100 DIAS PARA COPA

Terça-Feira, 04 de Março de 2014, 06h:50 | Atualizado: 04/03/2014, 07h:23

100 dias para Copa

O jogo não acaba com o apito final

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antonio_joaquim

 Antonio Joaquim

As obras de mobilidade urbana que estão sendo realizadas nas cidades de Cuiabá e Várzea Grande, em Mato Grosso, e em outros 11 aglomerados urbanos brasileiros, estão servindo para demonstrar se o conjunto representado pelo Poder Público, pelo empresariado e, no sentido mais amplo possível, pela nossa sociedade, tem a capacidade de realizar grandes eventos e, simultaneamente, construir as obras estruturais necessárias. Cada um deve responder a si mesmo esse questionamento. Assim, nem eu e nem você, teremos dificuldades com a verdade. Também assim, cada qual definirá a resposta que lhe for mais confortável: se sim, se não, se em termos, se para mais ou para menos. Até optar pela indiferença, ainda que ilegítima a um ser que vive em coletividade.

Do meu ângulo, percebo que o Brasil padece de males (culturais?) crônicos: a falta de planejamento e a tendência de buscar soluções aos 44 minutos do segundo tempo. Se isso irrita profundamente quando no plano doméstico, pior ainda no público. Mas não devemos nos enganar: será que conseguimos ser no público diferentes do que somos no privado? Em tempos em que o assunto é mobilidade urbana, o Brasil comporta-se, invariavelmente, como aquele motorista que vai decidir durante o trajeto qual caminho seguir. É um país dado ao improviso e, por tal, cortejando o prejuízo. Naturalmente, intolerante com instituições como o Tribunal de Contas, quando determinam “freios de arrumação”, a exemplo de suspensão temporária de obras por meio de medidas cautelares e/ou mesmo cancelamento de licitações direcionadas ou mal feitas.

Nesses momentos, tais instituições são apontadas como “do contra” ou insensíveis aos legados dos grandes eventos. E, se resolvem apresentar relatórios de acompanhamento indicando o estágio das edificações, objetivando oferecer à sociedade informações mais abalizadas e sem o condão da propaganda institucional, também são criticadas por mostrar realidade divergente. Em tempo: toda crítica deve ser considerada, obviamente sem a necessidade de ser aceita. Ainda mais se questiona atividade realizada no estrito cumprimento da missão institucional, quem define políticas públicas são aqueles que foram eleitos, mas depois de definidas, cabe aos entes públicos como o Tribunal de Contas e o Ministério Público a sua fiscalização.

Faço coro com todos que apontam o legado da Copa do Mundo. Ainda mais em Cuiabá e Várzea Grande, que proporcionalmente é o aglomerado urbano mais beneficiado. Sem a Copa jamais teríamos tantas obras importantes, isso é inegável. Também vou torcer para o Brasil chegar ao título e comemorar cada lance e cada gol do escrete canarinho. Mas, se em uma mão estará à bandeira tremulando, em outra continuará presa à lupa para legalidade, conformidade, os resultados, a qualidade das obras, a eficiência. A Copa do Mundo tem datas e horários marcados, tal qual às auditorias e o julgamento dos processos das obras. Em suma, o legado é importante, mas as falhas, os erros, o desperdício serão analisados com atenção, pois para nossas instituições, o jogo não acaba com o apito final. 

Antonio Joaquim Moraes Rodrigues Neto é conselheiro do Tribunal de Contas e relator das contas da secretaria extraordinária da Copa de 2014.

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Comentários (2)

  • Zé Poxoréo | Terça-Feira, 04 de Março de 2014, 09h40
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    Infelizmente caro Conselheiro, a maioria da população já não mais compartilha desse seu sentimento! É incompreensível a histórica morosidade que impera nos órgãos fiscalizadores, entre eles e principalmente o Ministério Publico e a seu reboque o Tribunal de Contas. O tão falado "legado", que aqui tem sido a qualquer preço, no final pode até ser que venha existir, embora existam controvérsias, pois outras capitais não contempladas com o tal do legado da Copa também passam por esse processo de crescimento, crescimento medido pela régua daqueles que se prendem unicamente no número de construções em andamento, como parece ser o caso. No caso de Mato Grosso, além do atraso, a péssima qualidade das obras sabidamente pagas a preço exorbitantes é perceptível a "olho nu" por qualquer leigo. Infelizmente "o depois de passar os 44 minutos do segundo tempo", historicamente tem sido traduzido por décadas depois do fato consumado, quando as mãos da "justiça" já não podem mais punir - ou a punição se torna inócua - aqueles que extrapolaram, queira a Deus, "somente" pela falta de zelo com a coisa pública. Essa infelizmente tem sido histórica realidade em nosso Mato Grosso!

  • joaoderondonopolis | Terça-Feira, 04 de Março de 2014, 07h27
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    O JOGO NÃO ACABA COM O APITO FINAL - Parabéns TCE em especial ao conselheiro Antonio Joaquim, pelo passado com as obras meia boca com duração de uma semana, será que já não pode pedir a indisponibilidade de bens para garantir uma futura devolução/indenização ao estado? Parabéns.

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