O Governo do Estado apresentou, na tarde desta quinta (27), proposta ao Sintep – entidade que representa os servidores da Educação – para pagar os valores que foram cortados dos grevistas. No entanto, a medida somente será concedida caso a categoria suspenda o movimento paredista. O sindicato deverá debater o assunto em assembleia, na próxima segunda (1).
Rodinei Crescêncio
Juiz Hildebrando Marques conduz audiência de conciliação entre membros do Governo, como Mauro Carvalho (Casa Civil) e representantes do Sintep
O encontro do Sintep e representantes do Executivo foi determinado pela desembargadora Maria Erotides Kneip, do TJ-MT, após os grevistas recorrerem da medida judicial que havia autorizado o corte de ponto. A magistrada negou liminarmente (de modo provisório) o pedido da categoria e orientou que fosse realizada uma reunião de conciliação, para que as partes chegassem a um acordo sobre o assunto.
A paralisação da categoria teve início em 27 de maio, mês no qual foram cortados quatro dias dos pontos dos grevistas. Em junho, segundo o Governo, foram cortados 100% dos pontos dos servidores que aderiram ao movimento.
Para pagar os valores cortados, o Governo apresentou proposta na qual irá repor 50% dos valores em 20 de julho e outros 50% até 10 de agosto. O Executivo somente seguirá tal cronograma se os professores voltarem às salas de aula a partir de terça (2). Segundo o Governo, 42% das escolas permanecem paralisadas no Estado.
Na reunião desta quinta estiveram presentes os secretários estaduais Mauro Carvalho (Casa Civil), Basílio Bezerra (Gestão e Planejamento) e Marioneide Kliemaschewsk (Educação). Do Sintep, estiveram presentes o presidente estadual, Valdeir Pereira, e um dos diretores do sindicato, Henrique Lopes. O encontro foi intermediado pelo juiz Hildebrando Costa Marques, coordenador do Núcleo Permanente de Métodos Consensuais e Conflitos.
Rodinei Crescêncio
Enquanto rolava audiência de conciliação dentro do TJ, grevistas protestavam na porta, carregando um "caixâo" em alusão ao "velório do governador Mauro"
Carvalhoafirmou que a proposta em relação ao corte de pontos tem o principal objetivo de que o ano letivo seja concluído em 2019. Espera que os servidores compreendam a situação financeira atual do Estado e retornem às salas de aula a partir de terça.
“Mas caso a proposta não seja aprovada em assembleia geral, será retirada de pauta por outra negociação que pode surgir no futuro. Essa proposta só tem validade até segunda [1]”, declarou.
Outros pontos
Durante a reunião, as partes discutiram sobre outros temas, como o ponto mais polêmico da paralisação, que é a concessão da Lei 510/2013, de Dobra do Poder de Compra, que prevê reajustes nos salários dos servidores da Educação para equipará-los às outras categorias – neste ano, o reajuste deveria ser correspondente a 7,6% do salário.
Carvalho ressaltou carta enviada pelo governador Mauro Mendes (DEM) e disse que o reajuste correspondente à lei, somente poderá ser concedido após o Executivo voltar a cumprir a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). “O governo só vai conseguir cumprir a Lei a partir do momento em que atingir os 49% com gastos com pessoal, conforme a LRF. Hoje estamos em 58%”.
Rodinei Crescêncio
Do lado de fora do TJ, professores esperavam resultado de audiência segurando cartazes
Ele disse ainda que o Estado investirá R$ 35 milhões em manutenção e reforma de unidades escolares estaduais, pagamento de férias de contratados e convocação de 681 aprovados em concursos. “Já estamos fazendo investimentos de R$ 115 milhões na Educação, além do que estava previsto no orçamento de 2019”.
Sintep avaliará proposta
O presidente do Sintep afirmou que a proposta não trouxe nenhum avanço às reivindicações que a categoria faz desde o início da greve. “Na prática, estamos aguardando que Governo apresente negociação amanhã, que avance nas pautas da greve, como a Lei 510”.
O vice-governador Otaviano Pivetta (PDT) havia prometido encaminhar uma proposta, por meio da Seduc, nesta sexta (27). Apesar da expectativa do sindicato de que seja um avanço nas pautas de greve, o secretário Mauro Carvalho comentou que o documento encaminhado aos grevistas será apenas a oficialização do que foi discutido na reunião desta quinta.
Segundo Valdeir, independente do teor do documento, a proposta será avaliada pela categoria. “Toda proposta é submetida à assembleia. O Governo apresenta o que quiser, mas tem proposta que é indefensável. No caso dessa questão que estão colocando, a categoria é bem clara: o que encerra a greve é uma proposta que mostre, no horizonte, em que período será aplicada a Lei 510”.
“Uma das cobranças é que o Governo cumpra com a Constituição do Estado, que é suficiente para a gente avançar em qualquer negociação. O sindicato tem apontado elementos claros, que são referentes ao cumprimento da Constituição”, acrescentou.
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Evando 28/06/2019
Esse governo não tem vergonha. Paga aos profissionais mais importantes do estado o menor salário. O engraçado é que ele concedeu reajuste para o funcionários dos deputados e para o judiciário. Por que será? Seria para poder fazer tudo o que quer e passar por cima dos menos favorecidos.
alexandre 28/06/2019
A greve vai durar uns 5 anos, pois o governo não pode dar o aumento...
Orlandir Cavalcante 27/06/2019
Cumprir a 510 é o fim da greve o resto.... é resto.... Sou da educação com orgulho pois sempre fizemos valer nossos direitos
Wilsons 27/06/2019
Kkk governador, fica com meu salário.Nao quero esmola. sou professor com orgulho. Sou muito mais qualificado do que você é ou será. A GREVE CONTINUA.
Fernando 27/06/2019
Eu disse, o Brasil não e um pais serio mesmo, todo governo arrega para os sindicatos e paga os dias parados. Isso e moeda de troca pra findar a greve.
ROBSON JOSÉ 27/06/2019
É simples, sem a concessão da 510/2013 a greve continua!
6 comentários