O desembargador Orlando Perri, do Tribunal de Justiça, determinou o afastamento do secretário estadual de Segurança Pública (Sesp) Rogers Jarbas, por conta das investigações das interceptações telefônicas ilegais.
Gilberto Leite
Secretário Rogers Jarbas é afastado por cargo por determinação do desembargador Perri
A decisão, proferida nesta quarta (20), atende a representação da delegada Ana Cristina Feldner, responsável pela condução das investigações dos grampos. Nesta tarde, o secretário conversou com jornalistas no momento em que estava deixando a sede da Sesp, no Centro Político Administrativo, em Cuiabá. Ele declara que estava indo para a Casa Civil, no Palácio Paiaguás. “Não tomei ciência. Não vi o conteúdo da decisão. Quero saber”, diz.
Rogers, de acordo com o magistrado, ainda será monitorado eletronicamente, por meio de tornozeleira. Ele já estava sendo investigado por Perri pela suspeita de atrapalhar e interferir diretamente nas investigações em andamento.
Na decisão, o desembargador diz que há indicativos “seguros” de que o secretário cometeu e “vem cometendo” inúmeros ilícitos penais, como embaraçar investigação de infração penal envolvendo organização criminosa, abuso de autoridade, usurpação de função pública, denunciação criminosa, prevaricação e outras irregularidades.
Conforme Perri, Rogers usa o cargo para tentar obter documentos sigilosos ou constrangendo autoridades policiais e oficiais militares, além de tentar intimidar pessoas ligadas à apuração destes fatos.
Comportamento questionado
“O secretário demonstra devoção ao governador Pedro Taques (PSDB), inclusive estampada na página no Facebook, diz Perri”
Perri declara que causa estranheza o fato de o secretário investigar, por conta própria e sem autorização de qualquer procedimento administrativo ou judicial, a conduta da delegada Alana Derlene Sousa Cardoso, que, em tese, teve envolvimento em suposto grampo ilegal ocorrido nas operações Forti e Querubim.
O desembargador diz que o convite para a delegada ser interrogada partiu sem a determinação do delegado-geral da Polícia Civil. “O representado entendeu, por bem, ligar para o presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia, que, coincidentemente estava na companhia da doutora Alana”.
Rogers, conforme o desembargador, foi arbitrário ao inquirir a delegada, que não teve qualquer possibilidade de se preparar para o depoimento.
“O detalhe é que não se sabe, ao certo, a que título Alana foi inquirida, pois, até aquele momento, não havia nenhum procedimento instaurado, e, pior, a autoridade policial sequer teve oportunidade de tomar conhecimento do que se tratava a inquirição, tampouco teve tempo para se preparar, haja vista que foi surpreendida com a convocação de seu superior”, declara Perri.
O desembargador questiona a tentativa de Rogers em investigar o ex-secretário da Sesp, o promotor de Justiça Mauro Zaque, responsável pela denúncia dos grampos à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Devoção
Ainda na decisão, Perri diz que o secretário demonstra devoção ao governador Pedro Taques (PSDB), inclusive estampada na página no Facebook. Declara que Rogers vem atuando para beneficiar pessoas próximas, passando por cima de outras autoridades.
O magistrado cita o exemplo do ex-secretário-chefe da Casa Civil Paulo Taques, que, com a finalidade de tomar conhecimento sobre a existência de investigação, ou não, contra sua pessoa, “peticionou” diretamente ao secretário, pedindo cópia do procedimento que tramitava sob sigilo.
“E o curioso, para não se dizer inusitado, é que o secretário de Segurança Pública, simplesmente, proferiu decisão no pedido feito, determinando o fornecimento de cópias, mesmo sabendo que os fatos eram sigilosos”, declara.
O desembargador afirma que “não há a menor sombra de dúvidas” de que Rogers interferiu diretamente nas investigações policiais. Além disso, Perri ressalta que a conduta de interferência e tentativa de favorecimentos a determinadas pessoas está “intimamente” ligada à possível prática de improbidade administrativa, que deve ser apurada pelo Ministério Público Estadual (MPE).
