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CATHEDRA VENALIS

Gaeco apura “mensalinho” de R$ 10 mil para reeleger Wanderley; entenda

Denúncia feita ao Gaeco aponta que vereadores de Várzea Grande eram obrigados a assinar carta renúncia como garantia de votos para eleição da Mesa Diretora

João Aguiar e Kleyton Agostinho

O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), investiga um suposto esquema de pagamento de R$ 10 mil a vereadores de Várzea Grande para garantir apoio à reeleição do presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB). À frente da Mesa Diretora no biênio 2025-2026, o parlamentar busca permanecer no comando do Legislativo por mais dois anos, de 2027 a 2028. As suspeitas motivaram a deflagração da Operação Cathedra Venalis, nessa terça-feira (20).

Reprodução

Wanderley Cerqueira - Câmara de VG

Wanderley  busca reeleição em meio à investigação sobre suposta compra de apoio de vereadores

Conforme o relatório técnico ao qual o teve acesso, a denúncia foi feita por uma testemunha que preferiu não ser identificada. Ela descreveu o possível modus operandi empregado para a obtenção e a manutenção de apoio político. Segundo a testemunha, era pago um valor de cerca de R$ 10 mil a vereadores, além da disponibilização de cargos vinculados à Mesa Diretora.

A articulação teria como figura central Wanderley Cerqueira e também contaria com a participação e o apoio de outros agentes políticos e particulares, dentre eles Tião da Zaeli, além de pessoas com interesses econômicos vinculados à atuação do grupo.

Os supostos pagamentos teriam sido feitos na chácara do vereador Miguel Claros Paz Júnior, “ocasião em que vereadores teriam deliberado acerca do apoio à eleição de Wanderley Cerqueira e, segundo o depoente, assinado cartas de renúncia como garantia dos votos acordados”, diz trecho.

Suposta propina e extorsão para eleição de Mesa Diretora

A denúncia feita ao Gaeco também aponta que propostas de cooptação teriam sido apresentadas no escritório de Wanderley. O local seria preparado para registrar clandestinamente os vereadores que aceitassem receber valores.

As gravações e as cartas de renúncia anteriormente assinadas teriam sido posteriormente utilizadas como instrumentos de constrangimento e pressão política (extorsão), com o objetivo de assegurar os votos necessários à reeleição à mesa diretora e, por conseguinte, a continuidade do apoio ao grupo.

Também foi narrado, pela testemunha, possíveis represálias contra vereadores que se afastaram politicamente do grupo ou manifestaram oposição à reeleição, incluindo exonerações de servidores indicados por eles, ameaças e outras formas de pressão.

Operação Cathedra Venalis

O Gaeco deflagrou na manhã desta terça-feira (20) a Operação Cathedra Venalis. Foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão domiciliar, pessoal e veicular em endereços relacionados aos investigados nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.

Entre os investigados estão 13 vereadores de Várzea Grande e dois de Cuiabá.

Annie Souza/Rdnews

Lista vereadores investigados, operação cathedra venalis

Também foram alvos a diretora financeira da Câmara e um secretário legislativo.  A apuração tem como foco possíveis irregularidades envolvendo a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande. As medidas judiciais visam reunir novos elementos de prova para o aprofundamento dos trabalhos conduzidos pelo Gaeco, que investiga a possível atuação de uma organização criminosa em crimes contra a Administração Pública.

As diligências decorrem de apuração sobre a atuação estruturada de um grupo que teria se dedicado à obtenção de vantagens indevidas, cooptação de agentes públicos, práticas de corrupção e outras irregularidades com potencial impacto sobre atividades da administração pública municipal. 

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