Destaque no futebol americano brasileiro, Igor Mota conta com uma carreira repleta de conquistas, com títulos nacionais e estaduais, além de uma vitória notável na Copa América. Como capitão da Seleção Brasileira, o jogador tem sido uma liderança essencial, demonstrando sua versatilidade ao atuar em várias posições no campo.
Sua jornada como jogador profissional nos Estados Unidos marca um capítulo pioneiro na sua carreira e no esporte no Brasil. Entre os momentos mais memoráveis, destacam-se o prêmio de MVP na Copa do Mundo de 2015 e o título de Campeão Sul-Americano em 2023.
Peça-chave para sua equipe e uma inspiração para muitos no esporte, Igor Mota também conquistou os títulos de Campeão Brasileiro em 2010, 2012 e 2017. Além de jogador, Igor é o Head Coach do time do Cuiabá Arsenal, primeiro time de futebol americano de Mato Grosso. Desde 2007, ele esteve presente em todas as convocações da Seleção Brasileira, consolidando ainda mais sua importância no cenário do futebol americano.
Em entrevista especial ao
, Igor falou sobre a carreira no futebol americano, destacou o início do sonho e explicou como funciona a vida de um jogador na modalidade esportiva. Fora isso, o carioca comentou como é ser atleta destaque no Brasil e relembrou conquistas marcantes em seu currículo.
Veja, abaixo, os principais trechos da entrevista
Figura destaque no futebol americano brasileiro, quem é Igor Mota dentro e fora de campo?
Sou um competidor nato, a vida inteira pratiquei esporte, sempre tentando fazer o melhor possível. Joguei futebol desde criança, além de outros esportes que tinha na escola, sempre estava presente. Tudo que envolvia desempenho eu buscava dar o meu melhor. Fora do esporte, sou uma pessoa que tenta dar atenção para todo mundo, me preocupo com o bem-estar das pessoas, tento acolher e entender a visão que cada pessoa tem de um problema ou qualquer outra situação. Busco fugir de conflitos, onde tento fazer política de boa vizinhança. Sou calmo nos momentos certos e enérgico durante as competições e na hora que for preciso.
Carreira de sucesso no futebol americano. Como iniciou a trajetória na modalidade?
Eu tinha morado uma época no Rio de Janeiro para fazer cursos e faculdade, mas consegui passar na UFMT e voltei para Cuiabá. Naquela época eu jogava bola, mas só pelada nos fins de semana. Um certo dia um grupo de amigos descobriu que tinha uma galerinha que a pouco tempo havia começado a jogar futebol americano. Isso foi em 2004, quando eu ajuntei com essas pessoas e fui fazendo essa brincadeira virar um esporte. E contribui com a ideia de ser um time de futebol americano para disputar competições oficiais.
Em 2006 conseguimos montar quatro times com oito pessoas aproximadamente, para competir entre nós mesmos. Nisso ainda era uma brincadeira, mas nós pensamos assim, se juntarmos esses quatro times, vai dar um galera boa para sermos um time de verdade. Um dos nossos amigos conseguiu contato de uma pessoa de Brasília, que já tinha um time profissional lá, onde conseguimos marcar um amistoso, foi ali que surgiu o interesse pelo esporte. Tudo começou em 2004, através de brincadeira, sem pretensão nenhuma, mas em 2006 veio o primeiro torneio e primeiro amistoso oficial.
Atualmente você é considerado peça importante no Cuiabá Arsenal. Me fala um pouco da história desse time?
Como está a saúde financeira do Cuiabá Arsenal? Como o clube sobrevive?
O Cuiabá Arsenal é uma associação sem fins lucrativos, então tudo que conseguimos captar é destinado ao próprio time para pagar as despesas durante a temporada. Cada vez está ficando mais caro esse esporte, porque o nível de proporção que está criando é muito grande. Nos Estados Unidos, por exemplo, é um dos esportes mais caros, além de mover muita gente, porque cada time tem em média 70 atletas que são ativos para jogar. Fora a equipe de gestão, saúde, além de outras partes administrativas. Existem patrocínios que fazem parte da nossa sustentabilidade, além de emendas e projetos sociais que são capacitações de recursos para ajudar a manter o Arsenal durante uma temporada. Nós recebemos apoio do governo, mas na maioria das vezes não é financeiro. Por exemplo, ganhamos ajuda no transporte paga as viagens. O governo tem ficado bem próximo da gente para facilitar em termos de logística e outros meios, como campo para treinamentos e jogos.
“Nunca trabalhei pensando em ter sucesso ou ser reconhecido a nível de ser referência”
Igor MotaComo você se preparou para chegar nesse nível profissional, esperava todo esse sucesso?
Não, nunca trabalhei pensando em ter sucesso ou ser reconhecido a nível de ser referência. Eu sempre pensava ser o melhor. Se tínhamos vários atletas bons no time, eu também queria ser bom. Queria ser o mais rápido, o mais forte, inteligente, trabalhava junto com essas pessoas e me inspirava nas quais eram melhor que eu para poder ser igual. Copiava e treinava para isso. Mas nunca tive esse pensamento de ser referência na modalidade. Meu objetivo era fazer o Arsenal ser o principal time do Brasil.
