MANSO, UM OÁSIS NO CERRADO

Sábado, 21 de Julho de 2018, 07h:10 | Atualizado: 23/07/2018, 08h:15

HISTÓRIA DA USINA

Construção de usina é marcada por tensão e ainda hoje baixa produção é questionada


Enviada especial a Manso

Rodinei Crescêncio

Manso

Usina de Manso tem capacidade instalada de 212 MW, contudo produz 60 MW por conta da falta de chuva, que faz com que o nível do reservatório caia

A construção da Usina Hidrelétrica de Manso, denominada de Aproveitamento Múltiplo de Manso (APM), foi acompanhada de uma batalha judicial travada por mais de uma década com as mais de 700 famílias que se viram obrigadas a deixar o lugar onde trabalhavam em pequenas lavouras para cultivar o próprio alimento. Hoje, já indenizadas, ficam à margem do que se tornou um lugar paradisíaco, refúgios de turistas ricos e também de classe média.

Reprodução

Fotos históricas enchente 1974

 Barragem evita que enchentes devastem Cuiabá, a exemplo da que ocorreu em 1974

A ideia da usina foi evitar que enchentes devastassem Cuiabá, a exemplo da que ocorreu em 1974, quando seis bairros ficaram submersos, deixando cinco mil pessoas desabrigadas. Furnas, que é a empresa responsável pela usina, diz que sem a represa, em fevereiro de 2014 teria ocorrido a pior enchente da Capital mato-grossense.

As obras começaram em setembro de 1988, foram paralisadas em novembro de 1989 e retomadas no início de 1998, sendo concluídas no final de 2000. Um ano foi necessário para inundar os 427 km² que formam o Lago do Manso, cercado por uma barragem com 3,6 mil metros de extensão.

As famílias retiradas da região foram divididas em seis assentamentos, Campestre, Mamede, Bom Jardim, Quilombo, Água Branca e Água Fria. A

Muitos moradores morreram durante todo esse processo e os herdeiros é que acabaram recebendo o dinheiro

Sandro Leonardi, do MAB

reclamação era uníssona: as terras eram arenosas e improdutivas. Por conta disso, moradores se uniram ao Movimento de Atingidos por Barragens (MAB) e montaram um acampamento próximo à usina onde ficaram por anos. Moraram em barracos feitos de pedaços de pau e lonas homens, mulheres, crianças e idosos.

O MAB acompanhou de perto a luta das famílias pela indenização, que começou a ser paga 12 anos depois. Furnas pagou R$ 72 milhões a título de indenização e mais R$ 23 milhões em ajuda de custo aos moradores durante todo o processo. As indenizações variaram de R$ 40 mil a R$ 160 mil. Até 2016, o MAB ainda questionava a informação e afirmava que 400 famílias ainda não haviam sido indenizadas.

Ainda hoje, alguns herdeiros tentam na Justiça o direito de serem indenizados. Outros fazem parte da mão de obra utilizada na manutenção de condomínios de luxo e resorts da região.

Sandro Leonardi, que no auge da disputa ficou conhecido como Sandro do MAB, conta ao que muitos moradores morreram durante todo esse processo e os herdeiros acabaram recebendo o dinheiro.

A usina

O reservatório é considerado um dos maiores do Estado e é formado pelos rios Manso, Casca e Quilombo, abrangendo os municípios de Chapada dos Guimarães e Nova Brasilândia. Atualmente, a usina emprega 56 pessoas, uma delas é a engenheira eletricista Zélia da Silva Vitório, que trabalha lá há 10 anos no processo de manutenção eletromecânica da unidade. Ela mora em Cuiabá e percorre 200 km todos os dias, entre ida e volta, para chegar ao local de trabalho. Zélia brinca que com todo esse chão percorrido, já deu a volta na Terra.

A usina emprega 56 pessoas

Zélia Vitório, funcionária da usina

A capacidade de produção de energia foi e ainda é alvo de questionamentos. "Um impacto ambiental e social muito grande perto do que era produzido", diziam especialistas. A usina possui capacidade instalada de 212 MW, energia suficiente para suprir as necessidades de mais de 300 mil habitantes. Contudo, hoje, são produzidos 60 MW. A explicação de Furnas é que isso se deve à falta de chuva, que faz com que o nível do reservatório caia e a produção também. Em janeiro, no auge das chuvas, a produção chegou a 210 MW.

A energia produzida é encaminhada ao Sistema Interligado Nacional (SIN) para distribuição conforme a demanda. Desde dezembro de 2007, a Usina de Manso é operada remotamente pela Usina de Itumbiara (GO). Furnas, empresa responsável pela usina, explica que a água captada no lago do Manso é conduzida até a casa de força através de quatro condutos metálicos. Depois de passar pelas quatro turbinas hidráulica (52,5 MW cada) na casa de força, a água é restituída ao leito natural do rio Manso pelo canal de fuga.

Rodinei Crescêncio

Manso

Manso, um oásis no cerrado - No gerador da usina que gira acoplado mecanicamente à turbina, a potência mecânica é transformada em potência elétrica

Pesca ilegal na usina de Manso

Flagrante de pesca ilegal nas proximidades da barragem. Funas e órgãos ambientais vetam

Desse modo, a potência hidráulica é transformada em potência mecânica quando a água passa pela turbina, fazendo-a girar. No gerador, que também gira acoplado mecanicamente à turbina, a potência mecânica é transformada em potência elétrica. Furnas informa também que a energia gerada é levada por cabos condutores dos terminais do gerador até os transformadores elevadores, onde tem sua tensão (voltagem) elevada para adequada condução, através de linhas de transmissão, até os centros de consumo.

O ponto mais fundo do lago chega a 278 metros. Para compensar o impacto ambiental, Furnas também trabalha na preservação da flora e da fauna por meio de 21 projetos ambientais. Destacam-se o monitoramento hidrológico, que é o processo de acompanhamento das variações de níveis de água em várias estações fluviométricas consideradas estratégicas, bem como o manejo e conservação da fauna, que consiste nos processos e nas tecnologias necessárias à manutenção das espécies existentes nos locais que abrigam as UHEs de Furnas.

Entre a ponte da MT-351 e barragem, orgãos ambientais e a próprias Furnas proíbem a pesca, porém é possível flagrar pescadores infringindo as regras.

Rodinei Crescêncio

Manso

Lago é de beleza exuberante, um mar de água doce a perder de vista. Há quem se perca neste paraíso, se exceda e o resultado disso são afogamentos

Afogamentos

O Lago do Manso, famoso por atrair turistas, infelizmente também é conhecido por casos de afogamento. O caso mais recente e emblemático foi do médico Luiz Carlos Alvarenga Júnior, 39 anos, que morreu vítima de acidente aquático no lago. Ele estava pilotando um jet ski com um amigo na garupa, quando foi atropelado por uma lancha.

Em junho do ano passado, Renato Bezerra Rosa de 20 anos morreu afogado no lago. Familiares relataram que ele e amigos estavam em uma embarcação presa a uma ilha no meio do lago, que acabou se desprendendo da amarração. Quando perceberam, os três tentaram nadar de volta para a ilha, mas o jovem não conseguiu chegar.

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Comentários (1)

  • Kalle | Domingo, 22 de Julho de 2018, 13h07
    3
    1

    Realmente não sei qual o PIOR profissional se a jornalista Sra. Fernandes, ou o editor, que deveria ter supervisionado e visto o quão desconectada, sem clareza de objetivo, está essa matéria. Realmente um "metchidon" de temas relatos, mas sem a menor harmonização. Vôte !

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