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Executivo Quarta-feira, 25 de Setembro de 2019, 09:45 - A | A

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DISCURSO NA ONU

Bolsonaro acusa cacique de ser "peça de manobra" dos governos estrangeiros

Mikhail Favalessa

Reprodução

Raoni Macron

Cacique Raoni durante encontro com o presidente Macron

O presidente da República, Jair Bolsonaro (PSL), usou trecho de seu discurso na abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) para atacar o cacique Raoni Metuktire, da etnia caiapó de Mato Grosso, e o acusar de ser “peça de manobra” do interesse de governos estrangeiros na Amazônia. Bolsonaro reforçou seu discurso de campanha e do início de governo de que não demarcará novas terras indígenas.

“Hoje, 14% do território brasileiro está demarcado como terra indígena, mas é preciso entender que nossos nativos são seres humanos, exatamente como qualquer um de nós. Eles querem e merecem usufruir dos mesmos direitos de que todos nós. Quero deixar claro: o Brasil não vai aumentar para 20% sua área já demarcada como terra indígena, como alguns chefes de Estados gostariam que acontecesse”, começou o presidente.

O dado utilizado, contudo, é impreciso. Dados da Funai apontam que o país tem 440 terras indígenas demarcadas e seis com restrição de uso, que ocupam 12,6% do território nacional. Se somadas áreas em estudo ou que aguardam sanção presidencial, o número chega a 13,7%.

O presidente citou que existem 225 povos indígenas no país, além de referências a 70 tribos vivendo em locais isolados, cada qual “com seu cacique, sua cultura, suas tradições, seus costumes e principalmente sua forma de ver o mundo”. Para o presidente, a” visão de um líder indígena não representa a de todos os índios brasileiros”.

“Muitas vezes alguns desses líderes, como o cacique Raoni, são usados como peça de manobra por governos estrangeiros na sua guerra informacional para avançar seus interesses na Amazônia. Infelizmente, algumas pessoas, de dentro e de fora do Brasil, apoiadas em ONGs, teimam em tratar e manter nossos índios como verdadeiros homens das cavernas”, atacou.

O cacique Raoni é conhecido internacionalmente por sua luta em defesa da Amazônia e dos povos indígenas. Ele foi uma das principais lideranças atuantes na criação do Parque Nacional do Xingu, no Norte de Mato Grosso, homologado em 1993 depois de um processo iniciado em 1961. A ação do cacique incluiu encontros com diversos presidentes de outros países para pressionar o governo brasileiro a escutar as demandas dos indígenas.

“O Brasil agora tem um presidente que se preocupa com aqueles que lá estavam antes da chegada dos portugueses. O índio não quer ser latifundiário pobre em cima de terras ricas. Especialmente das terras mais ricas do mundo. É o caso das reservas Ianomâmi e Raposa Serra do Sol. Nessas reservas, existe grande abundância de ouro, diamante, urânio, nióbio e terras raras, entre outros”, defendeu Bolsonaro.

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