Quais são as principais dificuldades que um atleta do futebol americano? Você passou por alguma?
Como eu iniciei o futebol americano desde o início, quando tudo era mato, a dificuldade que a gente teve era como qualquer atleta amador tem no Brasil. Tem que se sustentar para poder praticar o esporte. Comprar materiais, se preocupar com treinamentos, alimentação, rotina de atleta, gastar com viagens e aprendizado, sem incentivo de achar um campo para treinar, chegamos a treinar em estacionamento ou achar outro meio para realizar as atividades. Faltava muita estrutura, então essas eram as dificuldades. Hoje vejo que as principais dificuldades dos jogadores que estão começando são por exemplo de entrar no ritmo e ter mentalidade de atleta da modalidade. Percebo que existem esses impasses, até porque todos os times querem pessoas dedicadas e comprometidas. O Futebol Americano é um esporte bem democrático.
Como são os treinos de jogadores de futebol americano? Quais fatores importantes para uma boa preparação?
Primeiro de tudo você tem que saber como será o calendário. Assim como outros esportes, existe uma periodização, então ela vai fazer com que você ganhe primeiro um condicionamento. Existe uma periodização na sala de academia ou na funcional, além da parte tática do futebol americano, que é primordial no jogo. O futebol americano tem time com tática muito bem trabalhada, ele é superior a time que só é força bruta correria. Os jogadores têm que ter muitas horas dentro da academia, além de bastante tempo de estudo tático para saber estudar o adversário. Existe também o treino em campo para saber melhor posicionamento na hora do jogo.
Como foi a sua jornada como jogador profissional nos Estados Unidos? O que ficou marcado na carreira?
Como funciona o calendário do futebol americano? Quais são as competições mais importantes?
Fizemos um amistoso em junho e temos o nosso primeiro jogo na temporada, que será neste domingo, no Dutrinha. A temporada regular são quatro jogos, ou seja, faltam três, logo na sequência vem os playoffs, que é mata-mata. A partir dai é sobreviver, ganhou fica, perdeu tá fora. Nosso campromisso para esse ano é o Campeonato Brasileiro, a Liga Brasileira de Futebol Américano BFA, que segue até novembro. Provavelmente teremos um tryout, que é a seletiva para novos jogadores.
Você se sente pressionado quando entra em campo? Como você trabalha o emocional?
Não me sinto pressionado, mas sei que tenho uma responsabilidade de estar em condições para ter uma boa liderança dentro de campo. Conseguir guiar meus jogadores para que estejam na mesma página ou no momento de dificuldade ou de alegria, ter calma para ser um bom líder dentro de campo. Então não me sinto pressionado para ser o melhor, venho trabalhando isso há muito tempo para ter tranquilidade para ajudar o time a ficar bem. Não vejo isso como pressão, mas sim como responsabilidade, e inclusive acho legal ter responsabilidade e curto numa boa.
Presente em diversas convocações da Seleção Brasileira, como é defender o país nas competições? Quais são as conquistas marcantes com a camisa do Brasil?
Referência na modalidade esportiva, quais conselhos você deixa para quem tem interesse de seguir carreira no futebol americano?
“Comprometimento, a principal palavra para quem quer iniciar no Futebol Americano”
Igor MotaComprometimento, a principal palavra para quem quer iniciar no Futebol Americano. Quando você se compromete a fazer algo, você vai se abdicar-se algumas outras, priorizar o que você se comprometeu a fazer, e você vai englobar o resto. Então se você compromete a participar de uma temporada de qualquer time ou esporte que seja, você tem que se preparar para isso, a partir daí entra disciplina para acordar na hora certa, comer do jeito correto, fazer treinos específicos, dormir tarde ou acordar cedo se for preciso. Tem se disciplinar para ser uma pessoa comprometida e aceitar que vai doer por muitas vezes, mas tem que seguir no propósito, ir até o final ao que você se comprometeu a fazer.
Igor Mota convoca torcida para confronto entre Cuiabá Arsenal e Rondonópolis Hawks
Amanhã (domingo) tem jogo do Cuiabá Arsenal contra o Rondonópolis Hawks, às 17h, no Dutrinha. Um dos jogos mais importantes da nossa divisão e ter o apoio da torcida é fundamental. Sempre tivemos o apoio, mas não é mais torcida familiar como antes, uma parte muito legal. Você olha para o Cuiabá Arsenal e não vê só a família da galera nas arquibancadas, são pessoas que gostaram do futebol americano e souberam que na cidade tem um time referência no país. Hoje não é difícil ver torcedor com a camisa do Cuiabá Arsenal. Então é muito importante ver a arquibancada cheia nos dias dos jogos. Quem tiver condições de nos ajudar amanhã, venha e faça a festa.









Demétrio Sanches 28/07/2024
Futebol americano como programa de domingo? Por isso entendemos por que tanta gente que tem condições tá indo embora de Cuiabá e indo morar onde o clima é melhor, o custo de vida é mais baixo, onde tem praia e brisa e coisas de fato interessantes pra ver num final de semana. Esta cidade definitivamente acabou mesmo. Fica quem aguenta o calor, quem aguenta respirar nesse clima seco e quem se contenta com futebol americano.
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