O Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT), investiga um suposto esquema de pagamento de R$ 10 mil a vereadores de Várzea Grande para garantir apoio à reeleição do presidente da Câmara Municipal, Wanderley Cerqueira (MDB). À frente da Mesa Diretora no biênio 2025-2026, o parlamentar busca permanecer no comando do Legislativo por mais dois anos, de 2027 a 2028. As suspeitas motivaram a deflagração da Operação Cathedra Venalis, nessa terça-feira (20).
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Wanderley busca reeleição em meio à investigação sobre suposta compra de apoio de vereadores
Conforme o relatório técnico ao qual o
teve acesso, a denúncia foi feita por uma testemunha que preferiu não ser identificada. Ela descreveu o possível modus operandi empregado para a obtenção e a manutenção de apoio político. Segundo a testemunha, era pago um valor de cerca de R$ 10 mil a vereadores, além da disponibilização de cargos vinculados à Mesa Diretora.
A articulação teria como figura central Wanderley Cerqueira e também contaria com a participação e o apoio de outros agentes políticos e particulares, dentre eles Tião da Zaeli, além de pessoas com interesses econômicos vinculados à atuação do grupo.
Os supostos pagamentos teriam sido feitos na chácara do vereador Miguel Claros Paz Júnior, “ocasião em que vereadores teriam deliberado acerca do apoio à eleição de Wanderley Cerqueira e, segundo o depoente, assinado cartas de renúncia como garantia dos votos acordados”, diz trecho.
Suposta propina e extorsão para eleição de Mesa Diretora
A denúncia feita ao Gaeco também aponta que propostas de cooptação teriam sido apresentadas no escritório de Wanderley. O local seria preparado para registrar clandestinamente os vereadores que aceitassem receber valores.
As gravações e as cartas de renúncia anteriormente assinadas teriam sido posteriormente utilizadas como instrumentos de constrangimento e pressão política (extorsão), com o objetivo de assegurar os votos necessários à reeleição à mesa diretora e, por conseguinte, a continuidade do apoio ao grupo.
Também foi narrado, pela testemunha, possíveis represálias contra vereadores que se afastaram politicamente do grupo ou manifestaram oposição à reeleição, incluindo exonerações de servidores indicados por eles, ameaças e outras formas de pressão.
Operação Cathedra Venalis
O Gaeco deflagrou na manhã desta terça-feira (20) a Operação Cathedra Venalis. Foram cumpridos 30 mandados de busca e apreensão domiciliar, pessoal e veicular em endereços relacionados aos investigados nos municípios de Cuiabá, Várzea Grande e Chapada dos Guimarães.
Entre os investigados estão 13 vereadores de Várzea Grande e dois de Cuiabá.
Também foram alvos a diretora financeira da Câmara e um secretário legislativo. A apuração tem como foco possíveis irregularidades envolvendo a Mesa Diretora da Câmara Municipal de Várzea Grande. As medidas judiciais visam reunir novos elementos de prova para o aprofundamento dos trabalhos conduzidos pelo Gaeco, que investiga a possível atuação de uma organização criminosa em crimes contra a Administração Pública.
As diligências decorrem de apuração sobre a atuação estruturada de um grupo que teria se dedicado à obtenção de vantagens indevidas, cooptação de agentes públicos, práticas de corrupção e outras irregularidades com potencial impacto sobre atividades da administração pública municipal.
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