Cautelares
Além do afastamento do cargo, mantendo o salário, e uso da tornozeleira eletrônica, Rogers foi proibido de acessar ou frequentar qualquer órgão governamental, principalmente aqueles ligados à área de segurança pública, manter contato com testemunhas, réus e suspeitos da investigação, assim como de pessoas ligadas ao governo.
O secretário deve comparecer perante o juiz da 11ª Vara Criminal da Capital para realização de audiência para colocação da tornozeleira. Caso descumpra a decisão, Rogers pode ser preso cauterlamente.
Busca e apreensão
Perri ainda autorizou o cumprimento de mandado de busca e apreensão do aparelho celular do secretário, e qualquer outro elemento que possa auxiliar como prova. O desembargador também autorizou buscas na sede da Sesp, onde poderão ser obtidos documentos e outros objetos para o esclarecimento dos fatos.
“Defiro, ainda, o pedido de busca e apreensão nas dependências da secretaria estadual de Segurança Pública, e não apenas na sala do secretário, ficando autorizada a apreensão de documentos de qualquer natureza, inclusive agenda pessoal, planilhas e quaisquer outros elementos de prova relacionados aos ilícitos narrados na manifestação, especialmente aqueles que ligam o investigado a outros membros do alto escalão do governo”, pontua.
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moreira 21/09/2017
Enquanto isso, Perri nada fala sobre os deputados pegos com o dinheiro no Bolso...
Vaneska Oliveira 21/09/2017
meu muito obrigada desembargador por mais esse excelente trabalho. o senhor nos orgulha, orgulha por ser um cidadão cuiabano sem manchas, que busca a verdade e manda punir os bandidos corruptos. jarbas se apresentou com um sorrisinho lambido na cara, rindo da justiça, rindo da nossa cara, rindo do cidadão, demonstrando que ainda não acordou para o pesadelo que vai virar a sua vida. rindo por acreditar que como delegado pode tudo! Pode não jarbas, você é igual a qualquer cidadão, e como servidor público deveria estar mais atento ao cumprimento do dever e não se assemelhar aos corruptos e covarde, esse seu risinho de canto de boca ainda vai te mostrar que se associar ao crime e a criminosos não tem graça nenhuma. Meu pai dizia, bandido é bandido, se espera tudo, agora policial quando se mete a bandido, é o cão dos infernos! Só que a sociedade ja conhece tua cara furada Rogers. cuidado por onde anda, pois estamos de oolhooooo.
Celso lins 20/09/2017
Esse Roger é prepotente e maldoso
jr jr 20/09/2017
ta facil de resolver e a casa do pedrinho araponga cair de vez ,so mandar os que estao presos para presidio federal no RDD e mudo de nome se eles nao entregarem tudo oque estao segurando do pedrinho araponga,90 dias e pronto , apocalipse do governo vamos ver delaçao premiada dos coroneis.
Moacir 20/09/2017
Não resta a menor dúvida, a não ser do MPE, que autoridades da hierarquia superior ordenaram a grampolândia. O sistema é complexo de conceber e de fazer funcionar, administrativamente e tecnicamente, especialmente por que envolveu com a tecnologia atual uma grande quantidade de aparelhos grampeados.
Prof. José M. Guerreiro 20/09/2017
Adorei ,kkkkkkkkkkkkkkkkk
Bruno 20/09/2017
Um secretário de segurança que sempre teve um lado e foi o da Polícia Civil, vai tarde, pois a Segurança Pública é bem mais que o interesse de uma instituição.
Juliano 20/09/2017
Qual a intenção de levar 40 delegados consigo? Intimidar a justiça???????????????????
ricardo 20/09/2017
kkk isso tudo ai são agentes e não delegados
José do Patrocinio 20/09/2017
Parabéns Desembargador! Corretíssima decisão.
Paulo Moura 20/09/2017
nao entendi o pq dos 40 delegados estao querendo fazer presao no juiz, acredito que justiça é para todos se errou tem que pagar seja quem for.
Mariazinha 20/09/2017
Esta declaração do Perri - verdadeira devoção ao P. taques ,é xeque-mate-!
alison 20/09/2017
e as delegacias????
carlos gomides 20/09/2017
toma seu puxa saco, e arrogante
Aline 20/09/2017
Corretíssimo esse juiz, merece o respeito de todos.
Paulo Barth 20/09/2017
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16 comentários