A ex-assessora da juíza aposentada Selma Arruda, Daiane Balerini Bocardi, disse que para julgar as ações nas quais ex-conselheiro do Tribunal de Contas Humberto Bosaipo é réu a então magistrada usava como critério de prioridade o fato desses processos terem “maior repercussão na mídia”.
Trecho do depoimento foi citado em um pedido de suspeição impetrado por Bosaipo junto ao Tribunal de Justiça, no qual requer a anulação de todos os atos decisórios proferidos por Selma na ação penal em que foi condenado a 18 anos e 4 meses de prisão e ao pagamento de 433 dias-multa pela prática dos crimes de peculato e lavagem de dinheiro. A condenação ocorreu em novembro passado. O recurso foi protocolado nessa terça (22) e tem como relator o desembargador Marcos Machado.
Daiane inicia seu depoimento afirmando que possui relação de amizade íntima com Selma há mais de seis anos, sendo a ex-juíza sua madrinha de casamento. “Ocorre que a informante Daiane foi enfática e espontânea ao afirmar que a prioridade no julgamento das ações penais em que o excipiente (Bosaipo) figura como réu estava relacionada com critérios de repercussão na mídia”, diz a defesa do ex-conselheiro.
Neste sentido, Daiane terá afirmado, inclusive, que a referida condenação de Bosaipo foi proferida antecipadamente, antes que os pedidos de exceções fossem julgados, por conta de que havia no caso “prioridade por relevância social”. Veja abaixo trecho do depoimento de Daiane colhido pelo desembargador do TJ, Marcos Machado, que também é relator do recurso de Bosaipo.
Desembargador: O que é relevância social no conceito da Doutora Selma - transmitida a você, claro né?! É dela o conceito para essa escolha de sentenciar um processo de réu solto?
- Daiane: Olha, eles estavam lá no Apolo, eles estavam como prioridade.
- Desembargador: No Apolo?
- Daiane: Eles estavam lançados no sistema como prioridade.
- Desembargador: Mas quem lança essa prioridade?
- Daiane: Eu não sei te falar desembargador.
- Desembargador: Mas estavam lançados os processos?
- Daiane: Eles estavam lançados. Tanto que tem vários processos, do Humberto Bosaipo, do Riva, como relevância social, que tinha maior repercussão no Estado.
- Desembargador: Espera ai. Relevância social escrito no Apolo?
- Daiane: Eu acho que eles tem uma classificação lá. Salvo engano.
- Desembargador: Eu desconheço. Isso é interessante.
- Daiane: Mas eles tinham maior repercussão na mídia né?
A defesa também cita o depoimento da ex-assessora da juíza, Midiã Maria de Carvalho Gonçalves de Sá, que foi proibida por Selma de atuar nos processos de Bosaipo porque eles freqüentam a mesma igreja. “[...] quando ela (Selma) soube que nós (Bosaipo e Midiã) éramos da mesma igreja, eu fui proibida de despachar qualquer dos processos dele”.
Midiã disse que todos os assessores da magistrada trabalhavam juntos em uma sala, na qual era possível ouvir tudo o que Selma conversava com cada um deles. Neste contexto, citou que as teses que compunham as decisões e despachos proferidos na 7ª Vara eram comumente compartilhadas e discutidas os assessores isoladamente e/ou em conjunto com a juíza.
Questionada se recebeu orientação da juíza para escrever alguma minuta de decisão ou despacho negando pedidos de Bosaipo, a ex-assessora nega e ressalta que cabia à Daiane Bocardi elaborar minutas dos despachos e decisões relacionados a Bosaipo.
A testemunha conta que quando os processos chegavam ao gabinete, por vezes já tinham alguma orientação e quando havia algum pedido diferente, Daiane recebia orientação da juíza para negar os pleitos. Neste contexto, Midiã destaca que sua mesa ficava na porta da sala de Selma, de modo que ouvia tudo o que era dito lá dentro.
Enquanto ainda estava lotada no gabinete de Selma, Midiã também prestou declarações afirmando que presenciava “clara disposição para condenação do excipiente Humberto Melo Bosaipo”. Citou como exemplo que a juíza dava ordens de indeferimento para todos os requerimentos de Bosaipo, “sem antes fazer qualquer análise de forma pessoal dos pedidos correspondentes, por se tratar de processos que geravam repercussão na mídia, ao passo em que dava vossa excelência tratamento oposto ao Ministério Público Estadual nos mesmos processos, analisando e deferindo todos os seus pleitos”.
À época, Midiã também declarou que a postura “parcial” da magistrada se dava em função da repercussão que os processos de Bosaipo geram na mídia.
Outro lado
Por meio de assessoria, Selma informa que está ciente do pedido de suspeição de Bosaipo, mas ainda não teve acesso à íntegra do documento. Só após ler o recurso é que ex-juíza deve se manifestar.
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jose alves silva 24/05/2018
só espero que o povo de mt não eleja esse tipo de candidato já aposentada e ainda quer ganhar mais imagine quantas pessoas no brasil que lutam para aposentar e não consegue e essa senhora e ainda quer ser politico para ganhar ainda mais por favor votem em quem precisa não vote nos que já são privilegiados
Adaildon Moraes Costa 24/05/2018
Penso que o julgador deve ser imparcial, porém, vale destacar que se o sujeito é autor de crime e as provas estão cristalina nos autos, deve ser aplicado a lei, ou seja, a condenação do criminoso penalmente e se for o caso o ressarcido os cofres públicos de valores ou bens desviados. O exemplo deve partir de cima, não se trata de relevância social, mas de alguém que, em tese, tinha uma representação política e a usou para se beneficiar.
Carlos Nunes 23/05/2018
Quem mandou Silval, Riva, e outros poderosos adquirem expressão nacional...a Juíza lascou neles a Lei. Quer dizer que não era pra Juiza puni-los? Dizem que a Imprensa é o quarto Poder de um Democracia...quem eles apontam, denunciam, a Justiça deve ficar atenta, ou não? Tão zangados com a Juíza, porque antigamente cadeia no Brasil era só pra Pobre, P... e P... Agora também é pra ex-presidente, ex-governador, ex-ministro, ex-prefeito, ex alguma coisa. Do Dr. JOAQUIM BARBOSA pra cá, cadeia no Brasil passou a ser pros grandes. Mexeu com os grandes vira "maior repercussão na mídia". O Pobre Zé já tava preso faz tempo, e ninguém importava com isso...agora mexeu com Dr. José é outra coisa. Datena ficou, quase uma semana, narrando o caso de um brasileiro pobre que furtou uma peça de bacalhau e ficou 2 ANOS PRESO. Conclusão da estória: Os poderosos tem repercussão na mídia. Os pobres são anônimos, invisíveis, não tem repercusão nenhuma. A Juíza mandou os poderosos pra cadeia...e eles chiaram a beça.
edi 23/05/2018
Selma Arruda, nao trema na base. Políticos antiquíssimos falam assim. Futano nao tem defeito? Ótimo. Vamos arrumar um agora pra ela e colar nela. Fazer igual um ditador sanguinário da europa que falou 999 mentira até que terminou virando verdade. O jogo é pesado. Vale na canela, rasteira por traz, dedo no olho, spry de pimenta simulando aerosol perfumante axilar, pó de mico, chingar mãe, questionar fidelidade, enfim vale tudo . Fica Iceberg. Você esta incomodando. Esta eleita. Vamos lá senadora.
Rodrigo Rodrigues (o Chacal) 23/05/2018
Tai a parcialidade da Paladins da moral e bons costumes. Eu vou peitar vc doutora! Vou ao Senado.
5 comentários