PANTANAL ESQUECIDO

Sexta-Feira, 07 de Fevereiro de 2014, 00h:05 | Atualizado: 07/02/2014, 08h:20

Economia é fomentada com criação de jacarés e de cavalos pantaneiros


Enviada Especial a Poconé

criação de jacarés

Pantanal Caiman é a 2ª empresa do Estado que cria jacarés; hoje são cerca de 30 mil, de filhotes a animais com 7 anos; empresa tem parceria com 32 fazendas

Pecuária, mineração e agricultura são as principais fontes da economia de Poconé, porta de entrada do Pantanal Mato-Grossense. Mas, há dois empreendimentos que chamam a atenção pelo fato de serem raros: a criação de jacarés e do cavalo pantaneiro. Fundada em 2006, a Empresa Aguacerito Leather Comércio De Couros Ltda (nome fantasia Pantanal Caiman) está instalada numa área de 25 hectares e hoje cria cerca de 30 mil jacarés – que vão desde filhotes a animais com 7 anos. Eles são alimentados com ração misturada com cerca de 30 mil kg mês de vísceras de boi moídas (baço e pulmão) de 2 a 5 vezes por semana, dependendo do tamanho. A informação é dos proprietários Lauzimar Fernando Morandi e Vivaldo da Silva Vieira.

Ali chegou a abrigar 200 mil animais e, agora, iniciou a retomada do aumento da criação. Em 2014 quer chegar a 70 mil. Para tanto, até maio, ela realiza – por meio de parceria com 32 fazendeiros da região, registrados no Ibama, que autoriza o procedimento com base no censo populacional – a chamada coleta. “O órgão libera a quantidade de ninhos que podem ser coletados. Os fazendeiros retiram sem agredir o meio ambiente e ainda têm uma renda a mais nesse período de cheia”, pondera Vivaldo. Cada filhote é adquirido por R$ 3,50.

Há ainda um frigorífico onde são abatidos cerca de 150 jacarés por semana, em geral animais com 2 anos e meio porque a pele deles é melhor aceita no mercado. Os principais compradores (curtumes) estão localizados nos Estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, São Paulo e Paraná. “No frigorífico retiramos a pele. Ela fica submersa num produto químico, é secada, classificada e, depois, salgada”, explica Vivaldo. Em geral, se paga R$ 2,50 por centímetro de pele. Como, normalmente, são 40 centímetros, se paga R$ 100 por peça.

Tudo é aproveitado. Além do couro, que é utilizado na confecção de bolsas, cintos, carteiras e calçados, a carne do animal também é bastante apreciada. Neste caso, o preço do kg varia de R$ 17 reais a R$ 37 reais, dependendo da qualidade (tipo 1, 2 e 3). Somente em Poconé e em Cáceres há criação de jacarés.

Fotos: Rodinei Crescêncio/Rdnews

cavalos pantaneiros

O cavalo pantaneiro é considerado dócil e se adapta a situações adversas e, segundo a Associação Nacional de Criadores, a raça avança no melhoramento genético

Rodinei Crescêncio

Antônio Henrique de Aquino Teixeira, o Tony

Antônio Henrique de Aquino Teixeira, o Tony

Em relação à criação dos cavalos pantaneiros, conforme o presidente da Associação Nacional dos Criadores deste tipo de animais (fundada em 1962), Antônio Henrique de Aquino Teixeira, o Tony, existem hoje, registrados, 19 mil cavalos pantaneiros em todo país, mas o número pode chegar a 100 mil, por isso, será feito um censo. O maior rebanho, em uma única propriedade, está localizado na fazenda Abílio Leite de Barros (MS), com 500 cavalos. “O cavalo, todo lugar que está indo ele vem se destacando. Temos até fora do Brasil, no Paraguai e na Bolívia”.

Tony elenca como principais características dele a rusticidade e o fato de se adaptar bem a situações adversas, sendo, ao mesmo tempo, dócil. O presidente pondera que a raça está cada vez melhor graças ao melhoramento genético e da profissionalização da mão-de-obra que trabalha com esses animais. “É um cavalo que resiste bem tanto na água, quanto no lugar seco”. São apresentados em exposições e provas de laços e vendidos em leilões, sendo utilizados, por exemplo, pelos fazendeiros para conduzir o gado pelo pantanal. “Grande destaque dele hoje está sendo a prova do laço”. Montados por peões, os cavalos – durante a cheia - ajudam a levar bezerros, bois e vacas das regiões baixas para fazendas localizadas em áreas mais altas.

Conforme Tony, nos leilões, o animal mais caro foi a égua Herança da Promissão, que fez a abertura da novela Paraíso (Rede Globo). Foi negociada por R$ 170 mil. Entre os machos, o record é o Campeão da JK, ao custo de R$ 105 mil. São realizados 10 leilões por ano e o valor médio pago é de R$ 15 mil a R$ 20 mil. “Ano passado, o maior leilão maior foi Evolução da Raça, quando foi arrecadado R$ 1 milhão”. Hoje há 264 associados, sendo 200 ativos. Cerca de 65% dos criadores são de Mato Grosso. A associação garante o suporte para a realização das exposições e os leilões. “Ajudamos com técnicos”. 

Existem 14 garimpos de ouro de grande porte em Poconé, além de 200 filãozeiros que exercem essa profissão, sendo que a estimativa mensal de extração de ouro por mês gira em torno de 80 quilos.

Galeria de Fotos

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Comentários (1)

  • Valdinei moreira, de cacoal ro | Sábado, 25 de Abril de 2015, 11h00
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    0

    sou de RO Cacoal,estou endereçado em criar jacaré em cativeiro, só que não tenho experiencia no negocio, se alguém saber de alguém que possa me ajudar, por favor me indique, ficarei agradecido.

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