Os valores de propina acordados ultrapassam R$ 45 milhões e os esquemas constam na delação premiada que o peemedebista prestou à Procuradoria Geral da República (PGR).
A colaboração de Silval já foi homologada pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na última sexta (25) o ministro determinou a retirada do sigilo do depoimento e autorizou a abertura de um inquérito para apurar os casos de corrupção em Mato Grosso.
Confirmando a delação premiada prestada por Wesley Batista, um dos proprietários do conglomerado JBS e delator na operação Lava Jato, Silval relatou que esteve mesmo com o empresário em 2011, quando pediu ajuda para quitar dívidas da campanha eleitoral. Na ocasião, Wesley aceitou pagar os débitos desde que a empresa recebesse benefícios fiscais em Mato Grosso.
As propinas da JBS eram recebidas pelo ex-secretário Pedro Nadaf. O ex-governador contou na delação que um dos pagamentos feitos pela JBS ficou entre R$ 9 milhões e R$ 10 milhões e foi realizado em 2012 em nome dos empresários Francisco Carlos Ferres, o Chico Badotti, e Valdir Piran, que era conhecido como “Kuki”. Outro montante de mais de R$ 9 milhões foi pago pela JBS para Silval através da Trimec, empresa de Wanderley Faccheti Torres.
O delator afirmou também que depois desses pagamentos e outros que ele não se recordava, a JBS ainda ficou devendo R$ 8 milhões de propina. Ele disse à procuradoria que acreditava que a empresa brasileira pode ainda ter financiado sua campanha ao governo do estado em 2010.
Frigoríficos
Silval relatou à procuradoria o nome de quatro outros frigoríficos que lhe repassaram propina ou lhe ajudaram durante a campanha ao governo estadual em 2010. O ex-governador citou que em determinado momento pediu para Nadaf encontrar fundos para pagar duas dívidas com o empresário Ricardo Novis. Uma no valor de R$ 1 milhão, contraída por ele mesmo e outra de R$ 4 milhões, contraída pelo ex-vice governador Chico Daltro.
Os dois débitos foram pagos por intermédio de um frigorífico de Rondonópolis, cujo nome não foi lembrado por Silval. O contato com a empresa foi feito por Nadaf. Aa planta recebeu benefícios fiscais pelo pagamento da dívida.
Sobre outro esquema feito com empresas de processamento animal, Silval disse ter se encontrado e negociado com o empresário Marcos Molina, dono da Marfrig, em 2010 ou 2011. Nesse encontro, o delator pediu que Molina o ajudasse a pagar algumas dívidas herdadas pelo governo anterior. Molina, então, teria concordado em sanar esses débitos desde que a empresa fosse enquadrada no Programa de Desenvolvimento Industrial e Comercial (Prodeic).
A operacionalização do esquema também teria sido realizada por Nadaf. O acordado é que a Marfrig repassaria um valor de R$ 4 milhões a R$ 5 milhões, sendo que no final das contas o empreendimento ficou devendo cerca de R$ 1,5 milhão, de acordo com Silval.
Outro que operou no esquema de ilegalidade, segundo Silval, foi o empresário Milton Belicanto, proprietário do frigorífico Frialto, em Sinop. O ex-governador contou que em troca de um enquadramento da empresa no Prodeic foram pagos cerca de R$ 6 milhões em propina.
O ex-governador ainda citou à Procuradoria o nome do frigorífico Redentor. De acordo com Silval, a empresa possivelmente o auxiliou na campanha de 2010, apesar dele não se lembrar do valor.






