Cuiabá, 01/11/2026

Caos na saúde e paralisação marcam gestão no Executivo; Câmara renova 85% e cassa Brandão

Primeira mulher a comandar Sinop, Rosana Martinelli (PR), iniciou a gestão fazendo ajustes na máquina. Desde o primeiro dia, tem se afastado de seu antecessor e padrinho político Juarez Costa. Rosana iniciou o mandato em "lua de mel" com a população, especialmente por causa da boa avaliação da gestão Juarez - de quem foi vice.

Republicanos, prefeita Rosana Martinelli e vereador Fernando Brandão têm ano marcado por desafios em Sinop

Ela recebeu 23.981 votos e prometeu uma gestão compartilhada visto que, com a economia abalada, os repasses - principalmente da União - diminuíram. A arrecadação municipal também não alcançou o esperado em 2017 e foram necessários alguns remanejamentos para que os débitos fossem quitados.

O problema refletiu principalmente na área da saúde, que vivenciou um verdadeiro caos este ano. O hospital Regional que é responsabilidade do Estado, ficou com suas atividades paralisadas quase quatro meses. Neste período foram realizados protestos, paralisações e até o trancamento da BR-163, para chamar a atenção do governo.

A Upa sofreu superlotação e os atendimentos que antes eram básicos passaram a ser apenas aos de maior complexidade. Rosana chegou a anunciar que não daria conta e cogitou instalar estado de calamidade pública.

Isso também interferiu no orçamento da prefeitura, que desembolsou a mais na área do que o que a lei exige, que são 25%. Outra dificuldade foi na escolha dos secretários da pasta. Quatro trocas de gestor do setor da saúde aconteceram em 2017.

Outro grande problema que a republicana enfrentou está relacionado à Concessionária Águas de Sinop, que administra o sistema de água e esgoto na cidade. Os consumidores começaram a reclamar dos altos valores cobrados. Uma auditoria foi feita para averiguar a situação. O Legislativo também instaurou uma CPI para investigar  o assunto,. O resultado, porém, aponta que os consumidores saem ganhando enquanto a concessionária tem prejuízos.

Vanessa Fogaça

Até pedido de prisão contra presidente da Câmara, Ademir Bortoli foi solicitado

A chefe do Executivo também teve embates com servidores da educação, obras e saúde, principalmente devido a salários. Os servidores chegaram a protestar em frente ao prédio da prefeitura e também organizaram paralisações e ameaçaram greves para 2018.

Poder Legislativo

Rosana assumiu a gestão com o apoio de 9 vereadores, e ampliou a base governista após a inclusão de  Joacir Testa (PDT) e Leonardo Visera (PP). Já no decorrer do ano, Visera se mostrou mais oposicionista e hoje ocupa o grupo de oposição encabeçado pelos quatro parlamentares do PSDB.

Houve renovação de 85% dos vereadores e apenas 3 se reelegeram. Outros 12 estão em seus primeiros mandatos. Durante o ano alguns embates foram assistidos nas plenárias. Vetos do Executivo foram derrubados. Em contrapartida o Legislativo derrubou alterações propostas pela prefeitura.

O ano no Poder Legislativo foi marcado pela cassação de Fernando Brandão (PR). Fernando teve o mandato cassado, pois os vereadores consideraram o republicano culpado das acusações de cobrança de mensalinho de pelo menos dois ex-servidores do Legislativo. O republicano está recorrendo a decisão para que possa retornar à vaga. Até um pedido de prisão contra o presidente da Casa, Ademir Bortoli (PMDB), foi solicitado.