O plenário da Câmara Municipal de Cuiabá decide nesta quarta-feira (5) o processo disciplinar que pode resultar na cassação do mandato do vereador Marcos Paccola (Republicanos). A votação estava marcada para ocorrer na semana passada, mas foi adiada. São necessários treze votos para Paccola perder o mandato por quebra de decoro. Nos bastidores, afirma-se que o vereador deve ser cassado. Acompanhe ao vivo neste link.
A sessão estava marcada para ter início às 9 horas. O vereador Marcos Paccola já está no plenário aguardando o início.
O caso
Paccola virou réu por homicídio qualificado após atirar nas costas do agente do sistema socioeducativo Alexandre Miyagawa, 41 anos, mais conhecido como Japão. O parecer da Comissão de Ética é pela cassação do vereador.
Japão foi morto com três tiros nas costas no Bairro Quilombo, na capital, na noite do dia 1º de julho. Na ação, o MPE denunciou Paccola por homicídio qualificado por motivo torpe e uso de recurso que impossibilitou a defesa da vítima.
Na denúncia, o MPE acusa o vereador por Cuiabá de ter matado Alexandre Miyagawa na expectativa de lucrar politicamente. Na visão do MPE, Paccola tentou forjar uma imagem de "herói" nas redes durante repercussão sobre o crime.
Os promotores apontaram que, após o homicídio, o vereador "veiculou mídias sobre seu suposto ato de heroísmo, além de discursar, no exercício da vereança, exaltando seu feito e desprestigiando a figura da vítima".
Na ação, o MPE também salientou que Paccola, ao decidir interferir na confusão que envolvia Japão e a então namorada, Janaina Sá, com clientes de uma distribuidora de bebidas, ainda teria feito questão de garantir público para o seu ato.
Paccola chora e populares gritam assassino
O vereador Marcos Paccola fala neste momento na sessão. Durante discurso, o parlamentar chorou, enquanto o público o vaiava e gritava assassino. O vereador se defende, dizendo que não ficou feliz ou satisfeito com a morte de Alexandre. No entanto, admite que naquela situação, alguma pessoa sairia ferida, inclusive ele.
“Me envolvi em diversas situações envolvendo pessoas armadas, em condições diferentes, logicamente. Foi uma decisão, infelizmente trágica, na junção da falta de experiência e conhecimento técnico, com álcool”.
Ele continua, dizendo que ninguém viu que ele chora e que também tem família. Neste momento, familiares e amigos de Alexandre vaiam o vereador.
“Queria dizer que as vezes ouvindo minhas falas, não tenham vistos as minhas lágrimas, nem a da minha família. Não pensem, ao irmão, a mãe [de Alexandre], eu também tenho mãe. Naquele dia essa decisão que eu tomei, se não fosse aquela, talvez eu não estaria aqui, muito provavelmente não estaria aqui”, se lamenta.
No entanto, admite que naquela situação, alguma pessoa sairia ferida, inclusive ele, já que o agente também estaria armado.
“Não é que ele queria me atirar porque sou malquisto ou pelo meu histórico, porque numa situação com duas pessoas que se encontrassem naquele cenário, dificilmente a gente consegue ter um resultado diferente daquele que já teve”.
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Francis 05/10/2022
Se Pacolla for cassado pela Câmara de Vereadores, o TJ o empossa novamente. O processo está em fase inicial na justiça, não houve nenhum julgamento. Isso garante sua permanência na casa.
1 comentários