A resposta é sim! E ela é chamada de rizartrose. Com o aumento de funcionalidades do aparelho e seu excesso de uso, a articulação da base do polegar pode ser sobrecarregada mais que o habitual e sofrer um desgaste precoce, ocasionando a artrose.
Numa articulação normal, as superfícies articulares em contacto são revestidas por uma cartilagem integra e lubrificada permitindo às duas superfícies deslizarem entre si sem qualquer atrito, amortecendo o choque e o traumatismo desencadeado pelos movimentos triviais do polegar. Na osteoartrose, verifica-se o desgaste progressivo da cartilagem articular com exposição do osso, sendo fonte de dor, deformidade e limitação da mobilidade do polegar.
Além do excesso de uso, a rizartrose também pode ocorrer por outros fatores, como hipermobilidade ligamentar, fatores genéticos ou patologias autoimunes, traumas e outros. É mais frequente em mulheres por volta da quarta década de vida.
“A resposta é sim! E ela é chamada de rizartrose.”
Fellipe ValleO principal sintoma é a dor na base do polegar, que agrava com a execução de atividades mais vigorosas ou repetitivas, como atividades que envolvam agarrar, pinçar e movimentos de torção. Muitas pessoas falam sobre dificuldade em escrever ou realizar outras atividades finas como tocar instrumentos, usar tesouras ou o mouse, rodar uma chave, abrir uma garrafa ou a tampa de um frasco. No entanto, nesta fase, geralmente os doentes apresentam uma grande tolerância à dor e desenvolvem mecanismos de adaptação ao seu grau de incapacidade.
Em situações mais graves, a dor pode surgir em repouso, associada a fraqueza, limitação da mobilidade e deformidade da base do polegar. Esta deformidade traduz-se por um alargamento visível da base do polegar que, com o avançar da doença, pode evoluir para uma deformidade global de todo o dedo.
A história e o exame clínico são habitualmente suficientes para permitir o diagnóstico. A radiografia (raio x) é importante para confirmar o diagnóstico, avaliar a gravidade e programar o tratamento.
A rizartrose, como qualquer processo artrósico, evolui para o agravamento progressivo, pelo que, uma vez instalada, a solução definitiva é apenas o recurso ao tratamento cirúrgico. No entanto, em alguns casos, a doença evolui muito lentamente, os sintomas são escassos e os doentes desenvolvem formas de adaptação que lhes permite controlar a doença apenas com recurso ao tratamento conservador.
Para evitar o agravamento do quadro o tratamento deve ser iniciado o mais breve possível .
Fonte : Saúde bem estar
Fellipe Valle é médico ortopedista e traumatologista, com especialização em cirurgia de ombro e cotovelo, cirurgia do joelho, especializando em medicina da dor e ortopedia regenerativa, além de idealizador do programa Descomplicando a Ortopedia. Ele é membro da diretoria da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia - MT, da American Academy of Orthopaedic Surgeons e da AO Trauma Latin America. É sócio fundador da associação brasileira de ultrassonografia músculo esquelética, professor de medicina na Univag e da residência de ortopedia Unic-Hgu. Escreve com exclusividade para esta coluna às terças. E-mail: fellipevalle@hotmail.com. Instagram: @dr.fellipe.







