Mirian Ribeiro, advogada e esposa do lobista Andreson Gonçalves, estaria tão envolvida no esquema de vendas de sentenças quanto seu companheiro. As informações foram publicadas pela edição de novembro da revista Piauí, que expôs como Mirian acumulava vitórias milionárias em processos de grupos empresariais expressivos como o J&F, dos irmãos Joesley e Wesley Batista.
Com um escritório pequeno e modesto em Primavera do Leste (a 234 km de Cuiabá), Mirian fazia o caminho contrário a Andreson, que se gabava sobre ter acesso antecipado a minutas e decisões e exercer sua influência sobre os servidores do Supremo Tribunal de Justiça (STJ).
A reportagem cita que a chave estava na concentração da distribuição descrita como "atípica" de processos da advogada para o ministro Paulo Dias Moura Ribeiro. Dos 201 processos em que Mirian trabalhou no STJ, 47 passaram pelo gabinete do magistrado e, em 72,5% deles, ela foi vitoriosa. O jornalista Breno Pires aponta ainda que, em 16 dos processos, Mirian só foi contratada quando as ações já estavam sob a relatoria de Moura Ribeiro, o que indicaria que os clientes já conheciam o possível esquema que acontecia.
Nos demais gabinetes, o índice de vitórias da advogada cai para cerca de 43,5% dos casos.
No momento, há uma investigação em curso específica sobre o gabinete de Moura Ribeiro, após trocas de mensagens entre ele e o lobista Andreson Gonçalves terem sido encontradas. A apuração visa identificar se houve o vazamento das informações e tráfico de influência.
Operação Sisamnes
A Operação Sisamnes, deflagrada em novembro de 2024, levou à prisão de diversos investigados por envolvimento em uma organização criminosa que atuava na venda de decisões judiciais em processos milionários.
Após sua prisão, a defesa de Andreson vinha alegando condições de saúde debilitadas, chegando a dizer que o lobista estaria passando fome em sua cela, além de ausência de condenação definitiva como argumentos para a concessão da prisão domiciliar.
O lobista cumpre medidas cautelares enquanto aguarda o andamento do processo.
O outro lado
A advogada Mirian Ribeiro se manifestou, por meio de nota encaminhada ao
nesta segunda-feira (10/11), e contestou as informações divulgadas pela Revista Piauí e outros meios de comunicação, afirmando que o conteúdo traz “informações inverídicas, acusações infundadas e interpretações distorcidas sobre sua trajetória profissional e pessoal", construídas ao longo de mais de 25 anos de advocacia.
Ribeiro negou qualquer denúncia ou acusação formal contra si e critica o que chama de “conteúdo sensacionalista e fantasioso”, por parte da imprensa, alegando violação de sua privacidade e uso indevido de imagens pessoais. A advogada reforçou também que sempre pautou sua atuação pela ética e pela seriedade e expressa confiança de que “a verdade prevalecerá ao término das apurações competentes”.
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